Arriba, abajo, al centro, adentro por J R Tosco

!Hola! ?Qué tal? Bienvenidos cabrones!!! Vocês devem estar se perguntando: “Por que esse maluco está escrevendo nesse portunhol horrível?” Pois então, reparei que a nossa categoria “bom gosto” aqui do blog tem apenas um texto, do nosso sábio e oriental colaborador Shiniti e suas refinadas dicas de degustação de cervejas, e por isso resolvi postar uma receita culinária para enriquecer esta seção do blog. Pra quem não sabe, á algum tempo atrás eu sonhava em ir pro México. Sim, loucura eu sei, mas idealizei a coisa, uma visão meio romantizada, sei lá, tequila, deserto, assaltos a banco em Tijuana a lá velho oeste, Brujeria, e por ai vai. Depois percebi que não seria uma boa e tal. De qualquer forma, acho que isso me traumatizou um pouco, e dessa época de interesse pela cultura mexicana o que sobrou foi a admiração pelos comes e bebes calientes vindos de lá. Quando pensei em colocar uma receita aqui, o primeiro prato que me veio à mente foi uma clássica receita da cocina mexicana: Chili con carne (por isso as tentativas patéticas de escrever em espanhol, sacaram??? Hã???).

Então, esta receita é uma das mais versáteis que eu conheço, pois varia segundo a coragem do cozinheiro e alguns de seus ingredientes são facilmente substituíveis, como vocês poderão constatar daqui a pouco. Antes que alguém me ataque (o que não é nem um pouco prudente) dizendo que colocar receitas culinárias em blogs é coisa de dona de casa que não tem o que fazer, eu já rebato, obviamente atacando também, dizendo o seguinte: todo mundo tem que comer e se você depende de outras pessoas pra conseguir fazer isso, SHAME ON YOU, BASTARD!!! Vai criar vergonha na cara e aprender a cozinhar. Bom, mas chega de se prolongar, coloca um bom disco de hard rock (por quê? por que eu acho que combina e pronto), ou outro estilo de sua preferência, não esquece de uma boa bebidinha, tipo uma cervesa ou uma tequilita nervosa e vamos á receita:

Ingredientes

– 500g de carne picada – Bem, aqui vocês já vão perceber a versatilidade de que eu falei acima. O tipo da carne usada vai depender exclusivamente do gosto e do bolso do cozinheiro. Boas opções são o coxão mole, a alcatra, o filet mignon, ou mesmo a tradicional carne moída. Sinta-se a vontade para substituir ou até mesmo misturar os diferentes tipos de carne;

– 300 g de feijão cozido – Novamente, o tipo de feijão fica á seu critério. O certo é usar os feijões mexicanos mesmo, mas como são difíceis de achar (se você não tem um cunhado trabalhando como “importador” no México), dá pra se virar tranqüilo com os tipos de feijão encontrados aqui. Pessoalmente eu prefiro o feijão carioca, mais comum e que dá um visual legal ao prato, mas já comi com feijão preto e fica bacana também. Acredito que o feijão vermelho seja uma opção igualmente interessante;

– 200g de lingüiça calabresa – Este ingrediente não está originalmente nas receitas tradicionais de chili, mas eu incorporei porque acho que ajuda a realçar o sabor picante. Bacon também parece ser uma alternativa válida, enfim. Como eu disse anteriormente, é um prato versátil, logo, como quiera!!!;

– 1 lata de molho de tomate tradicional – Você pode substituir por umas 5 colheres bem servidas de extrato de tomate (vai que são mais de duas da manhã, você está sozinho em casa e lastimavelmente bêbado, sem a menor condição de ir ao supermercado. Acontece né?). É interessante também, como opção, colocar uns 2 ou 3 tomates sem pele e sem sementes cortados bem pequenos pois isso encorpa o molho, muito embora a receita funcione muito bem só com a lata de molho (e claro, se você estiver mesmo bêbado, é melhor nem tentar isso, tirar as sementes e a pele pode ser difícil demais para você e a chance de rolar chili com carne humana é muito alta);

– 100g de queijo mussarela – Pode ser o parmesão ralado também;

– 2 pimentões – 1 vermelho e 1 amarelo para o prato ficar bonito;

– 3 dentes de alho;

– 1 cebola média;

– 1 maço de cheiro verde;

sal e óleo de soja ou azeite de oliva – a gosto (odeio quem fica pondo medida dessas coisas. Apenas sinta a força, pequeno gafanhoto).
– pimenta – Ok, é esse ingrediente que faz com que separemos os moços das moças, os homens dos ratos e o joio do trigo. Aqui a receita exige um pouco de improvisação e habilidade (além do uso correto dos seus poderes jedi).  Mas muito cuidado, afinal “o caminho escuro pode ser”. Meu conselho é ser moderado. Existem diversas combinações (e efeitos) possíveis. O correto seria usar a jalapenõ, que é a pimenta própria para o prato, portanto se você tem essa pimenta em casa, ou vontade e disposição pra ir comprar, use esta. Pimentas comuns vão bem também, como malagueta, calabresa, dedo de moça e pimenta do reino, mas evite usar pimenta em pó e tente usar as pimentas frescas. Se quiser misturar também não há problema, mas claro, use o bom senso (na falta de poderes jedi). Minha sugestão é usar nesta receita 3 pimentas dedo de moça (ou 2 jalapenõ) e 2 colheres (de sopa) de pimenta calabresa seca. Mas é claro, você pode diminuir isso, ou corrigir durante a preparação. No caso de você achar pouco, tenho sugestões que inclusive podem definir o nome do prato, dando um toque de personalidade e autenticidade para a sua receita:

* coloque 5 pimentas dedo de moça e 3 colheres de pimenta calabresa seca, ai teremos o Chili Guevara – vermelho e causador de problemas ( e viva la revolucion, no seu estomago);

* 4 pimentas dedo de moça, 2 pimentas jalapenõ (ou pimenta bode) e 1 colher de calabresa seca, Chili do Sid – sabe a preguiça do desenho Era do Gelo? Então, você vai falar que nem ele por algumas horas;

* 4 pimentas dedo de moça, 2 pimentas jalapenõ (ou pimenta bode) e 2 colheres de pimenta do reino em pó, Chili Titanic – só vai dar gente chorando no final;

* 4 pimentas dedo de moça, 2 pimentas malaguetas e 2 colheres de pimenta calabresa seca, Chili à Putanesca – não não, nada a ver com o prato italiano, tem esse nome por que eu acredito que todos vão acabar cuspindo e praguejando “puta que pariu, puta que pariu!!!!!!!!!”;

* 4 pimentas dedo de moça, 3 malaguetas e 2 colheres de pimenta do reino em pó, temos o Chili Baba de Alien – quer comer? Coma, mas não deixe cair em nada;

* 3 pimentas malaguetas, 3 colheres de pimenta do reino em pó e 2 red savina, Chili Chuck Norris – letal para humanos;

* Chili No Me Recuerdo – esse é o chili do nosso amigo das duas da madruga, portanto, tanto faz, ele vai estar bêbado mesmo;

Como você pode ver, é uma questão de cojones, vai depender exclusivamente da valentia do amigo cozinheiro. Brincadeiras a parte, é sempre interessante utilizar de alguns expedientes para amenizar as coisas, como o famoso miolo de pão. O mais indicado é ter sempre em mãos algum derivado de leite, tipo leite mesmo ou sorvete, pois o leite possui uma substância que neutraliza a ação das pimentas;

– tortilhas de milho ou doritos – é complicado achar só as tortilhas pra vender, e dá muito trabalho pra fazer, por isso o doritos é uma boa opção por ser muito parecido. Este ingrediente não vai no prato principal, é um acompanhamento para a guarnição (não, não é pra por eles de guarda em lugar nenhum!!! Para de beber e brincar com a comida e vai dormir);

– nove laranjas – que eu acredito que em espanhol fique nueve naranjas;

Modo de Preparo

Em primeiro lugar é preciso cozinhar os feijões. Se já estiverem cozidos, pule o processo, mas o ideal é cozinhar especificamente para esta receita. Explico. Como os feijões vão fazer parte do molho principal, com a carne e os demais ingredientes, é sábio e prudente interromper o processo de cozimento antes do habitual para que depois eles não virem uma espécie de purê no molho. Não sei qual é a maneira preferida do leitor cozinhar feijões, deixando de molho e cozinhar normalmente ou na panela de pressão, mas é interessante que os grãos fiquem cozidos e firmes. Queremos os feijões no molho em grãos e não uma massa.

Ok, agora que os feijões estão no fogo, ou prontos, você vai picar os demais ingredientes (lembrando que é aqui que o nosso amigo da madrugada deve tomar cuidado). Bom, a carne e a lingüiça devem ser picadas em cubos não muito grandes, pimentões cortados em tiras finas, cebolas e tomates bem picados, assim como o alho, o cheiro verde e as pimentas. Separe um pouco da cebolinha crua e reserve. Próximo passo, escolha uma panela grande, frite bem o alho, a cebola, o pimentão e as pimentas com o sal no óleo (ou azeite). Quando a cebola dourar, acrescente a carne e a lingüiça e refogue por uns 10 minutos aproximadamente, mexendo sempre. Junte os feijões, o cheiro verde e o molho de tomate (e os tomates se você está usando) e acrescente aos demais ingredientes ( se você é o nosso amigo bêbado da madruga, desliga agora e vai dormir por que eu não quero que ninguém coloque fogo em casa). Deixe cozinhar por mais ou menos 1 hora em fogo baixo, misturando ocasionalmente pra não grudar no fundo e provando para corrigir o sal e os outros temperos (nada de largar a panela lá e ir jogar Guitar Hero, malandro). Coloque um pouco de água fervendo se achar que o molho está muito denso. Se bater o arrependimento, ou você descobrir que não é assim tão macho quando provar o molho e constatar que está muito forte, coloque cerveja no molho. É isso mesmo, além de ter todas as qualidades que a gente já conhece, a cerveja ainda tem mais este poder secreto, amenizar a ardência da pimenta. Desligue o fogo depois de 1 hora, coloque em uma vasilha para servir, jogue o queijo e a cebolinha crua por cima e está pronto.

Tradicionalmente serve-se este prato acompanhado de tortilhas de milho ou doritos, mas fica bem legal com arroz e uma salada de alface. Um acompanhamento bem interessante também é a guacamole, feita de abacate. Bebidas. Deixe muitas por perto. Se você não aprecia uma cerveja, muito suco e muita água para acompanhar. Por último gostaria de deixar claro que não me responsabilizo por qualquer dano físico (temporário ou permanente) causado pela receita.

E antes que alguém pense em me ofender, Ana Maria Braga é a sua mãe, palhaço!!!

Até a próxima,

!Fue un placer! !Hasta luego!

Obs1: eu sei que alguns notaram que eu coloquei laranjas na lista de ingredientes. Aquilo foi só pra demonstrar o meu domínio no idioma espanhol, mas elas podem ser úteis pra você fazer um suco, afinal, eu acho que você vai precisar.

Obs2: uma tática alternativa, de guerrilha mesmo, digamos, é saborear este prato da seguinte maneira: prepare o molho, arrume os acompanhamentos, tome tanta tequila quanto agüentar, esquente o molho (se conseguir) e coma.

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5 comentários

Filed under bom gosto

5 responses to “Arriba, abajo, al centro, adentro por J R Tosco

  1. Murilo, o pessouo pessonhento.

    Correção, o leite não é um derivado do leite, leite é derivado de comumente de vaca, dentre outros animais… rsrsrs
    Comer chili, ouvindo brujeria, tomando una tequllia o una cerveza; ai caramba! só nos falta una gripecita suina pra nosotros sermos mexicanos![portunhol mode on]

  2. Roberta

    A parte que eu mais gostei foi:
    “SHAME ON YOU, BASTARD!!! Vai criar vergonha na cara e aprender a cozinhar.”. As receita seu vou ler só quando eu foir fazer, tá comprida e eu sou preguiçosa o.O

  3. Tonho

    “uma tática alternativa, de guerrilha mesmo, digamos, é saborear este prato da seguinte maneira: prepare o molho, arrume os acompanhamentos, tome tanta tequila quanto agüentar, esquente o molho (se conseguir) e coma.”

    por “tática de guerrilha”, vc quis dizer “técnica de suicidio”… literalmente encontrar “El Diablo”!…

  4. Mãozinha, O Necessário.

    Ana Maria Tosco.
    Em vez de Loro José um Vic Rattlehead.

  5. Sheron

    VCs entregam um Chilli Baba de Alien aqui em Sampa????
    Saudadde de vcs piazada

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