Aqui não Azeredo, aqui não!!! Por J R Tosco

Faz algum tempo que leio diariamente as notícias relacionadas ao compartilhamento de arquivos na internet e de como a política e a indústria do “entretenimento” tem tratado esta questão extremamente delicada. Sou contra o termo “pirataria”, pura e simplesmente porque este termo não é cabível e muito menos justo. Antes de mais nada, eu gostaria de deixar clara a minha visão sobre o assunto: estamos falando de cultura, música, arte, conhecimento e não de mercadorias baratas, frutos deste estranho (e por vezes repugnante) mundinho capitalista onde o irrelevante é importante e o importante é irrelevante. Portanto, sim, vale tudo para que as pessoas tenham acesso á informação, cultura e conhecimento.
Pois bem, dito isto, o meu objetivo neste texto é expor rapidamente o que está acontecendo no Brasil e lá fora nos últimos meses no que diz respeito a tal “pirataria”. Para quem não sabe, tramita nos obscuros corredores e plenários da política LAMACENTA do nosso país uma lei contra “crimes virtuais”, o projeto de lei 89/03 (PLC 89/03) de autoria do senador Eduardo Azeredo do PSDB de Minas Gerais. Não vou me ater a explicar ponto por ponto desta lei interesseira, repressora e absurda (se o leitor tá completamente perdidão e não sabe de absolutamente nada, procura na internet que rapidamente você acha). Reconheço que alguns pontos são realmente bem vindos e necessários como as emendas que tratam do crime de pedofilia pela internet. Mas o resto é basicamente ridículo, repressor e inadmissível, como o artigo 22 que prevê que os provedores guardem os IPs (endereços que remetem diretamente ao seu computador) para denunciar qualquer atividade suspeita por parte do usuário. Alguns podem dizer “ah Tosco, mas aqui no Brasil, eles não vão fazer nada, é uma lei que vai ficar só no papel.” Aí eu digo: “NÃO, NÃO É ISSO QUE VAI ACONTECER, ACORDA PRA VIDA!!!”
Vamos então parar e refletir um pouco: porque o “distinto” senador Azeredo resolveu empreender esta cruzada contra o compartilhamento de arquivos na internet? Ora, como todo “bom” político brasileiro, este cidadão deve ter seus interesses, afinal, todos eles tem. E geralmente são interesses escusos e ilegais em sua maioria. É assim que a política brasileira funciona, e isso é fato. Ou você acha que o tal senador gosta de navegar na internet, comprar músicas no itunes e está se sentindo incomodado, violado ou ofendido com a atividade dos internautas que compartilham arquivos? O que eu acho? Acho que este camarada está defendendo interesses sim, interesses de grandes gravadoras e distribuidoras de filmes e seriados que estão aqui na terrinha da banana única e exclusivamente para levantar alguns trocados. É isso que eu acho. Sim, porque eu esqueci de mencionar ali em cima que a principal característica do político brasileiro é ser CORRUPTO. Você não concorda comigo? Acha que eu estou sendo preconceituoso? Acha que eles possuem os direitos autorais e por isso podem fazer as coisas que fazem para se defender dos maus piratas da internet? Ou então você acha que o artigo 22 foi mal escrito, coisa de gente desinformada e que não vai dar em nada ou que eles vão arrumar? Bem, eu não acho isso.
Não só não acho, como tenho certeza que não é nada disso. Estamos diante de possíveis restrições a inofensivos usuários da internet apenas para defender o “direito” de meia dúzia de executivos engravatados que tem como missão arrancar um por um dos nossos míseros tostões. O governo nem sabe o que é cultura. Pra eles incentivo a cultura é patrocinar a Globo Filmes e pronto. Meta goela a baixo os filmes da Xuxa e do Guel Arraes (que aliás é filho de político) e tudo vai ficar bem. Quem não quiser isso que pague 90 reais por um livro de fantasia britânico, 50 reais em um livro didático de filosofia, 80 reais por um cd importado ou 34 reais para levar a namorada ao cinema em uma bela tarde de sábado (isso sem a pipoca, que pode e vai tornar a sua tarde de sábado bem amarga depois dos 56 reais gastos no famigerado filminho com pipoca).
Para quem baixa arquivos de sites e blogs da internet, como discos, filmes e seriados, a sigla APCM já é bem conhecida. Associação Antipirataria de Cinema e Música (quer conhecer mais a respeito, mexa o traseiro fétido e googueia). Esta instituição está sendo responsável pela queda de vários sites de compartilhamento de arquivos. Como? Pessoas representando seus interesses entram nos sites e denunciam os links que encaminham aos arquivos, a associação então aciona judicialmente e denuncia aos provedores que são obrigados a retirar os arquivos. Agora sim temos pirataria, não é mesmo? Chega, encosta do lado e afunda o barco. E aí? Quem são os piratas agora? Viu porque eu considero o termo injusto quando estamos falando das pessoas que compartilham cultura?
Além disso, algumas notícias vindas de outras partes do mundo também vão me ajudar a mostrar para o leitor que o nosso amigo Azeredo e a APCM não estão pra brincadeira e que os desinformados somos nós. O julgamento do Pirate Bay (site de compartilhamento de arquivos através da tecnologia de BitTorrent), a condenação de Joel Tenenbaum, que vai ter que pagar 675 mil dólares por ter baixado 30 músicas da internet, o cerco se fechando em países como a Coréia do Sul, EUA, Holanda e Itália são só alguns exemplos.
Felizmente algumas pessoas estão se mobilizando contra isso. Exemplos como o do Partido Pirata da Suécia, que agora tem votos suficientes para colocar representantes no Parlamento Europeu e que rapidamente está ganhando afiliados lá e em muitos outros países (até aqui no Brasil) parecem indicar que o bom senso tem alguma chance ainda. Ocorreram diversas manifestações em capitais brasileiras contra o AI-5 digital do Senhor Azeredo. Mas é pouco ainda, é preciso fazer as autoridades democráticas (que supostamente deveriam trabalhar para a sociedade) repensarem a cultura. É preciso expulsar os lobbistas a pontapés e pedradas, mostrar pra essa gente que CULTURA NÃO É MERCADORIA. Se for preciso, temos que usar a tecnologia a nosso favor, e bater mesmo, como aconteceu em fevereiro deste ano quando em uma belíssima ação hackers atacaram o site da APCM redirecionando ao site da Mininova (outro site de armazenamento de torrents) depois que a associação tirou um site de legendas do ar.
Enfim, depois de tudo isso, a derradeira luz no fim do túnel veio na semana passada quando nosso excelentíssimo Presidente da Republica da Pizza de Banana, Luis Inácio Lula da Silva, esteve no Fórum Internacional do Software Livre, realizado em Porto Alegre e afirmou que o AI-5 Digital do Azeredo não vai pra frente. Bom, ele é (ou deveria ser) o mandatário dessa pocilga, por isso, vamos ver.
Enquanto isso, para terminar este texto, gostaria de citar as palavras de Peter Sunde, um dos cabeças do Pirate Bay, que esteve aqui no Brasil para o mesmo fórum:
“Se uma obra tem licenças, então ela tem restrições. Sou contra qualquer tipo de restrição. Todo mundo deveria ter o direito de baixar o quanto e o que quiser, seja para qualquer finalidade, comercial ou não. O público já decidiu que não deseja pagar nada pelo conteúdo.” O cara ainda completou: “ Não parem de copiar!!!”

Adicionar aos Favoritos BlogBlogs

Anúncios

6 comentários

Filed under cultura, opinião, tecnologia

6 responses to “Aqui não Azeredo, aqui não!!! Por J R Tosco

  1. Juliano...

    Muito bom o texto Tosco! Me rachei na parte do “excelentíssimo Presidente da Republica da Pizza de Banana”.
    Nâo sei se o projeto será ou não aprovado, se for, acho (na verdade espero) que não dura muito (isso se o STF não der uma de babaca, o que não é raro em assuntos que envolvem imprensa e mídia…)´já que, a meu ver, o art. 22 pode ser considerado inconstitucional. Até que ponto se pode permitir armazenar dados a respeito da pessoa sem a autorização desta? Fora a invasão de privacidade que isso provoca, a pessoa será monitorada sempre. Outro problema, tá, os dados só serão entregues mediante autorização judicial, o que garante que não haverá trafico de inforamções, ou que a própria imprensa e mídia não irão se utilizar, de forma ílicita, desses dados para promover de uma melhor maneira seus produtos. (o exemplo parece meio viajado, mas isso já acontece com interceptação telefonica, que é feita sem os mínimos cuidados para preservar o indivíduo). Outra coisa, para terminar agora, como esses dados serão usados no processo? Que tipo de prova irão constituir? Não lembro que inciso do art. 5º da CF diz que ninguém será obrigado a produzir prova contra si mesmo, tá, mas fui eu que produzi aqueles dados, que estavam em meu computador, e que foi invadido, e agora eles estão sendo usados contra mim…(vou fazer um texto sobre isso daí explico melhor)

    Bom, mas concordo contigo Tosco, cultura e conhecimento tem que ser propagados e não limitados

  2. Murilo, o Milek

    Então, faz quanto tempo ja que se baixa musica da net sem nenhuma restrição? Chutando baixo 10 anos, vai. Por acaso pararam de surgir bandas novas? As bandas velhas faliram e acabaram? por acaso o Roberto Carlos ou o Metallica começaram a “pagar para trabalhar”? Não, não e não! Cada vez mais e mais bandas surgem (tudo bem que a maioria delas é uma bosta).Além do mais, muitas bandas com obras prontas e acabadas estão voltando, por que? Porque elas não vendem mais cds. Artista tem que ganhar dinheiro com o show, é no show que ele mostra sua arte de verdade, é pela arte que a gente tem prazer em pagar. Portanto a música sobrevive sem venda de cds (aliás, cd é material de divulgação, não arte)
    Agora a pergunta que me resta é como o cinema sobreviverá a época de downloads desenfreados? O show de quem faz cinema se dá na “Telona” e a enorme maioria das pessoas que baixam ou compram dvds antes dos filmes sairem no cinema não vão ver outro filme ou o mesmo depois no cinema. O mesmo vale para os livros.

    • Tosco Guevara

      Murilo meu querido, negocio é o seguinte, concordo com vc, mas esse é um problema deles!!!!!!!!!!!! da industria do cinema e das editoras!!!!!!! agora, eu acho que se eles não querem que o compartilhamento acabe com o negocio deles, diminuam a margem de lucro. Isso só pra começar!!! Quem tem que se adaptar são eles, tem que entrar na dança, e quem dita o ritmo somos nós!!!!!!!!!!! Nunca o contrario!!!!!!!!!! Muito menos com medidas repressivas e atos obscuros executados na calada da noite!!!!!!!!

  3. Murilo

    Mas será que a margem de lucro é grande? Ainda mais no caso dos que estão começando? vai saber neh?!… eu continuarei baixando só musicas, filmes velhos ou muito ‘lado b”…

  4. samael

    se o preço do cd original ou filme fosse acessivel para nos trabalhador eu jamais abaixaria pois eu sei como uma banda sofre para lançar um album no mercado ,mas tem outro lado a net se popularizou de tal maneira que muitas bandas sairam do anonimato e tiveram um lugar no sol isso vai dar muita discussao ainda , enquanto eles nao resolvem vou continuar abaixando musica…….BITORRENTZ é meu pastor e nada me faltara,,,kskskskk

  5. Murilo, o pessouo pessonhento.

    Quem merecia um lugar NO sol era o NX0, e similares, para ver se pegavam fogo essas ‘praga’…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s