Vitrola minha vitrola #1 por J R Tosco

Depois de ponderar algum tempo, algo como uma crise existencial mesmo, cheguei a uma conclusão meio deprimente: não sei fazer muita coisa produtiva. Tá bom, eu sei, isso é problema de estudante de filosofia, questão existencial se resolve carpindo, blábláblá. Enfim, mas essa crise teve um ponto positivo, quase um momento de iluminação mesmo, pois no auge de minhas ponderações cheguei á conclusão que há uma coisa que sei fazer muito bem: escutar música. É sério. Sempre fiz isso muito bem. Então, resolvi escrever algo sobre música. Como não sou nenhum gênio (quase um inútil, afinal quem não sabe escutar música?) pensei em fazer algo simples: uma espécie de coluna periódica, que escreverei aqui no blog, onde listarei e comentarei rapidamente os discos (CDs, álbuns) que estou ouvindo com mais freqüência. Espero que estes discos fiquem como dica para quem está procurando artistas novos ou está entediado com as coisas que escuta sempre. Ah é ó, observações importantes: primeiro, eu sei que ninguém perguntou sobre o que eu estou ouvindo, mas e daí?; segundo, sou um grande admirador dos instrumentos de percussão em geral (baterista de garagem mesmo), por isso, não será raro eu me prolongar um pouco mais nos comentários relativos aos bateristas.

Alice Cooper – Brutal Planet: Costumava ter uma opinião meio preconceituosa em relação ao Alice Copper. Este disco foi um tapa na minha cara. Fui convertido. Alice Cooper é um cara legal. O disco Brutal Planet, porém, é diferente. Trata-se de uma obra-prima. De uma maneira geral, as guitarras, mais pesadas que o habitual, são inspiradoras. E o que dizer de Eric Singer? O baterista tapa furo do Kiss (acho isso uma heresia) dá mais uma aula de como tocar bateria. Muito técnico, criativo, discreto quando necessário e tudo isso sem perder o “feeling”, nem sua pegada característica. Destaque para a batida tribal da faixa título e da música “Cold machines”, os riffs de guitarra matadores de “Wicked young man”, “It´s is the little things” e “Can´t sleep, clowns Will eat me” e a bonita balada “Take it like a woman”.

Motorhead – Snake Bite Love: Acho que não preciso escrever nada sobre Lemmy Kilmister, o cara dispensa apresentações. Snake bite Love, de 1998 é como todo disco do Motorhead, um autêntico disco de rock n´roll. Abre com a dançante “Love for Sale”, seguida de “Dogs of war” que possui um riff de guitarra/baixo marcante. A igualmente dançante faixa titulo, é seguida pela densa “Assassin”, onde Mikkey Dee, o baterista, apresenta uma construção rítmica muito interessante que lembra o clássico da banda “Sacrifice”, além de um mini solo de bateria, muito bom. Destaque também para as violentíssimas “Better off dead” e “Take of blame”, esta última com mudanças de andamento lindas e riffs que sozinhos fazem o disco todo valer a pena. Fora a “Don´t lie to me” que é quase um convite pra ir pro buteco.

The Who – Quadrophenia: Épico. Provavelmente seja esse o melhor termo para definir este disco. Muita gente acha que o Tommy é melhor, que esse é cópia daquele e não sei mais o que. O Quadrophenia, na minha opinião, é uma forma evoluída. Letras inteligentes, uma estória por trás delas, os quatro músicos no auge de suas capacidades. O Who é talvez a única banda que eu conheço que consegue aliar melodias lindas com temas viscerais e ainda ter a cozinha (bateria/baixo) criando o tempo todo. Pete Townshend é um gênio, Jhon Entwistle honra todos os baixistas do mundo e Roger Daltrey com sua bela voz nos faz sofrer junto com Jimmy, o personagem principal da estória. Keith Moon, o baterista, bem esse é um caso a parte. Precisaria de um post inteiro pra falar dele (huuummm, boa idéia). Basta dizer aqui que ele não foi um ser humano normal. Não vou comentar as faixas, pois prefiro pensar nelas todas como uma só. Vou dar apenas uma dica: perceba como diversos temas musicais vem e vão durante os quase 82 minutos de duração da bolacha.

The sword – Gods of the Earth: Segundo disco destes caras, que no meu entendimento, prometem ser uma das melhores opções na nova geração de bandas de heavy metal. Muito bacana ouvir um disco que lembra velhas e boas bandas como Black Sabbath, Deep Purple e outras, só que feito por muleques muito tempo depois dos anos 70(em 2008). E não é mera cópia não, eles são inovadores também em alguns sentidos. As músicas são em geral muito boas, com nítida influência do moderno stoner rock, do doom metal e claro do metal “sabbasistíco”. As letras tratam de temas mitológicos, assim como de autores de fantasia e ficção cientifica (H. P. Lovercraft, Arthur C. Clarke, etc)

Queens of stone age – Songs for the Dead: O que o Dave Groul faz quando não está ganhando dinheiro a rodo no Foo Fighters? Neste disco está a resposta: tocando bateria, e pra cacete. Josh Homme é um dos músicos mais talentosos e criativos do século XXI, ai juntou ele, o Groul e o Nick Olivieri, baixista e também compositor da banda, saiu o melhor disco de rock de 2002. Todas as músicas passam longe da palavra ruim. Basicamente dá pra definir o disco assim. Dois fatores sobretudo tornam a audição deste disco muito prazerosa. A criatividade nas composições é um deles. Em vários momentos você é obrigado a parar e refletir “é o mesmo disco?”. As passagens de música pra música são muito divertidas, satirizando as estações de rádio. O segundo fator atende pelo nome de Dave Groul. Tenho certeza que ele deu muitos e valiosos palpites em toda a composição, pois o homem sabe tocar de tudo, até trombone se duvidar. Mas a genialidade está mesmo é na composição da bateria. Em um disco como esse, onde a variedade das composições é tão absurdamente grande, tocar todas elas de maneiras diferentes e ainda manter uma “assinatura” não é nada fácil. É coisa de gênio mesmo.

Anúncios

1 Comentário

Filed under cultura

One response to “Vitrola minha vitrola #1 por J R Tosco

  1. Muriro, em japonês...

    Melhor disco de 2002??????????
    Melhor disco dos anos 2000 até o momento…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s