As Crônicas de Arthur de Bernard Cornwell por J R Tosco

Aqueles que leram o primeiro texto que eu escrevi aqui para o blog (Talento desperdiçado) vão lembrar do meu comentário de que eu gostaria muito de ver a trilogia As Crônicas de Arthur do autor Bernard Cornwell no cinema . Pois bem, novamente imbuído do intuito de diversificar os conteúdos do blog, resolvi acrescentar aqui uma crítica literária despretensiosa e superficial desta saga, que, na minha opinião, constitui a melhor obra já escrita sobre Arthur e seus cavaleiros. Aconselho deverás a leitura desta magnífica saga, e ainda acho que sim, eu deveria dirigir isso no cinema, ganhar muito dinheiro e deixar os fãs felizes, afinal de contas, quem não quer ficar milionário e se divertir muito ainda por cima? Mas enfim, enquanto isso não acontece, vamos á obra.
Bernard Cornwell dividiu sua estória em três livros: O Rei do Inverno, O Inimigo de Deus e Excalibur. Assim como outras obras do autor, esses livros fazem parte de um gênero literário chamado de ficção histórica (historical fiction). Para quem não sabe, este gênero literário mistura eventos e personagens significativos historicamente com elementos fictícios criando assim perspectivas diferentes das encontradas nos livros de historia. É exatamente o que Cornwell faz ao narrar a estória do mítico Rei Arthur inserida em uma Grã Bretanha do século IV, devidamente bárbara e muito mais provável do que a das estórias romantizadas medievais. Baseado em suposições levantadas a partir de descobertas recentes sobre a existência de Arthur e outros personagens lendários do ciclo arturiano e se utilizando de sacadas geniais, o autor constrói um cenário rico em detalhes e embasado em muita consultoria histórica.
A começar pelo fato de que Arthur aqui não é rei, mas sim o filho bastardo de Uther Pendragon, e que apenas precisa manter o juramento feito em nome de seu meio irmão, Mordred, o herdeiro por direito que no começo da estória é apenas um infante e não pode governar. Além disso, personagens como Merlin, Lancelot e Guinevere são mostrados pelo autor de uma maneira ao mesmo tempo criativa, inusitada e ás vezes até surpreendente.
Os livros são narrados em primeira pessoa por um personagem semi fictício chamado Derfel, um prisioneiro de guerra saxão que foi adotado por Merlin ainda criança e que acaba se tornando tão importante na trama quanto os personagens mais conhecidos. Diferente de Marion Zimmer Bradley em sua saga As brumas de Avalon, Cornwell insere tanta violência e brutalidade quanto possível, mas mantém o conflito entre os velhos mitos pagãos e a nova religião, o cristianismo. Este é um dos pontos altos da saga, todo o enfoque do segundo livro, por exemplo, é no personagem de Merlin e sua tentativa de revitalizar as tradições pagãs e a religião druida empreendendo uma busca que tem como objetivo reunir os objetos sagrados druidas. Aqui, Cornwell concorda com as Brumas de Zimmer Bradley, pois o tema do conflito entre as duas religiões permeia a obra desde o primeiro capítulo do primeiro livro até o surpreendente desfecho, a batalha do Monte Badon (Mynyd Baddon).
Outro ponto alto fica por conta da minúcia de Cornwell ao retratar as batalhas. Os trechos onde ele descreve a principal forma de se fazer guerra na época, a parede de escudos (herança das legiões romanas), te deixa arrepiado e com uma imensa vontade de estar lá, fora que é quase impossível largar o livro até que se dê o clímax dos conflitos. Os hábitos bárbaros dos combatentes, como as provocações antes dos conflitos, fazem o leitor pensar nos garbosos cavaleiros da távola redonda como um bando de posers covardes e desprezíveis. Aliás, Lancelot é exatamente isso na saga, um poser desprezível. Como eu falei ali em cima, inusitado e surpreendente. Além de genial. A pintura feita pelo autor de Arthur como um autêntico warlord é reforçada por uma releitura da sua famosa cavalaria, um instrumento de guerra que assombra a vida de seus inimigos e mete medo até mesmo em nós leitores.
Imperdível leitura, assim como as outras sagas de ficção histórica escritas por Cornwell, a trilogia A Busca do Graal e a mais recente série As Crônicas Saxônicas. Vou terminando por aqui, pois não vejo como escrever mais a respeito destes livros sem revelar algo que comprometa uma posterior leitura.
Hasta la vista e até uma próxima.

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2 comentários

Filed under cultura

2 responses to “As Crônicas de Arthur de Bernard Cornwell por J R Tosco

  1. Murilo

    Falou tudo Nay!

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