Imparcialidade 2, um exemplo… Por Murilo

Na verdade esse texto é menos um texto para demonstrar uma idéia do que uma grande e gorda pergunta sobre linguagem e intenção.

Recentemente, num continente distante chamado América Latrina, um fato inédito para tal lugar afastado do mundo civilizado, chamou atenção do mundo todo: um sujeito lá, apoiado pelas forças armadas locais, ascendeu ao poder derrubando o então presidente de intenções socialistas, com a acusação de anti-democracia e corrupção. A partir desse momento a imprensa nossa de cada dia começou a noticiar: “Golpe militar em Honduras”… “Golpe militar na América Latrina”… “Golpe militar nas Américas”… “Golpe militar”… “Golpe”… “Golpe”… etc… Num primeiro momento, logo depois de ouvir o então novo manda-chuva do país, na imediateza da coisa, no ainda sensacional do fato, o então novo governo hondureño recebeu da nossa gracinha de imprensa o título de  “governo golpista.”: “O governo golpista de Micheletti isso…”; “O governo golpista de Micheletti aquilo…”; “O governo golpista de Honduras declarou que…”; “O governo golpista.”… “O governo golpista”… etc… Ainda nesse primeiro momento, não foram uma nem duas declarações de figurões do tipo de Alexandre Garcia e cia. Dizendo coisas do tipo: “Meu Deus, a América esta retrocedendo, os tempos da repressão estão voltando, o Mal anda sobre a terra novamente! Oh! E agora, quem poderá nos defender?” Pois bem, é até compreensível essa atitude, visto a história da relação entre imprensa e ditadura aqui em terras tupiniquins, onde ou você era contra e morria, ou você era a favor e era execrado pelo povo, ou você fingia que era contra mas não era e trabalhava na Rede Globo de Comunicações.

Então, alguém que baseia seus juízos políticos na informação que recebe da nossa imprensa imparcial, deveria pensar o seguinte : “Poxa, seria bom se alguém ajudasse os hondureños né?! Nossa, golpe, ditadura, repressão, ui, ninguém merece!”. Seria um pensamento natural para tal ser.

Mas aí começou uma segunda fase na pseudo-querela. E essa segunda fase começa com o apoio do governo brasileiro ao presidente deposto Manuel Zelaya. O governo do nosso amigo Doryteuthis plei (Lula) defensor da “ordem democrática  Teuthoidea” e da “crasse trabaiadora Cephalopoda”   pelo mundo, abriu as portas da embaixada brasileira em Honduras para o então exilado Zelaya, a fim de manter o presidente eleito em seu país para uma possível negociação para a resolução da crise.

Nesse  momento o vocabulário da imprensa brasileira misteriosamente mudou. O governo de Michaletti deixou de ser “golpista” e passou a ser “interino”. Os militares deixaram de ser golpistas e passaram a ser “apoiadores do governo interino”. O Presidente eleito que foi “deposto” e “exilado”, deixar de ser assim para ser agora o presidente “afastado” de Honduras. O “retrocesso da América”, a “repressão”, “ o mal sobre a terra”, viraram “crise interna em Honduras”. E a atitude do governo do nosso simpático Lula, vira atitude do Lula (não quero o eximir de responsabilidade, ele é o chefe, ele que responda pelos chefiados), mas passou-se a tratar do assunto como se todos os esforços do governo brasileiro tivessem se voltado para Honduras, como se o próprio Lula estivesse lá negociando.

Então, aquele mesmo ser que baseia seus juízos políticos na informação que recebe da nossa imprensa imparcial, passa a pensar assim: “Hã! Que tipo do Lula, vai ser meter lá na crise interna de Honduras, ele não tem coisa mais importante para resolver aqui heim?! Os hondureños são problema dos hondureños! Cara, por isso que eu vou votar no Serra” É, é um pensamento natural para um tal ser.

Longe de mim querer fazer propaganda para o PT, ele é sim uma merda. Mas as grandes perguntas que ficam são: Por que as palavras mudaram para se referirem ao mesmos fenômenos? Isso ter acontecido depois do apoio brasileiro é mera coincidência? Qual a intenção da imprensa com essa mudança de significação?

Enfim, cada vez mais se acredita na tal imparcialidade da imprensa, e cada vez mais fica fácil de se esconder a sua parcialidade, não porque ela fique menos gritante,  mas sim porque os que escutam ficam mais surdos.

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4 comentários

Filed under opinião

4 responses to “Imparcialidade 2, um exemplo… Por Murilo

  1. Shiniti

    O mesmo público “crítico” que quer a paz no mundo, desde que não mexam no bolso deles.

  2. tosco

    eh por isso q a primeira atitude de um governo ditador eh calar a imprensa!!!!! infelizmente imparcialidade é algo que só o dicionário leva a sério!!!!!!!!!!!

  3. Nietotchka

    Só uma palavra: tendenciosos.

  4. Murilo des-

    SIM! Todo mundo é! Não tem como não ser! A merda é ficar proferindo que não é quando é! O que eu proponho é sempre a mesma coisa de sempre “jogar limpo”, sem frescura, sem histórinha, sem maquiagem, que é o que a idéia vendida pelos meios de comunicação é, maquiagem, véu, ilusão!

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