Imparcialidade 3 – A missão … por Milek Stallone…

A questão da imparcialidade me perturba já faz um certo tempo aqui no blog. A idéia que defendo, ou que pelo menos tenho tentado defender, é que cada setor da imprensa/mídia deve assumir de uma vez, publica e notoriamente, seu posicionamento político e parar de arrotar a idéia absurda de “imparcialidade” que é inatingível e que presta um desserviço à população que confia, iludidamente, na raposa para vigiar o galinheiro.

Um exemplo claro dessa má fé, velada pelo discurso de imparcialidade, foi possível observar na Gazeta do Povo de sábado dia 11 de setembro desse ano (eleitoral). O jornal dispõe de um caderno especial sobre as eleições, o que poderia passar a impressão de que trata-se de um jornal preocupado com a cidadania e tudo mais. Porém, um leitor mais atento percebe que esse caderno tem funcionado como uma espécie de guia, de certa forma, para o restante do jornal; enquanto o candidato da elite tecnocrata estava com folga nas pesquisas o restante do impresso parecia passar alheio a temas que influenciassem diretamente o pleito, passando inclusive alheio à primeira onda de ataques coordenados pela própria elite, fato que poderia servir de argumento para aqueles que defendem a tal imparcialidade. Mas, no momento em que as pesquisas mostraram crescimento do candidato popular ruralesco, chegando até a apontar um empate técnico entre os dois, o jornal e o grupo que o coordena passaram a usar do denuncismo desesperado e fazer propagandas implícitas (quase explícitas) pró-Beto, tanto que, no caderno seguinte da mesma publicação tinha uma foto de uma placa de propaganda da prefeitura de quase meia página de tamanho – a foto era várias vezes maior do que a própria matéria, que aliás, puxava o saco da prefeitura. E mais, na mesma publicação constava um artigo (cujo nome do colunista que o escreveu me foge; e talvez seja melhor nem dizê-lo mesmo) defendendo um vídeo de extrema direita conservadora fundamentalista cristã que rolou pela internet fazendo propaganda contrária ao PT.

Se a Gazeta do Povo serve de mal exemplo para o que quero defender, o Estado de São Paulo serve de bom exemplo, pelo menos seus diretores fizeram o mínimo que se espera de alguém com alguma dignidade, assumiram declaradamente em Editais que entraram na campanha de José Serra para presidente. Tudo bem que o candidato e o seu partido são aquilo que de mais podre existe na política nacional, e que o Estadão confirmou com isso seu status  reacionário, mas temos que reconhecer que, perto do restante da imprensa nacional, a atitude foi louvável e digna: abriram o jogo e pararam com essa de que são “imparciais”. Ninguém mais que lê o jornal pode se isentar e dizer que não sabia o que estava lendo; parabéns para o Estadão.

Outro ponto interessante em se ressaltar aqui no estado que elegeu Beto Richa é a questão da liberdade de expressão. Tem-se batido constantemente no PT, na Dilma e no Lula dizendo que eles são contra a liberdade de expressão e usam como exemplo declarações do Presidente criticando a imprensa, mas ninguém tocou no assunto que aqui no paraná foi proibida a divulgação de pesquisas na reta final de campanha a pedido do senhor Richa; aliás, a dona Gazeta ficou quietinha! Em nenhum momento relacionou isso a um ataque à liberdade de expressão. Por que? Foi um ataque a liberdade de expressão sim! Ficou bem claro os dois modos de agir de esquerda e direita com relação a esse assunto. A esquerda critica a imprensa que a desagrada, a direita proíbe a imprensa que a desagrada; e mais, quando a esquerda crítica a imprensa fica “possuída por um espírito libertário e acusa os repressores”, quando a direita proíbe a imprensa abaixa a cabeça e não pia. Rabo preso pouco é bobagem.

O que defendo aqui é que seria digno de uma grande imprensa assumir qual o grupo político que simpatiza, e a partir daí, trocar essa falácia de imparcialidade por uma posição crítica baseada em um estrato da sociedade, seja ele qual for, para emitir seu julgamento dos fatos. Não é isso que vemos hoje ainda, como diria minha vó: “ A manha do Diabo é fazer todo mundo pensar que ele não existe”.

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