Vitrola Minha vitrola #2 por J R Tosco

Aqui vou eu, em mais uma tentativa de salvar os leitores do nefasto cenário musical vigente. Sim, sim, o mainstream nunca foi flor que se cheire, mas de uns tempos pra cá tem se tornado realmente preocupante. Coisas como Lady Gaga, Ne-Yo,  Lil’ Kim, Drake, os emos, a volta da lata de lixo ambulante conhecida como Eminen, e por ai vai. Felizmente temos bandas “mainstream” de um passado distante e glorioso voltando, temos uma bem nova, em termos, outra banda alternativa não tão nova assim, mas com disco novo e uma velha e boa banda clássica. Desta vez, porém, serei mais generoso com os leitores e não indicarei apenas um disco, mas vários de algumas dessas bandas. Sem mais, vamos a elas:

The Mars Volta – Octahedron: Esses caras são um caso á parte no cenário musical. Banda alternativa, formada depois do fim de outra banda, a At the Drive-in, por Cedric Bixler-Zavala e Omar Rodriguez-Lopez, a música da banda é uma prolífica mistura de jazz fusion, rock progressivo e música latina. Octahedron  é o quinto disco de estúdio da banda, acabou de ser lançado e é simplesmente fantástico assim como os outros. Nunca fiz isso, mas acho que uma experiência alucinógena ao som de Mars Volta deve ser tão gratificante quanto as realizadas ao som de discos clássicos do Pink Floyd. Mas enfim, sobre o disco, um pouco mais calmo e tranqüilo que os anteriores, com belos momentos acústicos, este disco marca também um ótimo trabalho no estúdio do novo baterista Thomas Pridgen. Destaque para a lindíssima canção de abertura, “Since We’ve Been Wrong”, a extremamente difícil de esquecer “Halo Of Nembutals”, assim como as acústicas “With Twilight As My Guide” e “Copernicus”, as groovadas “Teflon” e “Desperate Graves” e a característica “Cotopaxi”. Também recomendo muito a audição dos álbuns anteriores, principalmente os inebriantes:

– De-loused in the Comatorium – em especial as excelentes canções “Roulette Dares (The Haunt Of)”, “Drunkship of Lanterns”, “Eriatarka” e “Cicatriz ESP”;

– Frances the Mute – neste disco está a que eu considero a melhor canção da banda “The Widow”.

Faith no More – The Real Thing\Angel Dust\King for a Day… Fool for a Lifetime: Fiquei muito animado com o anúncio da volta desta banda. Na semana passada conferi a apresentação que eles fizeram no download festival 2009. Lindo show. Mike Patton, ou o Mr. 1000 Voices (como é chamado também, devido á grande variação de sua voz), continua doído de pedra no palco e Mike Bordin, que nas horas vagas toca para o véio Ozzy, continua sendo um dos bateristas mais peculiares e competentes que eu conheço. Estes caras são influencia para praticamente todos os artistas atuais que se prezam, e infelizmente para alguns arremedos de músicos também. Mas deixa pra lá, vamos ao que interessa. The Real Thing, disco de 1989 (hellyeah é antigo), é simplesmente um clássico. Destaque para a híbrida faixa título, também para a genial “From Out Of Nowhere”, que me fez dar pulos de alegria em frente ao computador assistindo ao show semana passada, e para a canção mais conhecida da banda “Epic”. O próximo disco, Angel Dust, de 1992, trás diferenças significativas, com letras pesadas e bizarras e maior experimentação musical, muito embora, juntamente com seu antecessor, define muito bem a sonoridade da banda: baixo e teclados acentuados e levadas funkeadas. Destaque para as canções “Land of Sunshine”, “Caffeine” e “Everything’s Ruined”, as nada convencionais “Be Agressive” e “Crack Hitler” e as perfeitas “Midlife Crisis” e “A Small Victory”. Por último temos King for a Day… Fool for a Lifetime, de 1995. Neste disco a banda chega ao extremo da experimentação musical, com faixas que vão do heavy metal á bossa nova, passando pelo jazz-funk. Destaque para as pesadas “The Gentle Art of Making Enemies”, “Digging the Grave” e “What a Day” e para as experimentais “King for a Day” e “Just a Man”.

Chickenfoot – A banda é nova, novíssima, acaba de lançar seu primeiro disco. Seus integrantes no entanto são veteranos. A banda é na verdade um supergrupo formado por dois ex-integrantes do Van Halen, (Sammy Hagar, vocalista, e Michael Anthony, baixista), pelo baterista do Red Hot Chili Peppers, Chad Smith, e por um dos melhores guitarristas do mundo, Joe Satriani, que tem uma belíssima carreira como guitarrista solo (tendo tocado já até no Deep Purple), é um dos sujeitos mais influentes da música e já foi professor de guitarristas como Kirk Hammett do Metallica, Alex Skolnick do Testament e da divindade conhecida como Steve Vai. Eu sou fã do Satriani há muito tempo, e confesso que tinha sérias dúvidas a respeito dele tocar em uma banda como um guitarrista normal, ainda mais uma banda de hard rock. Mas deu certo, o disco é ótimo, uma verdadeira raridade em meio a tanta porcaria lançada ultimamente. De uma maneira geral o disco todo é muito bom, com canções como “Soap on a Rope”, “Sexy Little Thing” e “Runnin Out” comprovando a enorme competência dos músicos. Joe Satriani desfila sua técnica sempre com os pés no chão, sem exageros, como um bom guitarrista de hard tem que ser, Chad Smith prova que não é só o baterista do Red Hot mas sim um baterista diversificado, inteligente e versátil. Sammy Hagar rouba a cena em diversas passagens esbanjando técnica, carisma e seu timbre de voz, cultuado pelos fãs do Van Halen, e que é sua marca registrada. Outras canções muitíssimo interessantes são o single “Oh Yeah”, a ‘satrianizada’ “Get it Up”, as baladas “Learning to Fall” e “Future is the Past” e a melhor faixa do álbum “My Kinda Girl” com um refrão que lembra muito Van Halen.

Rush – A Farewell to Kings\Signals\Counterparts: Muito difícil falar da melhor banda do mundo aqui, mas como eu ouço direto, tenho que falar um pouco deles. Escolhi justamente os três discos que estou ouvindo com mais freqüência, mas isso não quer dizer necessariamente que são os melhores. Não há discos do Rush melhores ou piores, todos são magníficos. Bom, para quem não conhece, a banda foi formada em 1968, em Toronto no Canadá e tem um impressionante histórico de 19 discos gravados. Geddy Lee, vocalista, baixista e tecladista, e Alex Lifeson, guitarrista da banda são dois dos músicos mais cultuados por outros músicos como excepcionais instrumentistas, mas é o batera, Neil Peart, ou simplesmente “The Professor”, o baterista mais influente do rock na minha humilde opinião. Quem já escutou Rush sabe do que estou falando, e quem já escutou e toca bateria sabe muito bem do que estou falando. A Farewell to Kings, quinto disco da banda, pertence á fase considerada mais “progressiva” da banda. Chama a atenção o baixo meticulosamente bem gravado e definido, assim como pequenos indícios do que viria á seguir com relação ao uso de recursos eletrônicos. As canções “fortes” deste disco são a excelente faixa título, assim como o hit “Closer to the Heart” e a versátil “Cinderella Man”. Mas é em ‘Xanadu” e “Cygnus X-1”, que o bicho pega, a batatinha assa e a bicicletinha quebra. Nestas duas canções, Vossa Majestade, o Senhor Peart consolida dois capítulos importantes de seu vasto e rico legado de viradas, levadas, quebras de andamentos e uso de instrumentos de percussão. Próximo disco, Signals, de 1982, marca o começo da fase “teclado” da banda, com uso pesado e acentuado de sintetizadores. O disco começa com nada mais do que “Subdivisions”, uma das canções mais cultuadas pelos fãs da banda. Destaque também para a despretensiosa “The Analog Kid”, a dançante “Digital Man”, a bela ‘Losing It” e as fenomenais “The Weapon” e “New World Man”. O último disco que vou comentar aqui, Counterparts, de 1993, nos trás um Rush mais maduro e moderno, tendo sobrevivido bravamente aos anos oitenta, a era das trevas da música contemporânea. Destaque para a dançante “Animate”, a densa “Stick It Out” e para uma das canções mais bonitas que já ouvi, “Nobody’s Hero”, prova de que o rock progressivo não é só técnica, como dizem muitos cabeças ocas por ai. Para terminar, faz-se necessário destacar também a incrível dobradinha “Leave That Thing Alone” e “Cold Fire”.

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3 comentários

Filed under cultura

3 responses to “Vitrola Minha vitrola #2 por J R Tosco

  1. Shiniti

    The Mars Volta acompanhado de uma suntuosa Guinness é o que há! 😀

  2. Murilo, é o meu próprio designdor rigido, grands bost.@!

    A volta do faith no more é A nota musical do ano, só espero que dure, pelo menos mais um disco.

  3. Tosco o Contingente

    eh, mais um disco ia ser sensacional de bom!!!!!!!!!!!!!

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