Mais alguns discos e trálálá… por M. Drugba

Já que este texto é sobre música, falarei um pouco sobre o Rock in Rio. Parece que nem faz tanto tempo assim desde a última edição aqui em terras tupiniquins. Agora que a poeira baixou, o que podemos dizer sobre a edição deste ano? Lembro que fiquei definitivamente decepcionado na época do Rock in Rio 3 com os artistas escolhidos para o festival. Imagino que isso deve ter acontecido com muita gente desta vez. Tivemos muita música sim. Mas tivemos pouco rock. Menos ainda se você for levar em conta a qualidade. Tivemos o Motorhead. Tivemos o Metallica capengando. Slipknot e System of a Down detonaram. Até a Amy Lee e Cia foram melhores que algumas atrações principais. Axl Rose? Aquilo no palco do último dia do festival era uma sombra distorcida, corrompida e sem um pingo de inspiração artistíca. O que eu não entendo é como atrações tão fracas, decadentes e cuspidas foram parar no “maior festival brasileiro de música”, enquanto temos nos próximos meses atrações tão mais resplandecentes. Faith no More está prestes a desembarcar no país, Eric Clapton e Machine Head já vieram e dentro de alguns dias teremos também o Pearl Jam. Bom, mas é isso aí né? Se brasileiro tivesse sorte, nascia na Dinamarca. Feito o desabafo, vamos a lista de discos que eu preparei para esse post:

Symphony X – Iconoclast: O symphony X é uma das mais respeitadas bandas de prog metal da atualidade, e é conhecida justamente pela característica mais marcante do seguimento: a técnica. Além disso, o grupo desfila em suas canções uma mistura de peso e melodia sempre, repito, sempre primando pela técnica. Comentarei aqui o mais recente lançamento da banda, “Iconoclast”, que saiu em junho deste ano. Seguindo a mesma linha de seu antecessor “Paradise Lost”, de 2007, o albúm vem com proposta mais “dark” tanto na temática, que fala da relação do homem com as máquinas, quanto no som. A bolacha abre com a poderosa faixa título “Iconoclast”, aliás, como tem que ser em um disco do Symphony X. Com pouco mais de dez minutos, esta canção tem todos os elementos que caracterizam a banda. A segunda música, “End of Innocence”, é bem menos épica, mas compensa na pegada. O riff de guitarra principal guia e perpassa toda a canção com peso na medida certa. Um refrão carismático e cativante também faz desta uma das melhores canções do disco. Já “Dehumanized” é um pouco mais fraca, mas tem um bom riff nas estrofes, cadenciado e agradável. Aqui fica uma dica: de maneira geral, quando uma música do Symphony X te decepcionar, preste atenção no poderoso gogó de Russell Allen.Vai valer a pena.”Bastards of the Machine”, a quarta faixa, é seguramente a melhor, um verdadeiro tributo a inteligência musical. Destaque para a fantástica construção dos solos de guitarra e teclado, para o refrão nervoso e para a voz de Russell Allen. Quanto a “Heretic” e “Children of a Faceless God”, as duas próximas músicas, são um tanto quanto comuns e padronizadas, mas o padrão da banda é alto, muito alto, então, isso acaba sendo bom. A sétima canção,”Electric Messiah”, é veloz e furiosa e chega levantando tudo para cima de uma vez. A banda soube muito bem alternar entre as músicas pesadas e as mais trabalhadas. Este é o caso de “Prometheus (I am alive)”, milimetricamente projetada para ser uma canção de prog metal, com diversos altos e baixos, construções musicais complexas e com Russell Allen matando a pau novamente. O modo como ele canta as primeiras frases chega a dar medo, uma fúria espantosa estampada na voz do rapaz. A última canção é “When All is Lost” e começa com uma linda melodia no piano que vai evoluindo na intensidade. A soma dos outros instrumentos, principalmente dos fraseados da guitarra de Michael Romeo, faz com que a canção vá se tornando cada vez mais interessante. Uma balada muito bem trabalhada, com vários momentos distintos e com uma qualidade muito boa. A versão especial do disco conta ainda com 3 músicas bônus, a melódica e rápida “Light Up the Night”, a fraca “The Lords of Chaos” e a montanha russa rítmica “Reign in Madness”.

Machine Head – The Blackening: Poderiamos resumir o albúm todo em uma conta muito simples: porrada + porrada e + porrada. Lançado em 2007, “The Blackening” foi considerado, com razão aliás, o melhor disco de trash metal em mais de 15 anos. Sim, afinal, os últimos bons discos do genêro foram lançados na década de 80 pelas poderosas e cultuadas bandas do estilo na época. O Machine Head, formado posteriormente, não é desta “safra” e por isso é notável que depois de tantos anos conceba uma obra cuja característica principal seja justamente a até então perdida pegada trash metal, que tanto encantou e emocionou os bangers no passado. Analisando música por música, o disco começa com a inexplicável “Clenching the Fists of Dissent”, uma canção que pode ser descrita como um vai e vem quase enloquecedor de mudanças de temas, timbres e velocidade. Simples assim. “Beautiful Morning” é outra pedrada, rápida e violenta que, aliás, escancara uma das características mais fortes da banda, duramente criticada por muitos, mas que para mim é um ponto positivo, a variação vocal de Rob Flynn. Riffs e mais riffs numa sequência alucinante. A terceira canção, “Aesthetics of Hate”, é ódio puro. Preste atenção em sua letra, um protesto às declarações de um jornalista sobre o falecido guitarrista do Pantera, Dimebag Darrell. Musicalmente, eu ressalto novamente a monstruosa variação rítmica presente na obra inteira, prova disso é o fim desta canção, onde a banda cria uma atmosfera sombria, uma especie de ‘mantra do mal”. Muito bom. E inovador também. Aliás, é de forma inovadora que vem “Now I Lay Thee Down”, uma peça repleta de ousadia que vai lentamente desfilando outros temas, o peso aumentando e a velocidade também, para depois retornar a ideia inicial. “Slanderous” também se destaca, com seus poderosos riffs de guitarra e uma levada na bateria que cansa só de ouvir. Uma canção um pouco diferente é “Halo”, com uma proposta mais progressiva, vai gradativamente aumentando seu poder para culminar em um refrão melódico e bonito. Finalmente, “Wolves” poderia ser descrita como uma das melhores músicas de trash metal da história, e a derradeira “A Farewell to Arms”, com seus altos e baixos, um final adequado a este grande albúm.

System of a down – Steal this album: Ah sim, depois daquele extenso desabafo sobre o Rock in Rio no começo do texto, eu não poderia deixar de comentar pelo menos um disco de uma das bandas participantes do festival. Já falamos muitas vezes do System of a Down aqui no blog, mas é a primeira vez que eu vou comentar um disco deles. Optei por um albúm não muito conhecido, o Steal this Album, de 2002. O que era para ser inicialmente um disco de sobras de gravação, tornou-se um dos melhores discos da carreira da banda (na minha opinião, é claro). O título é uma brincadeira/referência ao livro de Abble Hoffman intitulado “Steal this Book”. Quanto a música, o album é pesado, violento e poderoso. Colocar o System of a Down dentro de um rótulo genérico, como muitos fazem ao chamá-lo de nu metal, é um erro. A banda é inovadora e faz algo único. Misturando música pesada muito bem tocada, letras de alto teor político e um certo tempero do oriente, a banda desfila canções que vale a pena serem ouvidas como “Innervision”, “Bubbles” e “Nuguns”. É difícil falar das canções isoladamente, mas podemos identificar algumas por suas características, “I-E-A-I-A-I-O” é a mais envolvente, “Boom!” e “Fuck the System” as mais políticas. Merecem destaque ainda “Chic N’ Stu” e “Streamline”.



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6 comentários

Filed under cultura, opinião

6 responses to “Mais alguns discos e trálálá… por M. Drugba

  1. Discordo das considerações sobre o Symphony X, à excessão de Bastards of The Machine, o disco é meio maçante. Quanto aos demais, concordo em gênero número e degrau.
    Ótimo texto!

  2. tosco o virtuoso!!!!!!!!

    Ouça o disco novamente, Murilo!!!!! Garanto que vai ser diferente!!!!

  3. Huahushusahuashuashusahuha… ouvirei então..

  4. ksoaksoakoskaoskoaksoaks , esse povo é uma graça viu meu Deus , to te seguindo ‘-‘
    Mi siga tambem 😀
    http://puradiferencia.blogspot.com/2011/11/meus-preferidos-sigma-synthetic-face.html

  5. Dan

    System of a down , curto muito!

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