Alguns Discos e Trálálá… por Maximillian Drugba

Há algum tempo atrás eu escrevia um tipo de texto aqui no blog onde o objetivo era descrever alguns discos que eu estava ouvindo (Veja os textos Vitrola Minha Vitrola # 1, 2, 3 e 4). Recentemente, pensei um pouco a respeito e decidi revitalizar essa idéia. Então selecionei alguns discos e começei a escrever. Neste post irei comentar três discos, sendo que dois deles são de bandas diferentes entre si, porém com características em comum, e um deles uma coletânea bem abrangente de um dos artistas mais representativos do nosso tempo.

Foo Fighters – Wasting Lights: Sempre falei aqui do Dave Groul (novamente, veja aqueles posts anteriores sobre música), mas é a primeira vez que vou falar do homem tocando guitarra e cantando. O disco é novo, novinho em folha, e vem com a promessa de ser, talvez, o melhor disco da banda até então. Eu sei, eu sei, é cedo para dizer, mas em comparação com o álbum anterior, “Echoes, Silence, Patience and Grace” de 2007, “Wasting Lights” ganha, e ganha disparado. A banda está tocando muito melhor do que antes, com um entrosamento fenomenal, com Taylor Hawkins passeando por sua bateria e com o Sr. Groul impressionando, afinal, tocar bateria nas horas vagas e ser o guitarrista/vocalista de uma banda como o Foo Fighters não é para qualquer um. Não digo isso só pelo fato dele fazer tudo isso, mas por fazer bem feito. Este disco aliás é prova disso. De uma maneira geral, todas as músicas funcionam muito bem, o que é raro hoje em dia. Juntando dois elementos simples, a saber, o apelo pop dos refrões cativantes com o velho e bom rock n’ roll de garagem, a banda conseguiu criar uma peça de excelente qualidade em pleno ano de 2011, com suas “Lady Gagas” e demais lixos “mtvísticos” perambulando por ai. Para começar, eu poderia dizer que “Bridge Burning”, a primeira faixa, é mais uma típica música ‘abre disco’, mas considerando a obra como um todo, preciso dizer que além de iniciar muito bem os trabalhos, esta música consegue expressar as exatas intenções do Sr. Groul e Cia, além de chegar chutando o pau da barraca. Já “Rope”, a segunda, vem com uma levada um pouco diferente, mais quebrada, sem perder no entanto a pegada do disco. O refrão gruda e não sai mais, um belo exemplo da fantástica sinergia proposta pela banda. Em “Dear Rosemary” esta mistura está definitivamente exposta. Boa música, com um feeling característico e a assinatura da banda. Nesta altura a banda se transforma e a experiência muda, pois “White Limo” é completamente diferente. Gritada e barulhenta do início ao fim, é quase heavy metal. Interessante também é prestar atenção no videoclipe que foi lançado um pouco antes do disco. De orçamento baixíssimo, bagaceira e muito bem humorado, conta com a ilustre presença de Lemmy Killmister do Motorhead (que por coincidência, ou não, será a próxima banda a ter o disco analisado aqui). A ligeira fraqueza do disco fica por conta de “Arlandria” e “A Matter of Time”. Músicas boas, seguindo a fórmula já citada, mas que deixam um pouco a desejar. Finalmente temos que levar em consideração a bela balada “These Days”, com sua letra madura e inteligente, a ótima “Back and Forth” e a criativa “Miss the Misery”. O ‘grand finale’ do disco, “Walk”, promete ser o maior sucesso comercial deste trabalho, pois trata-se de uma música que lembra muito outro sucesso da banda, “Best of You”, do “In Your Honor” de 2007.

Motorhead – The World is Yours: Vai e vem ano, aliás, vai e vem década e o Motorhead continua com um folêgo invejável. Recentemente escrevi minhas considerações sobre a experiência de ter ido ao show deles (veja o texto Veni, Vidi, Vici em dois atos) e devo dizer que o fato de uma banda, com três caras apenas, uma carreira absolutamente sólida e uma força avassaladora ao vivo, conseguir lançar discos como este é algo no minímo notável. Logo na abertura temos a nervosa “Born to Lose”, uma pancada que avisa “Chegamos!!! E chegamos chutando tudo”. A canção alterna uma sequência de bumbo duplo pra todo lado, com outra de bumbo duplo pra todo lado, fora o fato de que o lendário baixo do Lemmy parece estar mais grave, mais alto e mais distorcido. Achei deveras interessante a simplicidade dos riffs de guitarra, prova, unânime, de que se faz uma boa canção com muito pouco. A segunda e terceira canções são daquele tipo que parece um rock n’roll, mas é rápido e sujo demais para ser só isso. Marca mais do que registrada da banda. Chamo a atenção novamente para a simplicidade dos riffs, barulhentos e bons de ouvir. “Devils in my Head” também possui uma bela melodia, já com um pouco mais de peso e novamente o peso monstruoso da pegada insana da banda. Não posso deixar de escrever ainda sobre “Brotherhood of Man” e seu riff maroto, a assustadora voz de Lemmy e sua letra sinistra. Depois dessa, finalmente podemos apreciar a melhor canção do disco, “Outlaw”, um petardo rápido, complexo e com a cara do Motorhead. As duas últimas canções, “I Know What You Need” e “Bye Bye Bitch Bye Bye” são rápidas, certeiras e fecham bem os trabalhos, provando que esta é mais uma obra digna do powertrio mais barulhento do mundo.

Elvis Presley – The 50 Greatest Hits – Elvis Aaron Presley, quem não conhece este nome? Rei do rock, um dos artistas mais importantes de todos os tempos, seus fãs definem exatamente o que significa o termo “idolatria”. Resumindo, ele é o ícone absoluto do mundo da música moderna. O disco que eu vou comentar é uma coletânea com 50 das canções mais famosas dele. Justamente por se tratar de um disco com tantas músicas, vou comentar apenas algumas canções. Para começar, temos as clássicas “Heartbreak Hotel”, “Blue Suede Shoes”, “Hount Dog” e “Dont be Cruel”. O que dizer? Uma voz extremamente bem afinada, um sacolejar devidamente planejado e executado e a mistura bem dosada de vários estilos e elementos musicais falam por si mesmos. Posso destacar ainda a bonita e harmoniosa “His Latest Flame”, a engraçada “(You’re the) Devil in Disguise”, a elétrica “Guitar Man” e a clássica balada “Suspicious Mind”. No caso de “Burning Love”, podemos inclusive utiliza-lá para fins de conquista. Experimente decorar a letra dessa música e cantar, rebolativamente, para uma fêmea (de preferência da mesma espécie) e você verá o resultado. Aliás, meio seguindo essa linha, temos “Viva Las Vegas”. Sim, porque eu só consigo pensar em farra, farra e farra quando eu lembro desta música. Para terminar temos “All Shook Up”, um belo exemplo de que o rei não cantava só músicas de amor bobas e infantis. Com uma grande dose de malícia, bem marotamente ele canta “My friends say I’m actin’ wild as a bug/I’m in love/I’m all shook up/Mm Mm oh, oh, yeah, yeah!” ou algo como “Meus amigos dizem que eu estou agindo como um bicho selvagem/Eu estou apaixonado/Eu estou todo arrepiado/Mm Mm oh, oh, sim, sim!”.

Encerrando, vamos ficar com um vídeo do rei cantando (e rebolando) “Jailhouse Rock”.

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12 comentários

Filed under bom gosto, cultura, opinião

12 responses to “Alguns Discos e Trálálá… por Maximillian Drugba

  1. bom post, só lembrando as palavras do Dave Grohl “devo tudo o que tenho e sou ao Kurt Cobain”

  2. opiniaodesegunda

    íííí, ó o Nescau querendo arrumar briga com o Tosco… hauhwuhwuehawuehuwhhua!

  3. Nossa, que maneira criativa de far dos albuns, e a msuca doElve fou bem escolhrida hein…

  4. Retribuindo a visita no blog…comentário sucinto… mas achei o máximo. (Humor ácido)
    Bjos

  5. Muto bom! Falar de Motorhead deixou o tópico mto foda para mim! Abraços

  6. Bem, não conheço muito o trabalho, mas bacana saber um pouco sobre o assunto. Vc escreve muito bem. Bj

  7. Este do Elvis eu tenho e adorooooo!
    Dos outros só conheço algumas músicas!

    Muito interessante montar o post sobre álbuns… hoje, com esta mania de ouvir uma música daqui outra dali acaba se perdendo um pouco do contexto em que ela está inserida.

    Gostei!

    ;D

  8. adoro Foo Fighters e Elvis é clássico puro .

  9. Chave de ouro o vídeo do Elvis. Gostei muito da diversidade do seu blog.
    Ficaria honrada com sua visita, apesar de tratarmos de temas diferentes. Interessante é se descobrir uma pessoa com vários interesses, como o seu blog. Parabéns!
    Um abraço

  10. Tosco o agradecido!!!

    obrigado a todos pelos comentários!!!!!!!! gostei da recepção e em breve vou escrever outros posts de música!!!!!!!!! abraços!!!!!!!!!!!! ah sim, e eu concordo, Dave Ghroul não seria nada sem o Nirvana!!!!!!!!

  11. Quando comecei a ler, fiquei pensando num bom comentário; ao final do post, quando me deparei com o vídeo do Elvis (devo ressaltar que essa é uma das músicas que eu mais gosto), pensei; nenhum comentário ficará a altura.

    Excelente post e excelente escolha!

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