Mídia, Osama Bin Laden and God Save the Queen por Maximilian Drugba

Uma coisa é fato, quanto mais eu acho que o mundo é contraditório e absurdo, mais ele tenta se parecer contraditório e absurdo. É, eu sei, eu mesmo estou parecendo contraditório e absurdo. Mas fazer o quê? O mundo é assim mesmo. Frente aos recentes acontecimentos mundiais, mais especificamente o casamento real britânico, a crise no Oriente Médio e a suposta morte do maior vilão da última decada, Osama Bin Laden, elocubrei algumas considerações e gostaria de compartilhar isso com os caros leitores, a começar pelo enlace matrimonial mais comentado do século.

Para aqueles que não sabem, na semana passada o príncipe herdeiro do trono britânico, Willian, filho do também príncipe herdeiro Charles e da falecida princesa Diana, casou-se com uma plebéia em uma cerimonia cheia de pompa, circunstância, exageros e contradições. O casal, agora príncipe e princesa, duque e duquesa, conde e condessa, barão e baronesa, atraiu a atenção de toda a mídia internacional. Em meio a um verdadeiro desfile de notícias inúteis e sem a menor relevância, fomos obrigados a suportar toda a sorte de patifarias e canalhices, a começar pelos inúmeros consultores de moda, de cerimônia, “especialistas” em monarquia britãnica, além dos consagrados calhordas e pulhas que nos presenteiam todos os dias com seus comentários pretenciosos e distorcidos. Na minha opinião, o ápice destas intermináveis horas de transmissão, algumas até mesmo ao vivo, foi a apresentadora da RedeTv Daniela Albuquerque que disse: “A Rainha Elizabeth II é uma Hebe da realeza”!!! Mesmo assim, foram registrados altíssimos índices de audiência durante toda a cerimônia. Não sei quanto a você, leitor, mas para mim tudo isso é muito preocupante. Até quando deixaremos nossos canais de comunicação nas mãos de pessoas como a citada apresentadora? Até quando uma Ana Maria Braga da vida será responsável por formar a opinião dos cidadãos brasileiros?

Pois é, mas o pior e mais irônico de tudo vem agora. Altos índices de audiência foram igualmente registrados nos noticiários quando o assunto foi a crise no Oriente Médio. Começou com o “ditador” egipcío Hosni Mubarak, deposto no começo deste ano. Isto provocou por lá uma verdadeira revolução. Vários ditadores tiveram que enfrentar inssureições populares em seu países, e alguns ainda enfrentam, como é o caso do ex-atual chefe de estado líbio Muamar Khadafi. Aqui no Brasil, como sempre, engrossamos o coro da mídia internacional e crucificamos unanimemente os “malvados” ditadores da terra de Ali Babá, sem nem ao menos perguntarmos o que realmente está acontecendo lá, ou ainda, o que o ocidente tem a ver com isso. No caso da Líbia de Khadafi, a OTAN, liderada por forças militares francesas, já está intervindo militarmente com o intuito de remover o ditador do governo e possibilitar ás forças rebeldes a tomada do poder. Mas por quanto tempo este ocidente, sempre dotado de extrema bondade e disposto a resolver as injustiças do mundo, foi omisso e deixou que várias ditaduras militares/religiosas dominassem o Oriente Médio? Com quantas delas mantivemos, e ainda mantemos, relações comerciais, políticas e diplomáticas? Um número absurdo de perguntas pode ser feito aqui, muito embora, eu acabei escolhendo algumas em especial: Se vivemos em um mundo onde a melhor forma de governo é a democracia, o governo do povo, porque paramos na semana passada para prestar reverência a uma monarquia? Não é no mínimo estranho presenciar uma verdadeira locomotiva de elogios a uma monarquia, que é uma conhecidíssima forma de governo acostumada a oprimir e destituir a população de seus direitos, e ao mesmo tempo, criticar ditadores de outros países? Será que ninguém percebeu a infinita lista de semelhanças entre uma monarquia, como a britânica, e uma ditadura, como a da Líbia? E por último, não é estanho para você o fato de que uma das principais forças econômicas e políticas deste ocidente, democrático, libertador e preocupado com as mazelas do mundo atual, seja uma monarquia?

Há ainda o caso Obama (opa, quer dizer, Osama) Bin Laden. Quando vi o presidente norte-americano OBama declarar que OSama Bin Laden estava morto, confesso que me diverti, afinal isto era óbvio demais. OSama já está morto há muito tempo. Morto na imprensa, na opinião pública e na cabeça de muitas pessoas. Mais uma vez,  sem deixar de notar a ironia de tudo isso, devo dizer que é ao menos engraçado o fato de que, até a declaração da morte do “terrorista” islãmico, OBama também estava morto. Morto politicamente. E é exatamente por isso que o império norte-americano resolveu, mais uma vez, construir uma mentira mal explicada, superficial e facilmente refutável para enterrar de uma vez por todas a figura nefasta que atormentou e tirou o sono de todo o ocidente por mais de uma década. Com OSama morto, a democracia americana vingada e as almas das pobres criaturas mortas pelo maior ataque de falsa bandeira da história da humanidade finalmente encontrando paz, OBama agora tem novamente popularidade suficiente para almejar uma reeleição. E mais do que isso, pode renovar seu discurso e procurar novos vilões, como Khadafi por exemplo. A nós, cabe fazer apenas mais duas perguntas: Podemos afirmar que vivemos em uma democracia, uma forma de governo ideal, onde as informações a respeito do que acontece no mundo, por exemplo, são claras? Um governo que se utiliza de estratagemas sórdidos, anacrônicas mentiras cinematográficas e de omissão de informações pode se dizer realmente democrático? Pensemos a respeito.

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11 comentários

Filed under Filosofia de Butéco (Botéco), opinião

11 responses to “Mídia, Osama Bin Laden and God Save the Queen por Maximilian Drugba

  1. Dr. Murilo e seus blue caps...

    Por mais que a monarquia Inglesa – e as monarquias européias de uma maneira geral – não passe hj de um simbolo, a adoração e a espetacularização de um simbolo construído com base em repressão, expurgos, fanatismo religioso, guerras e gênocídios é, no mínimo, sintomática… O ‘levar a sério’ de muita gente sobre a ‘revolução causada no mundo das noivas’ por Kate Midleton é, no mínimo, sintomático… O Revolucionismo árabe atual; as “pacificações” nas favelas cariocas – enfim, poucas vezes ocorreram tantas revoluções ao mesmo tempo no mundo! O engraçado é que o mundo não muda!

  2. Belo texto.
    Muito bom, parabéns!

  3. O mundo se engana muito fácil.

  4. Adorei o blog!!
    Virei mais vezes visitar!!
    E confesso que essa do oBama e oSama foi uma super sacada, hein… rsrsrs

    http://www.ocotidianodecadadia.blogspot.com/

    Até

  5. Rapaz, adorei seu texto e compartilho de suas opiniões!! Vai entender esse mundo!

    Comentado
    Visite e comente:
    http://www.falandodemarcas.blogspot.com

  6. A mídia sempre nos influenciando … isso é preocupante demais. Eu particularmente, não gosto de assistir televisão, exceto quando passa algum filme, caso contrário …

  7. Adorei mesmo seu Blog e achei o texto muito bom mesmo!

    Comentado!
    Comenta lá e se gostar segue!
    http://www.falandodemarcas.blogspot.com

  8. Sinceramente, a monarquia parlamentarista nada tem a ver com as ditaduras umas vez que a rainha não manda em nada. Mas o seu ponto de vista tem relevância quando trata da mídia enquanto formadora de opiniao

  9. Sobre a monarquia britânica.
    Bom… Plebéia? coisa da mídia para tentar transformar aquele casamento em conto de fadas.

    Monarquia? sim! a mesma que explorou, destruiu e roubou o mundo.

    sobre o Osama, acho que já foi é tarde, menos um para fazer mal no mundo

  10. É mundo moderno e suas contradições
    Bom texto, boa opinião.

    Bjo 😉

  11. fábio420

    ótimo texto.
    com certeza essa de ser uma camponesa deu o toque de hollywood.
    enquanto o cidadão brasileiro não jogar fora a sua televisão, não haverá opinião própria.

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