A Fita Branca e a Parábola da maldade humana… Por Andy…

Falando-se em um filme de Michael Haneke, não se pode esperar nada além de um bom drama, com uma profunda base de psicologia.

O narrador da história é um professor que vive numa província de poucos moradores, ao norte da Alemanha, onde diversas e misteriosas tragédias passam a acontecer. A primeira delas, um médico que andava a cavalo se acidenta devido a um cabo de metal preso a duas árvores próximas a sua residência. O acontecido assusta os moradores do vilarejo, que a partir daí passam a presenciar muitas outras violentas situações.

“A Fita branca”, título do filme, se refere a um símbolo utilizado pelo pastor local na educação de seus filhos, que sofrem com violentos e injustos castigos. A fita, segundo o próprio pastor era utilizada como sinal de punição a algum ato natural feito pelos infantes, ela simboliza a pureza da infância e será utilizada até que o religioso volte a confiar em seus filhos. E é exatamente aí que entra a crítica de Haneke, a cruel e rígida educação alemã da época criou uma espécie de “doença social” que pode, segundo o autor, ter culminado no Nazismo. As crianças parecem ser vistas como pequenos adultos e são criadas em um ambiente de extrema violência cotidiana, que passa a se refletir nos acontecimentos da cidade. A instrução a partir da punição e não do perdão instiga um senso de maldade nos jovens, cujas suspeitas de envolvimento passam a ser levantadas pelo próprio espectador no decorrer da história.

A ótima escolha dos atores, principalmente os mirins, complica muito a vida do espectador, já que das crianças não se consegue captar uma expressão sequer, seja de felicidade, de mágoa ou de ódio, principalmente de ódio. O que é uma sacada genial do autor porque simboliza a indiferença da futura sociedade alemã nazista à crueldade extrema do regime.

A Fita Branca concorreu ao Oscar 2010 na categoria de “Melhor filme estrangeiro”, não venceu, mas merecia, merecia inclusive mais indicações, é um excelente filme e merece ser visto, revisto e visto de novo dada a complexidade dos temas tratados e da qualidade da direção. Vale à pena.

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Filed under bom gosto, cultura

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