Obscurantismo eleitoreiro! By Milek!

Esse é o último texto do blog antes do segundo turno se consumar e eu vou tentar fazer uma análise de um ponto de vista filosófico sobre as campanhas.

Começando pela de Dilma, é uma campanha claramente feita para fazer o eleitor acreditar que nada vai mudar com relação ao governo Lula; porém, se eleita, ela pode ou ser uma “marionete” do Lula, “testa de ferro” se preferirem – como a Kirchner da Argentina -, ou então ser maquiavélica e, num de seus primeiros atos como presidente, chutar o nobre batráquio barbudo para bem longe. Não seria muito esperto da parte dela mandar embora 88% de aprovação do seu governo, então tudo indica que ela vá se manter à disposição de Lula. Dilma é uma incógnita. Dentro da história política brasileira há mais de 30 anos, muito poucas vezes foi protagonista em qualquer momento dessa mesma história, sendo assim, a estratégia do PT em colocar a luta partidária em primeiro plano, e não a pessoal dos candidatos, é esperta, e sem querer sincera, afinal de contas os candidatos são só representantes dos projetos políticos e tendências dos partidos.

A campanha de José Serra, além dos inúmeros erros já apontados aqui em outros textos, que eu não vou repetir, tem um aspecto que não foi devidamente abordado no blog: Fé. Não falo só da aliança com o cristianismo radical ultra-conservador franquista fundamentalista feita pelo PSDB, falo sobre o tom que dominou a campanha. Tendo um passado relativamente trágico no comando do país, o PSDB tenta usar a tática do Lula de 2002, apelar à esperança, ao credito, à fé do eleitor; em nenhum momento Serra falou “em retomar o caminho traçado por FHC”, em “volta do programa do PSDB do final dos anos 90”, o PSDB se quer apresentou um projeto de governo, quase não se falou em Fernando Henrique Cardoso, e não porque o possível governo Serra não represente uma continuidade desse modelo, e sim por vergonha e receio político. A campanha de Serra passa todo momento pedindo “a confiança do eleitor”, o “voto de fé”, a “mais uma chance” à acreditar num possível bom governo. A diferença da campanha atual de Serra e a de Lula de 2002 é que Lula representava a esperança num modelo novo de governo, e Serra se esquece que a esperança que ele evoca é a de voltarmos ao neo-liberalismo selvagem da época de FHC. O problema é o seguinte: Serra apela ao Irracional: à Fé, ao sentimento de esperança vazio.

Pode ser que a Dilma ganhe e faça uma tragédia de governo, que ela seja chutada em 2 anos, que ela quebre o país, e tudo mais… mas pode ser que não. O que nós, para sermos racionais na escolha do voto, temos que levar em consideração no segundo turno é que são dois partidos que já governaram o país por oito anos cada, é só escolhermos o que foi melhor, ou menos pior. Qual fez o país crescer mais, e qual fez a desigualdade social diminuir mais? PT ou PSDB? Acreditar em quem será melhor, é escolher o voto pela fé, pela crença, pelo futuro, pelo indeterminado; raciocinar para escolher o voto, é comprar o passado administrativo dos partidos em questão, seus programas de governo (quando existem, não é PSDB?) e suas orientações ideológicas. É escolher pelo concreto, pelo real, pela história. E aí eu pergunto: TERÃO PERDIDO A CAPACIDADE DE PENSAR OS QUE VOTAM PSDB, QUE PRECISAM APELAR À FÉ?


 

 

 

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Filed under cultura, Filosofia de Butéco (Botéco), opinião

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