Um Passeio pelo Mundo Cervejeiro por Roberto Shiniti

A convite do J. R. Tosco, resolvi colaborar um pouco com este distinto blog, com o qual me divirto sempre que posso. Então resolvi neste primeiro texto, contar um pouco da minha experiência.

Depois de ter alguns colapsos nervosos devido ao trabalho e ao estudo, meu médico me mandou achar alguma coisa que possa me entreter. Como eu gosto de sair e beber, resolvi adentrar no mundo das cervejas e começar a degustar as tais. Seis meses depois, experimentando tudo quanto é tipo de cerveja, posso dizer que me apaixonei pelas Weissbier, ou cervejas de trigo. São as cervejas de coloração turva que muitos maldosamente alcunham de “cerveja suja” devido ao material particulado presente em sua composição. Uma boa cerveja de trigo tem essa turbidez característica. Para o realce de seu sabor e o apreciador poder notar tudo o que ela pode oferecer, é indispensável que a bebida seja servida entre 4 e 7 graus Celsius e numa taça adequada chamada de Weizen, onde o conteúdo da garrafa deve ser despejado completamente num ângulo de 45 graus e, ao final, a garrafa agitada para criar-se a “espuma” pela desnaturação das proteínas do fundo da garrafa e recolher o material particulado no fundo da mesma. Mas fora isso, convenhamos, o Bávaros sabem beber, e eles criaram as cervejas de trigo.

Atualmente venho passeando pelos lugares de Curitiba onde essas cervejas podem ser encontradas (bares e baladas) a fim de avaliar se elas são apenas tratadas como “cervejas chiques” ou se elas realmente têm um destaque e um tratamento digno, que credita a casa a ser convidativa para os apreciadores das mesmas.

Neste final de semana (30/5), passei pelo Mondo Birre, casa conhecida que fica no bairro do Batel em Curitiba, muito citada entre as pessoas que degustam cervejas por ter uma boa variedade dessas bebidas em seu cardápio. O ambiente da casa é interessante, com dois ambientes, porém algo esperado em qualquer balada na região do Batel: muita gente bonita, coisas muito caras e um pop rock para universitários (além de outras coisas que prefiro serem comentadas pelo próprio Tosco, por ele ter um humor mais ácido do que o meu). Lá, degustei a Franziskaner Hefe-Weissbier Hell, juntamente com a Erdinger Pikantus e a Hofbräu Original (que não é Weiss, é Helles).

Como estava frio, resolvi pedir a Erdinger Pikantus primeiro. Considerada uma mistura de Weiss com Bock (Weizenbock), ela tem 7,3% de teor alcoólico. Tem um aroma forte e característico, levemente apimentado e adocicado e isso aumenta à medida que ela esquenta. Algumas pessoas não gostam dela porque ela não parece uma Bock e nem com uma Weiss (claro, é Weizenbock), e isso lhe dá um leve sabor de café, mas para quem quer se esquentar (como eu naquele momento) é uma boa pedida.

Depois de aquecido, pedi a Franziskaner. Essa cerveja é muito conhecida na Alemanha e considerada uma das grandes representantes do gênero Weiss. Como o próprio nome já diz, ela é uma Hefe-Weissbier (ela não é filtrada, sendo o fermento engarrafado com a bebida, o que dá uma segunda fermentação em meio anaeróbio) o que ocasiona o aparecimento de partículas no fundo do copo (o que faz as pessoas não gostarem, por ignorância) e ela é Hell (termo para “clara”, apesar de que é “from Hell” também). As principais características da Franziskaner Hefe-Weissbier Hell são o forte aroma de fermento e de carbonatação presente no seu sabor. A espuma é consistente e é possível sentir um aroma frutado e um “azedinho” que fica na boca.

Agora, minhas considerações sobre a relação da casa com a bebida: os garçons são totalmente despreparados, com exceção de um. Os demais provavelmente receberam um curso rápido pela internet sobre cervejas e a casa parece não se importar com isso, afinal, o nível das pessoas que freqüentam o local não é de degustadores (não que eu seja um). A cerveja estava extremamente gelada (o que é muito ruim, pois impede que você sinta o sabor da bebida), o copo estava molhado e os garçons entornavam a bebida no copo como se aquilo fosse uma Skol. Porém, continuei com meu hobby, decepcionado porque a cerveja não expressou tudo o que ela tinha a oferecer.

Para encerrar, e desta vez um garçom mais qualificado me serviu, porque o outro estava provavelmente me achando um boçal, pedi a Hofbräu Original (foi impróprio eu a pedir, já que meu paladar e minha consciência já tinham ido para o espaço). Essa cerveja é uma Helles Munich Lager de Munique produzida segundo a Lei de Pureza da Baviera, com sabor levemente picante e que tem um equilíbrio entre os sabores do malte e do lúpulo. Para quem não conhece, as cervejas conhecidas como Lager são as cervejas de baixa fermentação ou de fermentação fria. Dentro dessa categoria estão quase 90% de todas as cervejas mais consumidas no planeta. As divisões entre as lagers são várias, mas a mais conhecida é a Pilsener American Lager ou Pilsen, que entram a Kaiser, a Skol, a Sol, a Bohemia e tantas outras. Neste caso, a Hofbräu Original é uma Helles, categoria das Lagers com menos lúpulo e mais malte.

Para terminar, não recomendo degustar cerveja no Mondo Birre se você não conhece um pouco dos procedimentos para servir cervejas. Você só vai gastar dinheiro e não as apreciará com o devido cuidado. Minha próxima parada será o Slainté Irish Pub, também no Batel.

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7 comentários

Filed under bom gosto

7 responses to “Um Passeio pelo Mundo Cervejeiro por Roberto Shiniti

  1. Tosco o alimentador de hienas

    Hell fucking yeah!!!!!!!! que texto bonito, polído, abalizado sobre um assunto tão “bão” de se falar!!!!!!!!!!! Sabe, depois de ler esse texto fiquei pensando em como poderia contar minhas experiências com cervejas diferentes!!!!! ai cheguei a conclusão que eu não poderia mesmo que quisesse, afinal eu estava bebinho bebinho em todas elas!!!!!!!!!
    Frustrante não?

  2. Murilo, significa "Aquele que não teme", em javanês...

    Você não tem nenhuma experiencia com cervejadas, o amortecido Johnny tem várias.
    HEHE…

    Grande Shiniti, dando o ar da graça por aqui…

  3. Murilo, suspendendo os juízos

    Bah, derrepende me deu uma vontade de sentar em frente à lareira na na minha fazenda no Canadá, por meu robe de chambre, e degustar uma Santa Cerva num copo de requeijão…

    Pessoal do Slainté Irish Pub, TEMA! rsrsrs…

  4. Toscinho Nostradamus

    Hellyeah!!!!!!!!!!!!

  5. Quem quiser ir ao Slainté, está convidado! Lá irei fazer a prova de algumas Red/Brown Ale, dentre elas, a New Castle Brown Ale e a Baden Baden Red Ale…
    E, Santa Cerva combina até em copinho de plástico de água! hahahahaha

  6. Tonho

    Pessoalmente eu não gostei muito da minha experiência com cerveja de trigo… Tal vez pelo fato de ter sido uma edição especial da Bohemia, virada no gargalo…
    Não sou exatamente um degustador de cervejas, nem mesmo amador, sou apenas um apreciador do “Pão Liquido”, e uma das melhores cervejas q eu já tomei foi uma Eisenbahn Strong Golden Ale… Encontrei essa cerveja naquele restaurante alemão do largo (não o Bar do Alemão), que fica em cima da padoca, na frente do “Rolex Florido”…
    Realmente muito boa!!! Recomendo!!!

  7. Murilo, o pessouo.

    Então, Shinietsche, e o as bera lá do Slainté Irish Pub, são boas? ruins? merecem um texto?

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