O (nada) Curioso Caso Fernando Carli Filho por J R Tosco

Juventude na política. Houve um tempo em que eu acreditava que a minha geração, e as próximas, poderia mudar alguma coisa. Hoje sou realista, e completamente desprovido de esperança. O poder e a influência das nefastas oligarquias imperam de forma soberana nesta terra. Obrigado a contrariar minha anterior ingenuidade, percebi como o mundo gira e a cuíca toca.

Acompanhei esta semana na TV o caso do deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho, para quem não sabe ainda, o ASSASSINO que dirigia seu belíssimo veículo a uma velocidade absurda, bêbado e “oficialmente” proibido de dirigir, pelas ruas de Curitiba na noite do dia 07 de maio e que acabou matando dois jovens em um “acidente” de trânsito. Pois bem, tudo corria muito bem na terra da malandragem até que os familiares de um dos jovens, indignados e arrasados, cobraram explicações mais detalhadas sobre o caso, perceberam os trâmites e maquinações da antiga arte da maracutaia, que é ainda mais soberana que as próprias oligarquias que a praticam, e resolveram levar isso a mídia.

Pronto. O deputado caiu na malha fina da “moral” pública, virou a bola da vez. A onipresente e “preocupada” cobertura da imprensa passou a vasculhar e revirar avidamente todos os detalhes do caso, e é claro, a sujeira veio á tona. Inúmeras multas, carteira apreendida, excesso de velocidade, ingestão de álcool, delegado tentando encobrir fatos, exame de dosagem alcoólica que não foi feito, enfim. O deputado, e o delegado que cuidou do caso, deram um verdadeiro espetáculo da mais sutil e refinada falta de vergonha na cara, um belo exemplo do que não fazer.

Fernando Carli Filho, 20 e poucos anos, de família abastada, ligada desde tempos imemoriais a política, é só um dos muitos políticos jovens que alegam querer renovar a política. Mas que espécie de renovação é esta?

Visitei o site pessoal do deputado e constatei que a imagem pública do deputado é bem diferente do seu comportamento. “Parte de uma geração de jovens que chegaram para marcar presença na política do Paraná” como frisa bem o texto no site do deputado, Fernando Carli Filho é “um aquariano sensível as transformações do mundo que o cerca”. Ora, mas como assim? O deputado demonstrou sim a típica atitude de alguém que não esta nem um pouco interessado nas transformações do mundo, nem tampouco sensível aos muitos problemas da sociedade. Ele próprio se tornou um problema. “Uma juventude responsável e participativa”. De quem o texto no site do deputado está falando?

Absurdo? Calma, tem mais. “Cidadãos que entendem que o ser humano é um “ser político” por essência, mas estão conscientes que a boa política é praticada através do diálogo, do “olho no olho”, da compreensão, da amizade e, sobretudo, da ética e da honestidade.” Será que este disparate é resultado da filosofia mal entendida que o deputado afirma ter aprendido na faculdade de DIREITO que nem chegou a terminar? O próprio título do texto, se relacionado ao comportamento do deputado, já é um problema filosófico em si: “JUVENTUDE COM MATURIDADE”.

“Fernando Carli Filho surge como uma liderança em ascensão, vitrine de uma geração de jovens que vêem a política sem preconceito, acompanham a situação nacional e local de perto, com estilo próprio, vivendo a sua idade com o vigor das amizades e da descontração.” Ignorar o fato de que sua carteira de habilitação estava ILEGAL e dirigir da forma como dirigiu, desrespeitando limites de velocidade e bêbado, sem contar o fato de que era reincidente, é viver a sua idade com vigor? Estilo próprio? Descontração? Tudo isso mudou de nome? O comportamento do deputado tem alguma relação com o texto acima?

Muito embora a MÁSCARA de Fernando Carli Filho não condiga nem um pouco com a realidade, isso não é o que mais me assusta. Questões muito mais sérias surgem sem ser preciso ponderar muito a respeito. Como um cidadão inconseqüente e irresponsável desses ocupa um cargo público? O processo eleitoral que promove a entrada destes “jovens” na Assembléia Legislativa, o famigerado apadrinhamento, é correto? Quantos outros “Carlis Filhos” existem ainda? Colocar filhos, sobrinhos e apadrinhados de figuras conhecidas, corruptas e que dominaram este país com mão de ferro em um passado não muito distante é renovar alguma coisa? Queremos essa juventude, totalmente desprovidas de qualquer qualidade necessária para governar, no poder? Seja em um caso extremo como esse, ou naqueles, bem comuns, de má administração do dinheiro público, roubo, desvios, e outras cositas mas, a palavra RENOVAÇÃO pode ser usada na política brasileira?

Jamil Nakad, o cômico candidato, autor do famoso bordão “chega dos mesmos” estava errado. Os “mesmos”, senhor Jamil, cansam, se aposentam, padecem. Daqui a 30, 40 anos quem governará o Brasil? Os filhos das elites monopolistas, como o deputado Carli Filho? É tempo de renovação!!! Para o senhor Jamil Nakad apenas. O “chega dos mesmos” não é mais suficiente. O correto não seria: CHEGA DOS HERDEIROS DOS MESMOS?

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1 Comentário

Filed under opinião

One response to “O (nada) Curioso Caso Fernando Carli Filho por J R Tosco

  1. Row

    Quando vi o nome “Tosco” não imaginei que seria um texto TÃO bom. Mais um caso de “julgar a pessoa pela casca” (ou nesse caso o rótulo). Achei que Susan Boyle tinha me dado uma lição. Parabéns, Tosco, você é ótimo!

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