Pearl Jam em Curitiba por M. Drugba

De todos os shows que eu já vi na minha vida, raras vezes tive a oportunidade de testemunhar uma apresentação tão completa como a que o Pearl Jam realizou na semana passada aqui em Curitiba (para ser mais preciso, quarta-feira dia 9 de novembro no estádio do Paraná Clube). Uma banda sem preguiça de tocar, um verdadeiro desfile de boas canções e um bom lugar para realizar a apresentação. Aliás, sobre o lugar, sempre achei que shows em estádios de futebol são muito mais legais que aqueles feitos em lugares “alternativos”. Parece que o formato arena é feito sob medida para shows. Acho que todos os que estiveram lá gostaram muito do lugar. Tomara que essa idéia de frutos e Curitiba tenha um “novo” lugar para realizar shows de grande porte.

Mas sim, sobre o show. Bem, como eu estava dizendo, o lugar foi apenas mais um elemento para compor a belissima apresentação. Depois da banda de abertura, os veteranos do “X”, que só foram realmente aplaudidos quando Eddie Vedder subiu ao palco para cantar junto, a banda principal entrou. A primeira mudança no setlist foi a música de abertura “Go”, do disco “Vs” de 1993, que incendiou o lugar. Uma abertura a altura de um bom show de rock. A segunda música, “Arms Aloft”, era totalmente desconhecida para mim. Até cheguei a achar que era uma inédita, mas na verdade se tratava de um cover da banda Mescaleros de Joe Strummer. A canção era boa e não desanimou, pois foi imediatamente seguida por outro classico do disco “Vs”, “Animal”, que novamente colocou fogo no público. Outra música até então desconhecida foi a quarta tocada “Olé”, essa sim uma canção inédita que deverá estar no próximo disco. Depois de todas essas surpresas, a banda começou a executar clássico atrás de clássico, começando pela belissima balada “Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town”, seguida do hit “Corduroy” presente no álbum “Vitalogy” de 94, “Given to Fly” que levou todos ao delirio, outra linda balada “Dissident”, a agitada “The Fixer”, do mais recente trabalho de estúdio e o inesquecível clássico do primeiro disco “Even Flow”.

Nesta parte do show, outra grata surpresa, talvez a canção do grupo que eu mais goste, “In Hiding” do disco “Yield” de 1998, sabiamente incluída pela banda no repertório desta apresentação. Sinceramente, eu nem esperava ver a banda tocar essa, mas aconteceu e foi graças ao excelente costume da banda de variar seus setlists, aliás, coisa de quem é muito bom no que faz. Nesta primeira parte do show o PJ executou ainda: a inusitada “Setting Forth”, canção que abre o disco solo do vocalista Eddie Vedder, “Not for You” também do “Vitalogy”, a mais ou menos “Red Mosquito” e três inspiradas canções do mais puro rock n´roll: “Got Some” do disco “Backspacer” de 2009, “Word Wide Suicide” de 2006 e a excelente “Porch” do álbum “Ten” de 1991.

Para começar o primeiro bis, mais algumas belas baladas, “Just Breath” de 2009, “Off He Goes” do disco “No Code” e uma das melhores canções da banda, “Unthought known” também de 2009. O espetáculo seguiu com “Supersonic”, “Breath” e as antigas “Black” e “Jeremy” que levantaram todos os presentes. Nova pausa e a banda volta para o segundo bis com “Betterman”, “Leaving Here”, a raríssima “Footsteps”, os clássicos “Once” e “Alive” e a surpresa que na minha opinião valeu o ingresso sozinha: “Baba O’Riley” do The Who. Finalizando com chave de ouro esta memorável apresentação, a banda ainda tocou “Yellow Ledbetter”, bonita canção presente na compilação “Lost Dogs” de 2003.

Anúncios

9 comentários

Filed under cultura

Quase que magicamente… Por Murilo.

“Alô criançada o Opinião chegou!” Trocadilhos bestas à parte, o texto de hoje será exatamente sobre as crianças desse mundão; esses serzinhos infantes, pueris, ingênuos e inofensivos. Será?

Recentemente tive um rápido contato com um texto interessante de um pensador chamado Neil Postman, “O Desaparecimento da Infância.” Postman foi um crítico ferrenho da submissão da cultura à tecnica, e também grande estudioso das relações entre mídia e educação. Segundo ele, a infância é uma criação moderna, que surge junto com o aparecimento da imprensa e com a universalização da educação. Antes desses eventos as crianças eram vistas como “mini-adultos”, assim que tinham condições físicas suficientes já acompanhavam os adultos em seus trabalhos, já tinham contato com conversas adultas, já presenciavam, sem maiores restrições, cenas de violência e de sexo. E agora, na nossa pós-modernidade¹, vencida a era mecânica das telecomunicações e da educação, quando da explosão da era digital e do advento da internet, momento em que tempo e espaço se tornam meros detalhes no acesso à informação, enfim, época em que a ciência e a tecnologia se arrogam a ponta da evolução do entendimento humano; vemos as crianças de novo, como na época pré-moderna, com livre acesso a todo tipo de conteúdo adulto, terror, horror, brutalidade, violência, sexo, enfim, a curiosidade é morta com um clic. Fato que joga muita água no moinho de Postman; um exemplo forte de como a técnica ajuda a universalizar a barbárie.
A coisa fica ainda mais séria quando a gente vê pessoas cheias de boa intenção aumentando o problema com ações “pouco pensadas”, para ser educado. É o caso do movimento – que conta com um título ótimo, diga-se de passagem – “Faça amor, não faça pornô.” Trata-se de um movimento criado por uma mulher que começou a sentir os efeitos dessa universalização da ignorância. Ela constatou, de maneira radicalmente empírica, que seus parceiros sexuais mais jovens obedeciam um padrão de péssimo gosto na hora da transa – truculência, falta de romantismo, de compreensão, etc. A conclusão retirada de sua pesquisa de campo é a de que os homens agem assim porque estão se educando sexualmente do modo mais errado possível, e cada vez mais cedo: por meio da indústria do cinema pornô, aonde, sabidamente, a mulher é reduzida a uma coisa com a qual o homem se masturba – uma boneca inflável de carne e osso – e que com a internet, se tornou cada vez mais acessível. Eis o texo na íntegra – http://revistatpm.uol.com.br/revista/112/reportagens/faca-amor-nao-faca-porno.html – Gostaria de chamar a atenção para um dado interessante do texto: Um terço dos garotos ingleses com 10 anos de idade já tiveram acesso à conteúdo pornográfico. Muitas vezes antes mesmo do primeiro beijo eles já viram uma dupla penetração, e pior, com uma atriz pornô que fingia um prazer absurdo, mesmo com – ou por causa da, muitas vezes – dor. Isso tudo torna, de fato, o movimento muito legítimo, isso é: Jovem², o que você assiste em “Brasileirinhas” não é a realidade, se animal!
Muitas perguntas poderiam ser feitas a partir daqui, desde por que as atrizes pornôs se sujeitam a esse tipo de tratamento e a passar essa imagem, até por que diabos essa tiazona da entrevista insiste em sair com esses moleques imbecis. Mas o problema nessa história toda, e que eu gostaria de chamar a atenção, é a solução apresentada pela publicitária: criar um cinema pornô “mais realista” e que inclua a visão “feminina e feminista”. Quer dizer, se o problema é o aceso à pornografia por crianças cada vez mais novas e a influência que isso acarreta na formação delas, aumentar a quantidade de filmes pornográficos e criar um novo sub-gênero de filmes não vai ajudar a reduzir o problema. Por mais que se trate de um gênero “mais justo” de sacanagem, a boa e velha sacanagem clássica não vai acabar. E vale lembrar que a maioria dos homens procuram filmes pornôs para se masturbar e não para ter aulas sobre romantismo, e assim eles vão continuar a produzir e assistir os filmes clássicos. O máximo que esse novo gênero vai conseguir é aumentar a atração de mulheres por pornografia. Mas o problema persistirá. Mais uma vez vale lembrar aquela velha máxima de Gahndi sobre a violência: “Não dá para combater a escuridão fazendo mais escuridão.”³

Quando é que as pessoas vão entender que a internet é um espaço público, assim como uma praça pública? Quer dizer, se você não permite, racionalmente, que seu filho fique fazendo o que quer, na hora que quer, livremente, sem supervisão, em uma praça pública, por que raios permite então que ele faça o que quer na internet? Um criança não precisa de um computador pessoal de uso exclusivo em seu quarto, não precisa de um laptop, não precisa de um celular com acesso à internet, nada disso, em caráter privado, contribui para a formação dela; e é bobagem pensar que aqueles programas de “controle de conteúdo” podem substituir a supervisão paterna, pois se até um macaco treinado consegue desbloquear aquilo imagine uma criança de 11 anos que vive nessa “era digital” há… 11 anos! E, pior, se o macaco e a criança que, via de regra, não são mal-intencionados e sim curiosos, conseguem desbloquear, imagine um pedófilo, que além de tudo é mal-intencionado. Portanto, acredito que a verdadeira campanha, que além de legítima seria eficiente, é: “Não de a uma criança algo de que ela não precisa e que pode eventualmente lhe prejudicar!”4 Confesso que não acredito no sucesso de uma tal campanha por dois motivos: primeiro pelo título horrível, que traça o exato corte entre eu e a tiazona lá, ela é publicitária e eu pretenso filósofo. E segundo, e mais importante,a campanha prega a restrição ao consumo, e nossa sociedade se mata mas não para de comprar.

Para finalizar gostaria de colocar uma pergunta: de onde é que vem o impulso “anti-edipiano” pós-moderno de acreditar que as crianças estão por aí sem pai nem mãe? E mais, será que além de regredirmos moralmente, transformando as crianças de novo em “mini-adultos” pré-modernos, regrediremos cientificamente a ponto de acreditarmos de novo na geração espontânea? Na idade média existia uma famosa receita para se produzir ratos, era só misturar num lugar pouco movimentado e escuro, panos velhos e restos de comida, que os ratos brotavam desses materiais – acreditava-se que a vida pudesse vir do não-vivo. Qual seria a receita atual para a formação de um a pessoa? Dois seres humanos se unem, transam, e de repente, não mais que de repente, um mini-adulto vem ao mundo e com o passar do tempo ele, do nada, sem a interferência das pessoas que o trouxeram ao mundo, ele se torna uma pessoa, quase que magicamente.

1 – Que de “pós” não tem lá tanto assim, é verdade, está mais para “Hiper-Modernidade”.

2 – Nada é melhor para fazer alguém se sentir muito velho do que dar um conselho, e pior, começar esse conselho com a palavra “Jovem”!

3 – Se não for exatamente isso, é coisa parecida.

4 – Por isso não fiz publicidade e propaganda, sou péssimo com títulos.

10 comentários

Filed under bom gosto, Filosofia de Butéco (Botéco), opinião

Mais alguns discos e trálálá… por M. Drugba

Já que este texto é sobre música, falarei um pouco sobre o Rock in Rio. Parece que nem faz tanto tempo assim desde a última edição aqui em terras tupiniquins. Agora que a poeira baixou, o que podemos dizer sobre a edição deste ano? Lembro que fiquei definitivamente decepcionado na época do Rock in Rio 3 com os artistas escolhidos para o festival. Imagino que isso deve ter acontecido com muita gente desta vez. Tivemos muita música sim. Mas tivemos pouco rock. Menos ainda se você for levar em conta a qualidade. Tivemos o Motorhead. Tivemos o Metallica capengando. Slipknot e System of a Down detonaram. Até a Amy Lee e Cia foram melhores que algumas atrações principais. Axl Rose? Aquilo no palco do último dia do festival era uma sombra distorcida, corrompida e sem um pingo de inspiração artistíca. O que eu não entendo é como atrações tão fracas, decadentes e cuspidas foram parar no “maior festival brasileiro de música”, enquanto temos nos próximos meses atrações tão mais resplandecentes. Faith no More está prestes a desembarcar no país, Eric Clapton e Machine Head já vieram e dentro de alguns dias teremos também o Pearl Jam. Bom, mas é isso aí né? Se brasileiro tivesse sorte, nascia na Dinamarca. Feito o desabafo, vamos a lista de discos que eu preparei para esse post:

Symphony X – Iconoclast: O symphony X é uma das mais respeitadas bandas de prog metal da atualidade, e é conhecida justamente pela característica mais marcante do seguimento: a técnica. Além disso, o grupo desfila em suas canções uma mistura de peso e melodia sempre, repito, sempre primando pela técnica. Comentarei aqui o mais recente lançamento da banda, “Iconoclast”, que saiu em junho deste ano. Seguindo a mesma linha de seu antecessor “Paradise Lost”, de 2007, o albúm vem com proposta mais “dark” tanto na temática, que fala da relação do homem com as máquinas, quanto no som. A bolacha abre com a poderosa faixa título “Iconoclast”, aliás, como tem que ser em um disco do Symphony X. Com pouco mais de dez minutos, esta canção tem todos os elementos que caracterizam a banda. A segunda música, “End of Innocence”, é bem menos épica, mas compensa na pegada. O riff de guitarra principal guia e perpassa toda a canção com peso na medida certa. Um refrão carismático e cativante também faz desta uma das melhores canções do disco. Já “Dehumanized” é um pouco mais fraca, mas tem um bom riff nas estrofes, cadenciado e agradável. Aqui fica uma dica: de maneira geral, quando uma música do Symphony X te decepcionar, preste atenção no poderoso gogó de Russell Allen.Vai valer a pena.”Bastards of the Machine”, a quarta faixa, é seguramente a melhor, um verdadeiro tributo a inteligência musical. Destaque para a fantástica construção dos solos de guitarra e teclado, para o refrão nervoso e para a voz de Russell Allen. Quanto a “Heretic” e “Children of a Faceless God”, as duas próximas músicas, são um tanto quanto comuns e padronizadas, mas o padrão da banda é alto, muito alto, então, isso acaba sendo bom. A sétima canção,”Electric Messiah”, é veloz e furiosa e chega levantando tudo para cima de uma vez. A banda soube muito bem alternar entre as músicas pesadas e as mais trabalhadas. Este é o caso de “Prometheus (I am alive)”, milimetricamente projetada para ser uma canção de prog metal, com diversos altos e baixos, construções musicais complexas e com Russell Allen matando a pau novamente. O modo como ele canta as primeiras frases chega a dar medo, uma fúria espantosa estampada na voz do rapaz. A última canção é “When All is Lost” e começa com uma linda melodia no piano que vai evoluindo na intensidade. A soma dos outros instrumentos, principalmente dos fraseados da guitarra de Michael Romeo, faz com que a canção vá se tornando cada vez mais interessante. Uma balada muito bem trabalhada, com vários momentos distintos e com uma qualidade muito boa. A versão especial do disco conta ainda com 3 músicas bônus, a melódica e rápida “Light Up the Night”, a fraca “The Lords of Chaos” e a montanha russa rítmica “Reign in Madness”.

Machine Head – The Blackening: Poderiamos resumir o albúm todo em uma conta muito simples: porrada + porrada e + porrada. Lançado em 2007, “The Blackening” foi considerado, com razão aliás, o melhor disco de trash metal em mais de 15 anos. Sim, afinal, os últimos bons discos do genêro foram lançados na década de 80 pelas poderosas e cultuadas bandas do estilo na época. O Machine Head, formado posteriormente, não é desta “safra” e por isso é notável que depois de tantos anos conceba uma obra cuja característica principal seja justamente a até então perdida pegada trash metal, que tanto encantou e emocionou os bangers no passado. Analisando música por música, o disco começa com a inexplicável “Clenching the Fists of Dissent”, uma canção que pode ser descrita como um vai e vem quase enloquecedor de mudanças de temas, timbres e velocidade. Simples assim. “Beautiful Morning” é outra pedrada, rápida e violenta que, aliás, escancara uma das características mais fortes da banda, duramente criticada por muitos, mas que para mim é um ponto positivo, a variação vocal de Rob Flynn. Riffs e mais riffs numa sequência alucinante. A terceira canção, “Aesthetics of Hate”, é ódio puro. Preste atenção em sua letra, um protesto às declarações de um jornalista sobre o falecido guitarrista do Pantera, Dimebag Darrell. Musicalmente, eu ressalto novamente a monstruosa variação rítmica presente na obra inteira, prova disso é o fim desta canção, onde a banda cria uma atmosfera sombria, uma especie de ‘mantra do mal”. Muito bom. E inovador também. Aliás, é de forma inovadora que vem “Now I Lay Thee Down”, uma peça repleta de ousadia que vai lentamente desfilando outros temas, o peso aumentando e a velocidade também, para depois retornar a ideia inicial. “Slanderous” também se destaca, com seus poderosos riffs de guitarra e uma levada na bateria que cansa só de ouvir. Uma canção um pouco diferente é “Halo”, com uma proposta mais progressiva, vai gradativamente aumentando seu poder para culminar em um refrão melódico e bonito. Finalmente, “Wolves” poderia ser descrita como uma das melhores músicas de trash metal da história, e a derradeira “A Farewell to Arms”, com seus altos e baixos, um final adequado a este grande albúm.

System of a down – Steal this album: Ah sim, depois daquele extenso desabafo sobre o Rock in Rio no começo do texto, eu não poderia deixar de comentar pelo menos um disco de uma das bandas participantes do festival. Já falamos muitas vezes do System of a Down aqui no blog, mas é a primeira vez que eu vou comentar um disco deles. Optei por um albúm não muito conhecido, o Steal this Album, de 2002. O que era para ser inicialmente um disco de sobras de gravação, tornou-se um dos melhores discos da carreira da banda (na minha opinião, é claro). O título é uma brincadeira/referência ao livro de Abble Hoffman intitulado “Steal this Book”. Quanto a música, o album é pesado, violento e poderoso. Colocar o System of a Down dentro de um rótulo genérico, como muitos fazem ao chamá-lo de nu metal, é um erro. A banda é inovadora e faz algo único. Misturando música pesada muito bem tocada, letras de alto teor político e um certo tempero do oriente, a banda desfila canções que vale a pena serem ouvidas como “Innervision”, “Bubbles” e “Nuguns”. É difícil falar das canções isoladamente, mas podemos identificar algumas por suas características, “I-E-A-I-A-I-O” é a mais envolvente, “Boom!” e “Fuck the System” as mais políticas. Merecem destaque ainda “Chic N’ Stu” e “Streamline”.



6 comentários

Filed under cultura, opinião

A tinta vermelha… discurso de Zizek no Occupy Wall Street.

Essa semana um dos caras mais sensatos da atualidade discursou num dos movimentos mais sensatos da atualidade. Falo de Slavoj Zizek e do Occupy Wall Street. Zizek é velho conhecido aqui do blog, não é difícil encontrar comentários e citações dele por aqui. O Occupy  Wall Street é um movimento semi-organizado de protesto contra o sistema financeiro tubarãozistico e selvagem em que estamos afundados, e que conta com milhares de protestantes que estão acampados na Wall Street, e em vários outros centros financeiros pelo mundo. Sem querer querendo, literalmente, esse pessoal está conseguindo dar animo à esquerda mundial e livrando-a de velhos paradigmas ultrapassados.

Sem mais delongas, vamos ao discurso, acreditem, é lindo!

“Não se apaixonem por si mesmos, nem pelo momento agradável que estamos tendo aqui. Carnavais custam muito pouco – o verdadeiro teste de seu valor é o que permanece no dia seguinte, ou a maneira como nossa vida normal e cotidiana será modificada. Apaixone-se pelo trabalho duro e paciente – somos o início, não o fim. Nossa mensagem básica é: o tabu já foi rompido, não vivemos no melhor mundo possível, temos a permissão e a obrigação de pensar em alternativas. Há um longo caminho pela frente, e em pouco tempo teremos de enfrentar questões realmente difíceis – questões não sobre aquilo que não queremos, mas sobre aquilo que QUEREMOS. Qual organização social pode substituir o capitalismo vigente? De quais tipos de líderes nós precisamos? As alternativas do século XX obviamente não servem.

Então não culpe o povo e suas atitudes: o problema não é a corrupção ou a ganância, mas o sistema que nos incita a sermos corruptos. A solução não é o lema “Main Street, not Wall Street”, mas sim mudar o sistema em que a Main Street não funciona sem o Wall Street. Tenham cuidado não só com os inimigos, mas também com falsos amigos que fingem nos apoiar e já fazem de tudo para diluir nosso protesto. Da mesma maneira que compramos café sem cafeína, cerveja sem álcool e sorvete sem gordura, eles tentarão transformar isto aqui em um protesto moral inofensivo. Mas a razão de estarmos reunidos é o fato de já termos tido o bastante de um mundo onde reciclar latas de Coca-Cola, dar alguns dólares para a caridade ou comprar um cappuccino da Starbucks que tem 1% da renda revertida para problemas do Terceiro Mundo é o suficiente para nos fazer sentir bem. Depois de terceirizar o trabalho, depois de terceirizar a tortura, depois que as agências matrimoniais começaram a terceirizar até nossos encontros, é que percebemos que, há muito tempo, também permitimos que nossos engajamentos políticos sejam terceirizados – mas agora nós os queremos de volta.

Dirão que somos “não americanos”. Mas quando fundamentalistas conservadores nos disserem que os Estados Unidos são uma nação cristã, lembrem-se do que é o Cristianismo: o Espírito Santo, a comunidade livre e igualitária de fiéis unidos pelo amor. Nós, aqui, somos o Espírito Santo, enquanto em Wall Street eles são pagãos que adoram falsos ídolos.

Dirão que somos violentos, que nossa linguagem é violenta, referindo-se à ocupação e assim por diante. Sim, somos violentos, mas somente no mesmo sentido em que Mahatma Gandhi foi violento. Somos violentos porque queremos dar um basta no modo como as coisas andam – mas o que significa essa violência puramente simbólica quando comparada à violência necessária para sustentar o funcionamento constante do sistema capitalista global?

Seremos chamados de perdedores – mas os verdadeiros perdedores não estariam lá em Wall Street, os que se safaram com a ajuda de centenas de bilhões do nosso dinheiro? Vocês são chamados de socialistas, mas nos Estados Unidos já existe o socialismo para os ricos. Eles dirão que vocês não respeitam a propriedade privada, mas as especulações de Wall Street que levaram à queda de 2008 foram mais responsáveis pela extinção de propriedades privadas obtidas a duras penas do que se estivéssemos destruindo-as agora, dia e noite – pense nas centenas de casas hipotecadas…

Nós não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que merecidamente entrou em colapso em 1990 – e lembrem-se de que os comunistas que ainda detêm o poder atualmente governam o mais implacável dos capitalismos (na China). O sucesso do capitalismo chinês liderado pelo comunismo é um sinal abominável de que o casamento entre o capitalismo e a democracia está próximo do divórcio. Nós somos comunistas em um sentido apenas: nós nos importamos com os bens comuns – os da natureza, do conhecimento – que estão ameaçados pelo sistema.

Eles dirão que vocês estão sonhando, mas os verdadeiros sonhadores são os que pensam que as coisas podem continuar sendo o que são por um tempo indefinido, assim como ocorre com as mudanças cosméticas. Nós não estamos sonhando; nós acordamos de um sonho que está se transformando em pesadelo. Não estamos destruindo nada; somos apenas testemunhas de como o sistema está gradualmente destruindo a si próprio. Todos nós conhecemos a cena clássica dos desenhos animados: o gato chega à beira do precipício e continua caminhando, ignorando o fato de que não há chão sob suas patas; ele só começa a cair quando olha para baixo e vê o abismo. O que estamos fazendo é simplesmente levar os que estão no poder a olhar para baixo…

Então, a mudança é realmente possível? Hoje, o possível e o impossível são dispostos de maneira estranha. Nos domínios da liberdade pessoal e da tecnologia científica, o impossível está se tornando cada vez mais possível (ou pelo menos é o que nos dizem): “nada é impossível”, podemos ter sexo em suas mais perversas variações; arquivos inteiros de músicas, filmes e seriados de TV estão disponíveis para download; a viagem espacial está à venda para quem tiver dinheiro; podemos melhorar nossas habilidades físicas e psíquicas por meio de intervenções no genoma, e até mesmo realizar o sonho tecnognóstico de atingir a imortalidade transformando nossa identidade em um programa de computador. Por outro lado, no domínio das relações econômicas e sociais, somos bombardeados o tempo todo por um discurso do “você não pode” se envolver em atos políticos coletivos (que necessariamente terminam no terror totalitário), ou aderir ao antigo Estado de bem-estar social (ele nos transforma em não competitivos e leva à crise econômica), ou se isolar do mercado global etc. Quando medidas de austeridade são impostas, dizem-nos repetidas vezes que se trata apenas do que tem de ser feito. Quem sabe não chegou a hora de inverter as coordenadas do que é possível e impossível? Quem sabe não podemos ter mais solidariedade e assistência médica, já que não somos imortais?

Em meados de abril de 2011, a mídia revelou que o governo chinês havia proibido a exibição, em cinemas e na TV, de filmes que falassem de viagens no tempo e histórias paralelas, argumentando que elas trazem frivolidade para questões históricas sérias – até mesmo a fuga fictícia para uma realidade alternativa é considerada perigosa demais. Nós, do mundo Ocidental liberal, não precisamos de uma proibição tão explícita: a ideologia exerce poder material suficiente para evitar que narrativas históricas alternativas sejam interpretadas com o mínimo de seriedade. Para nós é fácil imaginar o fim do mundo – vide os inúmeros filmes apocalípticos –, mas não o fim do capitalismo.

Em uma velha piada da antiga República Democrática Alemã, um trabalhador alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que todas as suas correspondências serão lidas pelos censores, ele diz para os amigos: “Vamos combinar um código: se vocês receberem uma carta minha escrita com tinta azul, ela é verdadeira; se a tinta for vermelha, é falsa”. Depois de um mês, os amigos receberam a primeira carta, escrita em azul: “Tudo é uma maravilha por aqui: os estoques estão cheios, a comida é abundante, os apartamentos são amplos e aquecidos, os cinemas exibem filmes ocidentais, há mulheres lindas prontas para um romance – a única coisa que não temos é tinta vermelha.” E essa situação, não é a mesma que vivemos até hoje? Temos toda a liberdade que desejamos – a única coisa que falta é a “tinta vermelha”: nós nos “sentimos livres” porque somos desprovidos da linguagem para articular nossa falta de liberdade. O que a falta de tinta vermelha significa é que, hoje, todos os principais termos que usamos para designar o conflito atual – “guerra ao terror”, “democracia e liberdade”, “direitos humanos” etc. etc. – são termos FALSOS que mistificam nossa percepção da situação em vez de permitir que pensemos nela. Você, que está aqui presente, está dando a todos nós tinta vermelha.”

 

Blog da Biotempo, originalmente publicado!

 

http://boitempoeditorial.wordpress.com/2011/10/11/a-tinta-vermelha-discurso-de-slavoj-zizek-aos-manifestantes-do-movimento-occupy-wall-street/

13 comentários

Filed under bom gosto, opinião

Marco Aurélio, Cezar, e a suruba calígulariana na Roma Tupiniquim… por Murilo.

Eu não gosto quando o blog toma um tom jornalístico mas as vezes a gente se obriga a fazer o que não gosta por indignação. Por “tom jornalístico” entenda-se “comentário de notícias”. E semana passada (26/09 a 02/10/2011) a política brasileira, sempre tão fértil em matéria de desgraças, nos agraciou com mais algumas sobras sobre o nosso futuro. A bola da vez é o judiciário – ou talvez, seja ignorância minha, e eles é que sejam os “donos da bola”.

Com a economia mundial em crise e a brasileira desacelerando, o governo brasileiro milagrosamente resolve cortar gastos públicos – o que, se por um lado é um milagre em se tratando de governo brasileiro que sempre gastou muito mais do que devia, por outro lado começou muito mal, cortando verba da educação, o que não é corte de gastos e sim de investimentos. Porém, quando o governo acerta e resolve vetar o aumento de salários do Estado, os demais poderes cagam para a conjuntura, e resolvem legislar em causa própria, vivendo em seu próprio mundo, separados da realidade. Se aprovado, o projeto de Lei 6613/09 deve causar um impacto de 7,3 bilhões no orçamento a partir do ano que vem. E esse impacto é só o início, porque não deve levar nem um dia a mais nem um a menos para que o congresso e os funcionários do executivo peçam equiparação salarial por respeito ao princípio de isonomia. (Igualdade para e entre eles, Fraternidade entre os mesmos, e Liberdade para eles). http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/projeto-multiplica-supersalarios-no-judiciario/

Agora pergunta-se aos beneficiados: esta difícil de passar com R$ 27.000,00 por mês? Tente passar com R$ 900,00 por mês como faz a maioria dos professores desse país. O que um safado desses ganha por dia um professor ganha por mês!

E a safadeza não parou por aí. Nessa semana mesmo – dando a impressão de seguirem aquele princípio maquiavélico, ainda que distorcido, de causar o malefício todo de uma vez só aos súditos – o supremo tenta acabar com o poder do CNJ (Conselho nacional de justiça) de fiscalizar a atuação dos magistrados. Por mais que as penas aplicadas pelo CNJ aos corruptos soem mais como piadas do que como punições (“Aposentadoria Compulsória”; se você for pego roubando no jogo você não pode mais jogar, continua recebendo do estado, continua em liberdade, mas não pode mais vestir toga, nem ir no tribunal, nem trabalhar com carteira assinada…), ainda assim elas conseguiram afastar do esquema, desde 2005, pelo menos 49 magistrados. Agora o supremo resolveu acabar com isso e voltar ao antigo sistema de “auto-correção” ( A própria classe vai se investigar, muito eficiente…) que já tinha sido posto de lado justamente por conta do corporativismo instituído que reinava na justiça brasileira. http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-supremo-e-o-futuro-do-cnj-,777561,0.htm

Só para constar, os dois maiores trampas por trás dessa verdadeira suruba com o dinheiro dos brasileiros e com a justiça brasileira (termo que cada vez mais designa um conceito vazio) tem nome e sobrenome: Marco Aurélio Mello e Cezar Peluso, os “cabeças” do Judiciário – talvez por conta do trauma de seus nomes eles tenham essa propensão anti-democrata de passar por cima das necessidades do povo e de não admitir fiscalização externa; astrólogos poderiam confirmar essas disposições inatas através de uma leitura do mapa astral deles. Qual o problema? Quem acredita na justiça brasileira não vai ter muitos problemas para acreditar em astrologia… Assim como em Papai Noel, Coelho da Páscoa, Mano Menezes, etc…

Ministros rindo. DA SUA CARA!!!

 

29 comentários

Filed under opinião

O Sequestro de Gaza… por Murilo.

Bandeira da Organização das Nações Unidas

Faz muito pouco tempo tive o prazer de ler um artigo do filósofo estadunidense, linguista, professor do MIT, colunista do The New York Times e intelectual Sem Terra nas horas vagas, Noam Chomsky (1928 – …) sobre o, talvez eterno, conflito entre Israelenses e Palestinos. (“Em Israel, um tsunami.” ; Chomsky, Noam – Revista Filosofia – Editora Escala – Ano V – N°61). O texto a seguir é um resumo/comentário do artigo.

O artigo começa com a declaração de um magnata israelense temeroso que se o Estado Palestino for reconhecido pela ONU, Israel possa sofrer uma “Sul-Africanização”, fazendo menção à época do aparteid e as sanções sofridas pela Africa do Sul por conta da segregação e desumanidade de sua política. No começo deste ano, o Ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, declarou que o efeito de um possível reconhecimento aos palestinos pela ONU seria o mesmo de um ‘Tsunami’, o que justifica o título do artigo. O temor é de que o mundo condene Israel por violações à Leis Internacionais, e por crimes cometidos por um Estado reconhecido pela ONU, o que torna a coisa muito mais grave.

Alguns pontos são interessantes serem ressaltados: primeiro, mais de cem países já reconheceram a Palestina e muitos dos que não reconheceram formalmente, como França e Reino Unido por exemplo, destinam uma série de papéis diplomáticos a delegações palestinas que só são dados a Estados reconhecidos. Segundo, o maior aliado israelense na luta contra o reconhecimento são os EUA, que chegam às reuniões de setembro agora na ONU com uma séria crise econômica e política, o que o pode levar a perder força nas negociações com países que são a favor da criação do Estado Palestino. Outro ponto interessante é o modo como Ehud Barak e o magnata do parágrafo anterior tratam a questão: como se a culpa pelo desastre que aconteceria a Israel, se o Estado Palestino fosse reconhecido, fosse da ONU e não da política desumana desenvolvida pelo país.

O temor israelense de sofrer sanções se justifica porque “Em fevereiro de 2006, os EUA e Israel impuseram um cerco a Gaza depois que o “lado errado” – Hamas – venceu as eleições na Palestina, reconhecidas internacionalmente como livres e justas” Chomsky. Em 2007, os EUA apoiaram uma tentativa de golpe militar na Palestina, que fracassou, e a partir de então o cerco a Gaza endureceu. Nem mesmo ajuda humanitária pode entrar em Gaza, o que levou diversos organismos de ajuda internacional, como por exemplo a cruz vermelha, a condenar formalmente Israel e Estados Unidos. “O cerco criminoso é uma extensão da politica dos EUA e de Israel, imposta desde 1991, para separar Gaza da Cisjordânia, garantindo que o estado palestino fosse, de fato, cercado por potências hostis – a ditadura de Israel e Jordânia.” Chomsky. Cercada e isolada do resto do mundo, Gaza encontra-se sequestrada, o que nos leva a perguntar se não se trata de uma ação terrorista do Estado de Israel, assim como os sequestros de jornalistas e diplomatas feitos por grupos terroristas árabes.

Em 2010, uma “Flotilha da Liberdade”, organizada por ongs Free Gaza, tentou furar o bloqueio e levar ajuda humanitária, mas foi atacada por comandos israelenses ainda em águas internacionais e nove de seus tripulantes foram assassinados; um ato criminoso, severamente condenado pela maioria dos países do mundo, à exceção, é claro, de EUA e Israel: “Em Israel, a maioria das pessoas está convencida de que os comandos foram vítimas inocentes, atacadas pelos passageiros, que é outro sinal da autodestrutiva irracionalidade que permeia a sociedade israelense.” Conta Chomsky. Nos EUA, a Secretária de Estado – e corna mansa nas horas vagas – Hillary Clinton, disse achar legítimo que israelenses se defendam contra quem provoca ações em suas águas, por mais que se trate de águas internacionais e/ou de Gaza, como se Gaza pertencesse a Israel, e como se oferecer ajuda humanitária fosse uma ação como é uma ‘ação terrorista’.

Para terminar, gostaria de apresentar alguns números divulgados pela Agência da ONU para Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo: 95% da água de Gaza é imprópria para consumo; 40% das doenças em Gaza são transmitidas pela Água; 45% da força de trabalho em Gaza está desempregada; 80% das pessoas dependem de auxílio humanitário. Auxílio esse que não chega – a cerca de 1,5 milhões de pessoas – por conta do bloqueio imposto por EUA e Israel a uma democracia que eles não aceitam – a vontade do povo só deve ser respeitada se for a mesma vontade de quem tem o porrete na mão, ou, como diz Chomsky: “Iniciativas diplomáticas como a estratégia de Estado Palestino, e ações não violentas (como as “Flotilhas”) ameaçam aqueles que tem o monopólio virtual da violência.” Não parece uma estranha, cruel e sanguinária ironia do destino que justamente Israel, o Estado Judeu, esteja promovendo um holocausto humanitário, e esteja negando o direito de um povo de ser reconhecido como tal? O pessoal pró-Palestina esta empolgado na reunião da ONU, resta saber se, caso reconhecido o Estado Palestino, a Organização das Nações Unidas vai realmente fazer o que se espera dela ou vai ser conivente com mais um atropelamento seu, como foi no caso das armas de destruição em massa da guerra do Iraque e no caso Bin Laden.

Bandeira da Organização das Nações Desunidas

8 comentários

Filed under opinião

Top 5: para onde poderia ir Muammar Khadafi? por M. Drugba

Há algum tempo percebi que nós aqui do Opinião abandonamos completamente os textos em forma de lista. Bem, tendo isso em mente, e frente aos recentes acontecimentos internacionais, especificamente as manifestações populares no Oriente Médio e na África, decidi organizar uma lista para tentar responder uma importante questão: para onde poderia ir o recém deposto ditador líbio? Para isso, tentei levar em consideração os cenários políticos nacional e internacional, assim como suas peculiaridades, ironias e nuances. Sim, para aqueles que acham que um bom ditador, a moda antiga mesmo, não tem mais lugar no mundo moderno em que vivemos, provarei aqui que ele não só tem para onde ir, como tem um bom número de opções. Vejamos:

01 – Dar suporte a alguma outra ditadura na África. Esta opção na verdade é a mais óbvia. Enquanto todos estão interessados no novos velhos vilões do mundo, os ditadores ÁRABES, a África negra está lá, como sempre, largada e esquecida. Sendo assim, ninguém irá prestar atenção em Khadafi se ele estabelecer um novo reino de terror no continente africano, ou ainda, ajudar as dezenas de ditaduras já estabelecidas na parte menos visada daquele continente.

02- Ele poderia vir para o Brasil e candidatar-se a um cargo público. Esta opção de fato oferece muitos benefícios. Digamos que o ex-ditador ( podemos tratá-lo a partir de agora como “candidato” ) se estabeleça em algum lugar no Nordeste do nosso encantador país. Ele teria seu próprio feudo, assim como na Líbia, e ainda teria algumas vantagens: a tranquilidade e a edificante sensação de impunidade, sem ninguém para perturbar, afinal, os políticos brasileiros, com todos os seus benefícios, estão muito melhores do que os visados ditadores cruéis e sanguinolentos do oriente.

03 – Ser o diretor de uma grande companhia comercial. Evidente não? Empresas como o McDonald’s e a Nike certamente contratariam um profissional dinâmico e competente como Khadafi.

04 – Ir para a Inglaterra e se casar com a rainha Elizabeth II. Pensem bem meus caros, teríamos mais um majestoso casamento real, cheio de pompa e circunstância. Além disso, assim como no caso do Brasil, ele estaria ileso, afinal, monarquias européias medievais são permitidas neste estranho mundo moderno do século 21, ao contrário das maléficas ditaduras orientais.

05 – Realmente eu acho que o Brasil é um bom lugar para um cara como Khadafi. Alternativamente poderíamos colocá-lo aqui para diversas outras funções além da política: dirigente de clube de futebol, investidor ligado as obras da Copa do Mundo de 2014, escritor membro da Academia Brasileira de Letras, entre muitas outras.

9 comentários

Filed under listas, opinião