Cinema: tecnologia e arte. Parte II: Ensaios de respostas…

De fato as últimas reflexões não respondem às perguntas geradas, apenas e tão somente deram sua razão de ser, e ainda de maneira rápida. A melhor maneira que vejo de ensaiar uma reposta é pensar na necessidade das relações: sem as distribuidoras filmes como “A Fita Branca” não chegariam aqui; nem “O Cheiro do Ralo” sairia daqui; de fato, filmes como “Crepúsculo” também não chegariam aqui, e me parece que o problema com a indústria começa por aí. A indústria investe pesado na produção em massa de filmes bobos, bestas, rasos, feitos para se vender camisetas, pipocas, posteres e livros igualmente bobos, bestas e rasos; são filmes de dar vergonha de assistir para qualquer um que veja no cinema algo a mais do que vê numa cruzadinha, um passa tempo. E só dificilmente a indústria investe em filmes artísticos, e na maioria das vezes que isso acontece são pequenas indústrias e pequenas produtoras. Há os que dizem que isso é proposital, que a grande indústria quer mais é se aproveitar para emburrecer o povo e continuar enfiando goela a baixo essas porcarias. Porém, pensemos a situação de modo diferente: se a grande indústria empenhar-se em produzir e distribuir um filme como “O Cheiro do Ralo” na mesma escala em que ela o faz com um filme como “Avatar”, ela conseguiria formar um público capaz de a sustentar enquanto grande indústria? Acredito que não. Daí decorre o fato de ela se setorizar – em filmes de entretenimento meramente ilustrativos e filmes artísticos, por exemplo – a fim de atender as demandas pré-existentes na sociedade. Sendo assim, a indústria cinematográfica, assim como qualquer ente do capitalismo, joga o jogo de acordo com a situação, se houvesse uma mudança drástica na sociedade a ponto de a demanda de filmes artísticos ser maior que a de filmes bestas, a indústria se adaptaria. O problema então nesse caso é político. Para se ter mais filmes artísticos é preciso se formar um público que demande mais desses filmes; isso começaria em casa com incentivo da família, passaria por uma formação escolar decente em artes e terminaria numa organização desse grupo para dar voz a essa demanda. Se a indústria investisse pesadamente em filmes artísticos hoje, com a formação atual de seu público ela faliria e faria um mal muito maior à arte do que um bem. O Cinema nasceu num seio de uma sociedade industrial e burguesa e tem ligações tão essenciais com essa sociedade que, infelizmente, é difícil pensar um sem o outro. Aqui cabe colocar em questão a pirataria e se ela não seria uma forma de cortar essa ligação essencial, mas isso será tema do próximo texto.

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Filed under bom gosto, cultura, opinião

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