Pós ou Hiper: Qual o Pior Fim Para a Modernidade? Por Luiz Silva e Silva, direto do muuuuuuuuuundo da Luaa!

Alguns intelectuais gostam de apontar que os nossos tempos são a chamada “Pós-Modernidade”, afirmando que os objetivos ou mesmo as premissas da Modernidade, ou seja, a Igualdade e a Fraternidade entre as pessoas e a Liberdade para as mesmas atingiu o seu estado máximo, e que a partir de agora, devemos nos conformar com esta situação. Afirmo de antemão que não concordo, pois esta visão me parece muito conformista,  já que aponta para uma impossibilidade de arrumar a situação, e defende o rearranjo somente. É fácil para países de primeiro mundo pensar assim, mas não creio que seja a melhor saída para o restante do mundo.

Porém, a coisa piora. Agora surgem alguns outros intelectuais e afirmam que não estamos na Pós-Modernidade, mas sim na Hipermodernidade. Parece ser só uma mudança de nome, mas esta alteração é bem mais profunda. O surgimento da Pós-Modernidade aponta para uma quebra de paradigmas, dado que aqueles preceitos da Revolução Francesa tinham como suporte a capacidade humana de compreender e controlar tudo o que a cerca, encarnado na Ciência. Ou seja, o termo Ciência diz exatamente o que pretendia, a saber, a humanidade obter ciência sobre as coisas mundanas e ter ciência sobre si mesma. Com isso, o ser humano passa a buscar compreender tudo o que compõe o mundo, incluindo o próprio ser humano. Só que, com a aceitação do limite dessa busca por conhecimento, o que se aceita também é a limitação da capacidade humana em realizar esta compreensão, ou seja, chegamos ao limite do nosso conhecimento sobre tudo o que nos cerca e sobre nós mesmos. Passamos a valorizar mais a técnica do que a ciência, ou seja, passamos a nos importar mais com o “como fazer”, e não mais com o “por que fazer”.

Retomando a idéia original, a diferença entre a Pós-Modernidade e a Hipermodernidade é que uma aponta uma quebra do paradigma da ciência, a outra aponta estas mudanças como decorrências “naturais” deste mesmo paradigma. A Pós-Modernidade afirma que algo promoveu esta mudança de pensamento, de valorização da técnica em detrimento da ciência. Com isso ocorre a hipervalorização de conhecimentos técnicos em todos os aspectos da sociedade, inclusive na Política. Temos vários exemplos de Políticos eleitos por suas capacidades técnicas, e não pelas suas propostas políticas.

Já a Hipermodernidade faz algo pior, em minha opinião. Ela aponta que essa mudança nunca ocorreu, mas que é apenas a decorrência “normal”, “natural” da Modernidade. Ou seja, ela afirma que a Ciência atingiu o seu ápice, que a Humanidade conhece, agora, tudo o que poderia conhecer, e que agora passamos à fase de agir sobre este conhecimento apenas, sem nem refletir sobre as conseqüências destas ações. Um exemplo disso é o surgimento das novas tecnologias de (re)produção humana, como a clonagem. Antes de se pensar se seria eticamente correto, se seria moralmente aceito, pensou-se numa técnica para isso, ou seja, privilegiou-se o “como fazer”, e não o “devemos fazer”.

Ou seja, a diferença entre Pós-Modernidade e a Hipermodernidade é que a primeira aponta uma quebra de paradigmas, ou seja, o paradigma da Ciência teria sido quebrado e substituído pelo da técnica. Já a segunda naturaliza esta mesma mudança, aponta como sendo o rumo “natural” e, portanto, que o conhecimento humano chegou a seu ápice. As mudanças, ainda que presumidas, que vêm ocorrendo na sociedade não representam, necessariamente, o fim da Modernidade, mas sim uma pequena perda de foco, mas sem a perda da sua essência, ou seja, a curiosidade e a busca do conhecimento antes de tudo.

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1 Comentário

Filed under cultura, Filosofia de Butéco (Botéco), opinião, tecnologia

One response to “Pós ou Hiper: Qual o Pior Fim Para a Modernidade? Por Luiz Silva e Silva, direto do muuuuuuuuuundo da Luaa!

  1. Tosco o questionador

    Parabens pelo texto, gostei mesmo!!!!!!!!!!!!!!!!!
    E seja bem vindo Luiz!!!!!!!!!!!!!

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