De Heráclito ao novo Batman, o mesmo princípio.

O fogo. É a analogia ao fogo como elemento vital da realidade que me faz ligar um filósofo pré-socrático à obra prima cinematográfica contemporânea que é o Batman de Christopher Nolan.

Pensemos nas considerações heraclitianas sobre o fogo: “Todas as coisas são permutas de fogo.”; “Tudo se origina por oposição e tudo flui como um rio, e limitado é o todo e um só cosmo há; nasce ele do fogo e de novo é por fogo consumido, em períodos determinados e por toda a eternidade.”*

Agora, o Homem-morcego. O evento que transforma o jovem Bruce Wayne em Batman é a morte de seus pais. Ver as vidas das pessoas que ele mais ama consumidas pelas armas de fogo da violência urbana faz nascer nele uma sede de justiça que só encontra possibilidade de ser saciada na figura do Super-herói. É o fogo que encerra o ciclo dos velhos Wayne e começa o de Batman.Como nos alertava Heráclito: “Todas as coisas são permutas de fogo”.

Em seguida, vejamos o Coringa. A origem do personagem é genialmente não explicitada, mas, qual sua finalidade na obra, qual seu objetivo? Nas palavras sóbrias do velho sábio Alfred : “Ver o circo pegar fogo.”; ou ainda, na “mensagem” do próprio Joker: “Queimem tudo”.

Se a esperança da transformação de Gotham em uma cidade melhor nasce em Bruce Wayne pelo fogo das armas que matam seus pais, é pelo fogo da mensagem do genial Coringa de Heath Ledger que a esperança da destruição é criada. E mais uma vez, “permutas de fogo”.

Mas a beleza da obra nasce do choque entra as personalidades diametralmente opostas  dos antagonistas, choque esse que coloca Gotham no meio de um constante jogo de caos-cosmos – “Tudo se origina por oposição e tudo flui como um rio” – e ainda, como o próprio coringa diagnostica – no que seria um de seus momentos de maior lucidez, não fosse pelo fato de ele estar pendurado de cabeça para baixo do lado de fora de um prédio de uns 100 andares mais ou menos, rindo, ou melhor, gargalhando da cara do Batman – “É o que acontece quando uma força inesgotável encontra um objeto irremovível (…) acho que nós estamos condenados a fazer isso para sempre”; lembrando mais uma vez o filósofo : “Nasce ele do fogo e de novo é por fogo consumido, em períodos determinados e por toda a eternidade.”

Esse texto foi feito para “engordar”  a sessão “Cultura” aqui do blog, e, bom, eu sou estudante de filosofia e fã de cinema, logo, vai ter muita gente que não vai gostar ou não vai entender as ligações e analogias que eu faço, mas, quem se importa?

*Editora Nova Cultural Ltda., São Paulo 1996, Coleção  Os Pensadores.

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2 comentários

Filed under cultura, Filosofia de Butéco (Botéco)

2 responses to “De Heráclito ao novo Batman, o mesmo princípio.

  1. Row

    Minha opinião é: Queimem tudo! Mas afinal…quem se importa??

  2. samael

    dizem os evangelicos que o CORINGA e o diabo eo BATMAN e o CRISTO que tentou mudar o mundo e nao conseguiu isso parece piada mas e os que eles falam em seus CULTOS numca vao entender que o diabo e uma maneira ridicula de culpar tudo que esta errado ksksksk

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