Mentira. Por Murilo!

Qual a melhor maneira de se contar uma grande mentira? Qual seria a diferença entre uma mentira absoluta e uma mentira perfeita? O modo mais fácil de se responder a uma pergunta é primeiro admitir que não há resposta certa, e sim resposta boa ou melhor. E é admitindo esse preceito no mínimo malandro que responderei da melhor forma possível essas perguntas.
Tentarei responder de uma só vez as perguntas de modo que fique a cargo de quem lê saber qual parte do texto é referente a determinada pergunta, caso não fique explícito.
Resposta: Homeopaticamente, em outras palavras, em pequenas partes e durante um longo tempo; e para que a armação seja melhor ainda é preferível sempre que possível que cada parte seja contada por uma pessoa diferente, e é imprescindível também que cada pessoa não saiba que está mentindo, cada títere tem deve acreditar no que diz com uma fé religiosa a ponto de defender o engodo como uma mãe defende um filho. Mas é claro que para ser uma mentira alguém tem que saber que é, caso contrário seria no máximo um grande engano coletivo, e esse alguém é o admirável cabeça do teatro. Digo admirável sem nenhuma concordância moral com o ato de mentir, só assim o considero porque é necessário ter uma habilidade extraordinária para não transformar essa mentira perfeita numa absoluta, isso é, acabar com o último elemento que a mantém mentira, ele mesmo, o cabeça sapiente da armação. Esse é um limite muito tênue, para montar toda uma grande mentira é preciso repeti-la várias e várias vezes, e todos nós, os que nasceram de 1945 para cá, sabemos o que acontece quando se faz isso. Quando se vê de fora e com a patacoada resolvida fica fácil saber quem era o cabeça da mentira, é sempre o sujeito que sai ganhando com a estória, os demais são inocentes úteis. O cabeça de uma grande mentira precisa sempre de muita discrição e uma dose de uma capacidade fora do normal para modelar a realidade, a moral e a justiça de um jeito que a sua mentira não agrida ele mesmo, ele tem que transformar a mentira em um meio para se fazer algo bom, ele deve se convencer de alguma forma que há algo de nobre no que esta fazendo e colocar isso como seu guia nesse passeio sobre a inocência alheia; ele deve se agarrar a qualquer galho que pareça bondade nessa floresta de enganação, e adorna-lo, floreá-lo e frutifica-lo de algum jeito para que toda a atenção da floresta seja voltada para esse galho, esse galho por um lado deve ser muito bonito e seus frutos os mais saborosos, para agradar os sentidos dos mais sensíveis, e por outro lado deves ser o mais produtivo da arvore mais produtiva da floresta, seus frutos os mais nutritivos, a fim de agradar os que se seduzem, de maneira estranha é verdade, pela utilidade e funcionalidade. É verdade que, empobrecendo a metáfora com um pouco mais de realidade, esse galho não precisaria ser visto por todos, pois a maioria do senso comum sofre de C. P. I (cegueira posterior por ignorância), assim o galho precisaria ser assim somente para o caso de que alguém fuja a regra e perceba, ainda que com uma confusão intuitiva, o que realmente acontece. Esse galho só serve de apoio para quem sabe da mentira. A aceitação desse galho como o melhor da floresta, como a razão de ser da floresta, tem no fundo a idéia de aumentar a aceitação e a distorção moral necessária para o cabeça da mentira não se “desvirtuar” no seu caminho, pois esse auto convencimento é o combustível para o funcionamento de todo o esquema, o mentiroso tem que idealizar uma nova floresta que viva em função do galho. Aliás, capacidade de idealização é um dos predicados básicos de um bom mentiroso. Mas deve-se sempre ter o cuidado para que não se passe da mentira perfeita para absoluta, isso é, tem que se ter sempre a cautela para não se passar do convencimento da mentira para ser a mentira.

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1 Comentário

Filed under cultura

One response to “Mentira. Por Murilo!

  1. tosconésio

    hellyeah!!!!!!!!!!!

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