Uma Coisa é uma Cosias, Outra Coisa é Outra Coisa… por Murilo…

Preconceito é uma bosta, é idiotice, é crime, e acima de tudo inútil à vida. Inútil e até ofensivo à ela, pois quanto mais se eliminam diferenças ao invés de considera-las e assumi-las mais difícil fica o ato de criar – pois se diminui o numero de elementos com os quais se pode trabalhar –, e mais fácil se torna o ato de se auto-destruir; exemplo, existem raças diferentes entre animais de mesma espécie, e existem doenças que causam mais mal a uma raça do que a outra, assim, para se curar o mal de uma, comumente se busca o que faz a outra resistente e se aplica o descoberto em forma de remédio à doente, portanto, quando existe uma única raça, é muito mais fácil de destruí-la, pois um mal que lhes é fatal não encontra resistência em nenhum indivíduo; isso vale para nós humanos e por si só é suficiente para acabar com a idéia de superioridade racial. Mas existem ainda outros milhões de argumentos melhores do que esse; e acima dos argumentos, os fatos. Além disso, preconceito é idiotice, como dito, porque para se formar um conceito de qualquer coisa, é preciso conhecimento total do objeto em questão, em seguida identificar os elementos universais, isso é, que valem para todo grupo dos mesmo objetos, e reuni-los num só ideal. Pois bem, se não é exatamente isso, de qualquer forma, para se conceituar algo é necessário muito esforço de pensamento e reflexão, logo, o estágio do pré-conceito é feito sem isso, e portanto, é o estágio da ignorância do objeto, e tomar atitudes baseadas em ignorância é idiotice.

Assim, eu defendo que devemos refletir sobre as coisas, entende-las e conhece-las antes de emitir julgamentos. Mas… e sempre tem  um ‘mas’… Ter “a cabeça aberta” não significa não possuir filtro nela, não significa ter que aceitar que qualquer porcaria tem o direito de existir, até porque aquilo que te ofende ajuda a te destruir e aceitar o que te destrói também é idiotice, portanto àquilo que te ofende merece ser combatido; exemplo, eu – como “um thrash desalmado fã de Death”, e ainda, de formação musical rústica mais de bom gosto, que sempre dei valor àquilo que tem identidade forte e que é feito sem frescura -, não sou obrigado a aceitar que o “Emo”, estilo “musical-cultural”* que ilude um monte de crianças por esse mundo a fora, mereça existir, pois ele ofende tudo aquilo que acredito e professo, portanto considero sim o “Emo”, e qualquer gênero de coisa fresca e sem identidade, uma grande merda e que merece morrer à mingua**.

Para concluir gostaria de dar uma de filósofo e acrescentar que não se deve confundir ofensa com medo, pois a ofensa tem origem externa ao sujeito e só pode se realizar plenamente com a destruição daquilo que ele acredita ser o certo; já o medo tem uma origem interna ao sujeito, esse sentimento reside e é fruto na e da sua fraqueza, é um sentimento de “pequenez” perante algo; a maioria dos preconceitos têm origem no medo, o que impede de conhecer algo de maneira verdadeira; logo, ideologias baseadas em preconceitos raciais têm origens nos sentimentos de pequenez  e de fraqueza de seus membros perante a outra raça.

Obs.: Posso ter confundido raça com espécie, ou espécie com raça, mas isso é um detalhe para os biólogos, a argumentação pode ser entendida do mesmo modo sem prejuízos.

*Se é que se pode dizer que aquilo que eles fazem é musica, ou que eles podem constituir uma coisa tão complexa como uma cultura.

**O que me consola é que, apesar de minha pouca experiência de vida, já vivi o suficiente para saber que essas modinhas não passam disso, modinhas; que são efêmeras, e que o castigo aos que aderem à elas é a vergonha que vão levar para o resto da vida por terem participado disso.

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4 comentários

Filed under bom gosto, cultura, opinião

4 responses to “Uma Coisa é uma Cosias, Outra Coisa é Outra Coisa… por Murilo…

  1. Rowe

    Bom, se você prensa tudo isso, quer dizer que você nunca mais vai julgar os filmes que assisto e as músicas que ouço??? UFA! Sem mais discussões a toa?? Isso é uma benção! Ah, no carro da minha mãe a Sheron só anda no banco da frente, tá?! =P

  2. Murilo des-

    Se os filmes que vc vê e as musicas que vc ouve podem ser incluídas no segundo parágrafo do texto, sim, julgarei, e sim, como sempre, serei implacável…

    Agora o que tem a ver com o texto, e com o blog, o banco em que minha namorada SENTA no carro de sua mãe?

    Discusões quase nunca são a toa, brigas quase sempre. Se vc falasse mau do Death, p.e, eu discutiria pra sempre com vc para tentar mostrar que vc esta errada, mas jamais brigaria com vc por isso… entende a diferença???? P.e, o tosco, meu comparsa de blog e um dos grandes amigos que eu tenho é fã de Dream Theater, eu acho o Theater uma das bandas mais chatas e massantes da história, nós até discutimos por causa disso, mas jamais seriamos burros o suficiente para brigar por isso!

  3. Rowe

    Bom, eu só acho que quando vamos discutir algo como preconceito, devemos sempre ter em mente que não pode haver incoerência, nem imparcialidade! Ter somente preconceito contra o que não gosta não é uma forma inteligente de ter preconceito, porque preconceito é sempre idiotice. E se todos fossem iguais o mundo seria um tédio, não é mesmo!? Há quem ache que um cabelinho EMO é o ‘must’, há quem pense que um terno é a coisa mais ‘phyna’ do mundo e existem as Rowezinhas que saem de tênis todo dia e não se sentem menos femininas por causa disso… Eu nunca falaria que estou livre do preconceito pois sempre solto umas pérolas horríveis de ruborizar instantaneamente!! Muitas pessoas defendem o preconceito como livre arbitrio, e eu vejo até um fundo de razão nisso, pois ninguém é obrigado a gostar de tudo! Mas as pessoas deveriam ser obrigadas a serem menos hipócritas e mais respeitosas!! Perfeito, livre de qualquer defeito ou idiotice ninguém é! Nem eu, nem você, nem nossas santas mãezinhas! Bom gosto é algo muito pessoal! Pensamentos e idéias também! Já diziam nossos professores de Filosofia da escola: “sua liberdadade acaba quando começa a minha”. Beijos, galere!

  4. Murilo des-

    Concordo com tudo que vc disse atá a parte da “incoerência” e da “imparcialidade”!

    agora, como diria o estripador, vamos por partes… “preconceito contra o que não gosta” é uma completa incoerência, pois ‘dizer que não gosta’ é emitir juízo, o que só (deveria) ser feito após conhecer o objeto do julgamento, e após conhecer não é mais pré-conceito é conceito; a maioria das pessoas que assumem certos preconceitos ou se baseiam em argumentos furados ou asumem que “não sabem por que o sentem, só sentem”; o que é muito coerente visto que só por ignorância pode-se ser preconceituoso.

    “E se todos fossem iguais o mundo seria um tédio, não é mesmo!?” não só seria um tédio como não duraria muito, biologicamente falando ( e ai vc Roberta tem muito mais autoridade pra falar que eu) se todos fossem exatamente iguais uma doença que fosse fatal para um indivíduo seria fatal para todos; politicamente falando, se todos se tornassem iguais e a ordem de eliminação de diferenças fosse lei, em algum momento alguns se tornariam “mais iguais que os outros” e a eliminação de diferenças marcharia para umas aniquilação do todo. Mas a crítica aqui feita ao ideal de cabeça aberta, é que ele permite a dissiminação de coisas completamente vazias de conteúdo de todo o tipo, isso é, tanto a intolerância é uma merda como a completa tolerância também; usando um exemplo gastronômico pra ficar mais fácil: se vc não come as coisas por que elas simplesmente se apresentam com um aspécto ruim pra vc, vc nunca vai comer ostra, ou caviar ou escargot, etc…, agora se vc comer tudo que aparecer pela frente vc vai comer craca, ovo de bagre, e caracol de jardim, e provavelmente vai morrer depois, certo? é mais ou menos o que acontece com uma cultura que aceita tudo o que produtorezinhos de merda inventam, como emo, as boy bands, como o tcham, a lambada, o metal farofa, etc…

    “Há quem ache que um cabelinho EMO é o ‘must’, há quem pense que um terno é a coisa mais ‘phyna’ do mundo”, claro que essas pessoas existem, o problema é quando isso(o cabelinho emo e o terno) se tornam a coisa mais importante pra elas…

    “saem de tênis todo dia e não se sentem menos femininas por causa disso”, so se sentiriam menos femininas aquelas que achassem que a feminilidade da mulher esta na roupa e na maquiagem que ela usa, o que graças a jagah, não é seu caso nem da Sheron e nem de nenhuma das mulheres mais próximas a mim; o tenis, o jeens e a camiseta que vc e eu usamos só mostra que somos da mesma cultura de massas, nada mais!

    “Muitas pessoas defendem o preconceito como livre arbitrio, e eu vejo até um fundo de razão nisso, pois ninguém é obrigado a gostar de tudo! Mas as pessoas deveriam ser obrigadas a serem menos hipócritas e mais respeitosas!!”… essa parte é um esforço, lovável porém inútil, de tentar ser imparcial, a “razão” que há “nisso” foi o que levou o povo alemão a fazer o que fizeram no século passado, o que levou o pessoal do mercantilismo a fazer o que fez com os africanos, a igreja católica com as mulheres e com os índios na época da inquisição, etc.
    E quer esforço mais anti-hipócrita e respeitoso com o próximo do que tentar mostrar pra ele que o que eles está cultuando e cultivando é uma grande idiotisse, seja ele nazista ou emo? Ele não precisa virar metaleiro que nem eu, é só ele deixar de ser, pregar e defender uma cultura fútil, fraca e sem identidade, que mais atrapalha do que ajuda.

    “Bom gosto é algo muito pessoal!” sim, mas ser indiferente com o que esta se fazendo com a cultura é alienação. “Pensamentos e idéias também( são pessoais)!” A filosofia do ‘guarde seu pensamento pra vc’, ja que ele é pessoal, é muito apreciada por governos facistas e ditatoriais, até porque expressar o que vc pensa não é muito bem visto por quem tem um medo terrível de qualquer senso crítico, e isso vai alem de governos ignorantes desse tipo para cultura igalmente ignorantes do tipo da nossa (dominante).

    “Já diziam nossos professores de Filosofia da escola: “sua liberdadade acaba quando começa a minha”.”, o legal é que a grande maioria dos professores de flosofia das escolas do Brasil não são nem formados em filosofia, isso ja é um sintoma bem bacana da situação da nossa educação, mas mesmo assim de fato o que essa frase diz não é mentira, ela só foi mal interpretada, isso é, se eu, cidadão que tenta não se deixar alienar, que tenta melhorar o país que vive, aceito que uma tentativa de cultura que é fraca, sem identidade e fútil deva existir e que merece seu espaço, não estou tendo a minha liberdade de tentar mudar esse país cerceada?

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