Cinema: tecnologia e arte. Parte IV: Imbricação instigante…Finalmente: FIM.

Para finalizar gostaria de chamar a atenção para a situação única que envolve o filme “Matrix”. Artístico, reflexivo e comercial; e a tecnologia funciona como uma amalgama que fez essa mistura dar certo. Toda a produção do filme é soturna, a realidade que começa dinâmica se torna atordoadoramente indiferente, há uma sobriedade impregnante nos cenários e uma estática que passa a idéia de controle total sobre a falsa realidade; nesta as interpretações são quase mecânicas, as emoções só aparecem no rosto dos atores dentro da nave nabucodonosor – a verdadeira realidade. Toda a história do filme se passa em torno de um personagem que é retirado da pseudo-realidade que vivencia, transportado para o assustador mundo real em guerra onde humanos são matriz energética para máquinas – criadas pelos mesmos humanos – e que perseguem os últimos humanos insurgentes, diante da escolha entre o “real” e o verdadeiro, Neo escolhe lutar pela verdade; essa trama parafraseia, até certo ponto, o “Mito da Caverna” de Platão, e é possível partir dela para pensar a relação entre o homem e a tecnologia cada vez mais autônoma que ele cria, ou então fazer uma comparação com a mitologia/história cristã, enfim, muitas reflexões são possíveis e cada um com a sua loucura. Mas um dos pontos interessantes que eu queria salientar aqui é o modo como a tecnologia usada no filme contribui artisticamente para a obra: a técnica de filmagem fazendo as câmeras ‘rodarem’ em torno da cena parada trazem a todo momento a idéia de perspectivismo a tona, criando assim um correspondente intuitivo para o pensamento de que a realidade pode ser vista de várias formas, e que ela e a verdade nem sempre coincidem.

“Matrix” é um daqueles filmes que representam o que existe de mais essencial do cinema: o velho jargão da “Imagem em Movimento”. Mesmo quando a cena congela ela não para. A realidade também é mais ou menos assim, mesmo quando aquilo que se tem por certo sobre ela é estabelecido, algo outro ainda pode sobre ela reclamar a verdade.

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4 comentários

Filed under bom gosto, cultura, opinião

4 responses to “Cinema: tecnologia e arte. Parte IV: Imbricação instigante…Finalmente: FIM.

  1. Matrix sem dúvida foi o divisor de água para o cinema entrar na década 00 com uma nova concepção desde o efeito bullet time até enredo, da mesma maneira que Avatar veio a ser o ícone do 3D.

    Sobre a Alegoria da Caverna, Platão, está presente em quase todos os filmes que envolva alguma ação baseada no seguinte pretexto: negação do fato, aceitação do fato e o choque de ideologias. Vemos isso em tantas outras produções, claro, apresentado diferentemente a exemplo de Senhor dos Anéis, Robocop, Harry Potter…

    O ponto máximo de Matrix é justamente usar os efeitos tecnológicos como algo aceitável para aquela suposta realidade e não apenas jogando como se vê muito por esses tempos.

    Gostei do blog voltarei mais vezes.

  2. Sinceramente, não gostei muito de Matrix, achei meio “forçado”…
    Mas seguindo (mais ou menos) esse género de filmes, A origem, ficou otimo!

    Beijinhos


    http://www.jehjeh.com

  3. fábio420

    matrix é tão rico em informação, que é possível fazer 6 análises diferentes: objetiva, subjetiva, alegórica, psicológica, filosófica e simbólica. Todas com potencial.

  4. Bem, eu sou suspeito para falar de Matrix, pois trabalho com TI e sou fã dos filmes, animes e jogos referentes a Matrix.
    Como foi mencionado no post, o filme possibilita diversas abstrações, e muitas pessoas têm suas próprias conclusões sobre o filme e suas “lições”.
    Eu gostaria apenas de adicionar o paradoxo existente entre Matrix e Alice no País das Maravilhas, pois é referenciado em Matrix. No primeiro filme, Neo é levado a seguir o coelho branco para saber a verdade e ser libertado de uma pseudo-realidade, enquanto Alice segue o coelho branco até a sua toca, mas acaba em um mundo utópico, porém ambos aprendem lições aplicáveis no mundo real, que ao meu entendimento é o mesmo para ambos, Auto Conhecimento. Então fica a pergunta, o que é realidade?

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