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A Mensagem básica… Por Murilo!

É só não ligar a tv

 

A Rede Globo de Comunicações nunca foi uma entidade a ser respeitada por qualquer pessoa com o mínimo de senso crítico saudável, porém, ultimamente tem se esforçado muito em baixar o seu próprio nível; o que pensávamos ser impossível. Desde a cobertura esportiva e jornalística que nos brinda todos os dias com o mais clássico dos paradoxos da ideologia: o ser claro e indireto – as tendencias políticas e regionais estão lá para todo mundo ver¹, mas que são negadas em um discurso direto – até a produção de peças de “entretenimento”, que conseguiram até ter alguma qualidade a ser reconhecida em minisséries do passado; tudo tem se tornado, ou pelo menos se revelado, o mais alto dos desserviços à cultura nacional.
Dadas as exigências do formato de um blog, vou me concentrar somente em algumas das mensagens básicas das últimas produções globais. Primeiro, o caso do pseudo-estupro do BBB (Big Bosta do Bial). Primeiro se anunciou que um dos participantes infringiu uma regra do programa, a regra era “Não farás sexo!”, como se expulsou só um participante, subentende-se que a outra envolvida na história não consentiu, e portanto, foi estuprada; o que foi desmentido pela participante em depoimento; tudo muito estranho, e várias questões surgem: “Foi um golpe de marketing do Bial?”, “um golpe estratégico do moçoila para expulsar o concorrente?”, “uma tentativa de conseguir um patrocínio da Jontex?”, “Por que a moça, que assumiu o consentimento da gratinada, não foi expulsa também?” Mas minha questão aqui é a seguinte: confina-se uma série de casais, todas pessoas atraentes, faz-se uma série de festas na casa regadas à champanhe, lap dance e pouca roupa, e ainda, colocam entre os participantes uma produtora de filmes eróticos e um homossexual, que por seu trato com a sexualidade são reprimidos pela sociedade, e que por conta desse caráter polêmico, geram assunto; há toda uma insinuação e um incentivo ao sexo, e um esforço por trazer à tona tensões sexuais, porém, não se pode fazer sexo, isso é, vende-se o espetáculo da intimidade alheia mas veda-se o verdadeiramente íntimo; a mensagem básica aqui é mais um verso do mantra pós-moderno da coisa sem a coisa: é a realidade editada, a intimidade não íntima, a cerveja sem álcool, o sorvete sem gordura, o café descafeinado, o protesto sem violência, a revolução sem terror, enfim, a substância dessubstanciada que permite a tudo que é sólido se desmanchar no ar, como alguém já disse…
Outro caso claro de manipulação ideológica sem vergonha é a série “Dercy de Verdade”; o título já entrega o jogo. “Esqueça tudo que você ouviu falar sobre Dercy Gonçalves. Todos conheceram a “obra” de Dercy, mas nós da Globo à conhecemos além disso e vamos mostrar agora, ela mesma, de verdade!” Qualquer brasileiro com mais de 20 anos de idade sabe algo sobre Dercy Gonçalves, nem que seja só que ela era “A veia louca que falava palavrão no Faustão”; mas ela foi sim uma das mais “punks” e “porra-louca” atrizes desse país. Falava o que queria, quando queria, cagava para uma série de convenções sociais e, claro, soube usar isso em favor de seu bolso, o que se não é nobre, pelo menos lhe garante algum espaço para trabalho e alcance da sua mensagem, e além do mais, essa “falta de nobreza” revela mais sobre nossa sociedade do que sobre o caráter dela.  Porém, a imagem deixada por ela – “imagem” talvez seja o que de melhor um ator pode deixar à posteridade – era de uma mulher subversiva e autêntica, aliás, foi o que fez a Globo contratá-la e deixá-la na “geladeira” por quase toda sua vida. E a imagem era tão perturbadora que só o congelamento da véia e sua morte não foi suficiente para amaciar o travesseiro dos defensores da moral e dos bons costumes; era preciso dessubstanciar a imagem mesma! A mensagem básica aqui é: ela passou a vida inteira construindo e se apoiando numa imagem de porra louca subversiva, mas no fundo (isso é, na nova imagem que a globo montou), ela era uma mulher batalhadora apegada, ainda que a seu modo, aos valores da família e era um belo ser humano, eis a verdade sobre Dercy Gonçalves. Portanto, esqueçam sua velha imagem, e acomodem-se de volta em sua vidinha normal e “verdadeira”. Ou ainda, de forma mais atômica: “Esqueçam essa de subversão e voltem a pastar!”
Já no caso de “O Brado Retumbante” e da novela das nove a coisa é um pouquinho diferente. Trata-se do elemento sorte. A situação econômica do pobre só melhora por sorte e a situação política do país só pode melhorar na cagada.² Novelas nunca foram boas, mas sem dúvida “Fina Escrota” é a pior das que minha sogra, veladamente, me obrigava a ver. Ela toda é um pavor estético feito da colagem de esteriótipos patéticos. A mensagem básica é: melhorar de vida é ganhar dinheiro. Griselda já era moralmente bem formada, mas só se torna feliz quando ganha na loteria e foge da comunidade pobre para o condomínio de luxo. A novela é feita claramente para atingir a classe C emergente no país, e tudo se passa como se esta fosse composta desses esteriótipos ridículos e como se ela fosse emergente por pura sorte, e não por conta de seu trabalho e outras situações políticas e sociais que a Globo tenta a todo custo fingir que não existe.
O Brado Retumbante vai mais ou menos na mesma linha. O personagem central – uma mistura raríssima da ingenuidade da esquerda universitária, com a manipulabilidade de um Severino Cavalcanti, o discreto charme direitista ligth de um Aécio Neves e a pseudo-malandragem de um populista – vira presidente da república por sorte. Pode-se usar como desculpa para a caracterização bizarra do personagem uma possível imparcialidade mas a história revela o contrário. A mensagem básica aqui pode ser bastante variada: desde um lamento carpideiro do tipo “Ah se fosse um Aécio no lugar do Severino, a gente tinha dado um jeito no Lula.”, ou então uma dica “Ponham um Aécio lá que a gente da um jeito de acidentar a  Dilma e o Temer .” Minha mensagem eleita para o texto é a seguinte: o país pode melhorar (para Globo, é claro) mas não com o executivo que está aí! Aliás, como o nobre Zizek assombra todo esse texto, vale a pena citá-lo: “Na Fenomenologia do Espírito, Hegel menciona a “silente tecedura do espírito”: o trabalho secreto de mudança das coordenadas ideológicas, predominantemente invisíveis aos olhos do povo, que de repente explodem e pegam todos de surpresa.” E engordando essa  “silente tecedura do espírito” temos ainda a famigerada foto, que foi sucesso absoluto entre os conservadores e os mais babacas dos leitores do Estadão, da presidente Dilma sendo “atravessada” por uma espada militar em frente ao Palácio do Planalto; foto que revela o desejo oculto e o crescente ódio à democracia nos quadros conservadores do país, “não basta só derrubar o eleito, temos de matá-lo” pensa a elite. Mudança das coordenadas ideológicas ou mera coincidência? Bom, eu já passei da fase de acreditar em coincidências nesse nível…
Dia 25 de Janeiro foi eleito nas redes sociais como o dia sem Globo, pois bem, o que proponho é simples e direto, que todo dia seja um dia sem Globo, ou então, o que também é direto mas nada simples, que façamos o mínimo de esforço interpretativo e crítico daquilo que vemos, e paremos de nos comportar como vegetais perante a TV. Porém, mais que propor um movimento qualquer, a mensagem básica do texto é: preste a atenção às mensagens básicas e deixe de ser ingênuo, o que realmente importa para a vida não vai passar na TV.

1 – Ou não ver, como no caso “Privataria Tucana”. Se bem que nesse caso, o tiro acaba por sair pela culatra, pois o silêncio da grande mídia fala mais que qualquer discurso sobre ela.
2 – Para usar a gíria da malandragem dos anos 90.

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Batatadas de José Serra (Trocando em miúdos)… Por Murilo, o ladrão de blogs…

Só as que eu contei no último debate foram 3. 1-ENEM; 2-AIDS; 3- Ex-presidentes.

1- ENEM: “Porque o governo do PT desmoralizou o ENEM, que foi começado lá no governo FHC”. Essa foi mais ou menos a forma como o tucano se pronunciou sobre o exame nacional do ensino médio no último debate da disputa eleitoral transmitido pela Rede TV no último domingo. De fato o ENEM começou no governo do FHC, porém, o que era o Exame naquela época? Uma prova que estudantes que concluíam o ensino médio faziam, se quisessem, e que tinha como único objetivo avaliar o ensino médio no país. Pois bem, reparem no “se quisessem” da frase anterior. Como ninguém era obrigado, vinham “sugestões” das secretarias de educação dos estados para que as escolas particulares “incentivassem” seus alunos a fazerem a prova, e aos da rede pública nada era sugerido; na verdade quase nada; era-lhes “sugerido”, às direções das escolas, que reforçassem aos melhores alunos que a prova era importante, e aos piores (esmagadora maioria) nada lhes era sugerido, dando a impressão sempre que a prova não “valia” nada. Pois bem, só os melhores alunos faziam a prova, o resultado era satisfatório, o governo federal (do FHC) olhava esses resultados e chagava a brilhante conclusão que a coisa estava andando bem e que os investimentos eram suficientes; e a educação continuava indo para o BURACO – do pobre, obviamente. O governo do PT pegou essa prova e continuou a usando para avaliar o Ensino Médio, só que, deu a ela uma utilidade prática de inclusão social realmente significativa. Hoje o estudante – principalmente o pobre – vê no ENEM um aumento importante nas suas chances de entrar numa universidade. Graças ao Pró-Uni cerca de 700 mil estudantes de baixa renda conseguiram – muitos como pioneiros em suas famílias – entrar numa faculdade, e isso além de dar importância ao ENEM, aumenta a participação dos jovens, o que oferece um retrato muito mais fiel da qualidade do ensino médio no país. Sem contar que, graças a uma melhoria na qualidade da prova em si, várias instituições de ensino usam parte ou toda a nota do ENEM em seus vestibulares. Trocando em miúdos: O ENEM do PSDB era um instrumento de falseamento da realidade do ensino do país, um exame mal caráter simbolo da administração tucana; o ENEM do PT é um instrumento de inclusão social, é “ensinar a pescar” – principalmente o pobre.

2 – AIDS: “O seu governo, o governo do PT, nutre um completo descaso aos pacientes soropositivos no país”. Com um argumento nesse sentido Serra criticou Dilma no Debate. Pelo que li na Folha de São Paulo, dois remédios que fazem parte do coquetel para pacientes com AIDS “Efavirenz” e “Kaletra” tiveram suas patentes quebradas pelo governo federal do PT em 2006 e 2007, o que em última instância significa que eles serão comprados a preços bem menores, o que garante um tratamento mais prolongado ao paciente e uma capacidade de distribuição aumentada para mais pacientes no país; cerca de 100 mil pacientes fazem uso desses remédios. Na época de José Serra como ministro da saúde, falava-se em quebra de patente mas ao negociar com as indústrias estrangeiras o governo FHC sempre aceitava uma redução ridícula do preço e as indústrias multinacionais continuavam a lucrar números astronômicos com o sofrimento de brasileiros. Trocando em miúdos: nunca um presidente e um ministro usaram a saúde de forma tão demagógica quanto FHC e José Serra. Se no governo do PT – e aqui cabe uma crítica forte – o investimento direto em saúde não foi nem um pouco bom, porém é igualmente verdade que por causa de medidas auxiliares a qualidade de vida da população melhorou muito em comparação com o governo anterior de FHC.

3 – Ex- Presidentes: “Eu tenho do meu lado Itamar Franco e Fernando Henrique; ela, a Dilma, tem Sarney e Fernando Collor; comparem por aí o meu pessoal com o dela”. Pois bem sr. José Serra, concordo com o Sr. que a aliança com o Sarney é uma das coisas mais execráveis que o governo do PT fez nesses oito anos, mas vamos e venhamos que a venda da alma do PT ao PMDB tem muito de culpa da oposição ignorante e cega que o Sr. representa, sem o PMDB o PT não tem governabilidade simplesmente porque a oposição não analisa os projetos do país com consciência e pensando em acabar com a desigualdade social, obrigando assim o governo a se aliar com partidos sem alma para poder governar ( o que, se não desculpa, justifica pelo menos); e além disso o Sr. “sem vergonhamente” não cita que há um terceiro presidente apoiando a Dilma, um tal de Lula que cometeu o pior dos “crimes” políticos no Brasil: lutar contra a desigualdade social, crime pelo qual dificilmente será perdoado pela nossa classe média “dona florindesca” brasileira (que “não se mistura com a gentalha”). E mais ainda,o Sr. não esclareceu como o glorioso Itamar virou presidente: sendo vice do Collor que o Sr. critica na mesma frase em que se orgulha de Itamar; quer dizer que o Itamar era um e agora é outro? Sei não, algo me lembra a expressão “Maria vai com as outras”, e nunca é demais lembrar dos escândalos sexuais do velhinho jaguara do Itamar; para uma campanha cada vez mais conservadora e moralista como a do PSDB, se o povo valoriza-se sua história minimamente, o tio do fusca seria um aliado caro a Serra. E por último, gostaria de saber por que a atual campanha do PSDB faz um uso tão modesto do ex-presidente FHC, é sempre uma citaçãozinha ou outra como no caso acima, será que é por vergonha? Bom, eu teria…

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Eleições 2010, por Murilo, o sério…

Domingo tem eleição! A gente acorda cedo, confere os documentos e vai votar. Chega diante da urna e, para aqueles que não apelam levando uma cola, testamos nossa memória lembrando de ordenar por uma operação simples uma porrada de números e, no fim, confirmar e ouvir aquele barulhinho característico da urna que uns acham simpático e outros acham irritante. Além desse exercício de memória a eleição pede um outro, mais importante, que deve interferir decisivamente na escolha dos números a serem lembrados, números esses que remetem a candidatos e partidos, muitos dos quais já estiveram no poder e tiveram oportunidade de fazer o que propõem hoje. Sendo assim, tentarei dar minha modesta colaboração a esse pleito rememorando de maneira pouco detida e obviamente limitada alguns aspectos dos últimos dezesseis anos de querela partidária tupiniquim.

Em 1994 assumiu o poder um grupo político social democrata encabeçado pela figura de um grande sociólogo desse país, o glorioso Fernando Henrique Cardoso, que realizou um projeto fantástico, que se tornou um dos pilares do atual crescimento do país e que deu estabilidade a uma economia completamente arrasada por planos bisonhos do passado. Esse projeto foi o “Plano Real”. Acredito que até hoje se deve agradecer a F.H.C pelo plano real, querendo ou não, suas bases dão estabilidade à economia e permitem que a mesma cresça. A população, diante das beneficies desse plano, votou por uma continuidade desse grupo no poder, ignorando mesmo o fato desse governo que, com uma maioria histórica no congresso que permitiria trabalhar e aprovar várias das reformas necessárias para um aumento real da qualidade de vida do país, preferiu usar essa maioria para aprovar a emenda constitucional da re-eleição. Re-eleito, esse grupo tratou de estragar o que tinha em mãos com privatizações trágicas; projetos sociais completamente incapazes de gerar benefícios ao país; apoio aos banqueiros e a políticas de especulação fracas que tornaram uma economia que tinha tudo para engrenar, numa dependente e endividada. Essa conjuntura toda começou a indicar uma derrocada, até mesmo, do ‘blindadíssimo’ “Plano Real”. A inflação voltou a ter dois dígitos e a caminhar a passos largos para voltar a ser o que era; a moeda antes forte, enfraqueceu dado o nível de dependência externa da economia, e chegou a tal ponto que qualquer crise localizada em qualquer parte do globo afetava a nossa, como foi o caso das crises japonesa e russa (que fizeram o dólar disparar dentro do Brasil!). Enfim, como uma vaca leiteira fantástica e ao mesmo tempo cega, o governo PSDB deu 50 litros de leite e chutou o balde no fim do dia, criou a salvação da economia brasileira e tratou de estragá-la em seguida.

Vendo esse cenário, e ainda, consciente do desprezo completo dos problemas sociais das camadas populares menos favorecidas, o povo elegeu Lula com a promessa de salvação da economia com a participação das camadas esquecidas pelo governo anterior. Nos primeiros quatro anos o governo Lula, com o perdão da palavra forte, salvou a economia, tirou-a de uma taxa de decrescimento de aproximadamente -1% ao ano e a pôs a crescer algo perto de 5% ao ano. Salvou o “Plano Real” de virar “Plano Ilusório” valorizando de novo a moeda (um dólar que valia quatro reais hoje vale perto de um e setenta). Pagou a dívida externa e criou uma reserva nacional que possibilitou a blindagem da economia em tempos de crise. No social, bem ou mal, criou programas que trouxeram benefícios ao país. Se o “Bolsa Família” de fato não ensina a pescar também não dá o peixe, e sim o dinheiro para se comprar o peixe, e assim, com milhões comprando peixe a mais do que o normal, a produção de peixe necessita aumentar, e o produtor do peixe precisa contratar mais gente para dar conta e o país, ainda que de modo torto, cresce e se fortalece internamente*. Com a nada modesta cifra de 24 milhões de pessoas saindo da miséria absoluta e outras 36 milhões de pessoas saindo da pobreza, o governo Lula tem hoje o número fantástico de 80% de aprovação da população. Com esses números ainda em estágio nascente o governo Lula se re-elegeu e deu continuidade a esse projeto até alcançar os números apresentados. O que diferenciou o primeiro do segundo mandato foi colocação do Brasil e da figura de Lula no exterior. Uma nação que antes era tratorada em rodadas de negociação pelo mundo a fora, passou a representar um voz importante como economia do futuro ao lado de China, Índia e Rússia; um sujeito que era um reles metalúrgico passou a ser chamado, ouvido e aplaudido em todo o mundo. E nada disso é pouco. Porém, ao longo de todo esse processo dois problemas velhos da política brasileira acompanharam como uma sombra o governo Lula, e feriram quase que mortalmente seu partido, o hoje histórico PT. Corrupção e troca da alma por governabilidade. Escândalos seguidos derrubaram: chefes da Casa Civil (Zé Dirceu e Eunice Guerra), Ministro da Economia (Antônio Paloci) e alguns deputados (“mensalão”). E em troca de uma governabilidade o PT teve de se aliar aos desalmados partidos de centro como o PMDB, PDT, PSB e por aí vai… Casas de “Coronés” históricos como Osmar Diaz, José Sarnei, Ciro Gomes, Fernando Color, Renan Calheiros e por aí vai… O preço político pago pelo partido para proteger o presidente foi alto, nomes como Heloísa Helena, Cristóvam Buarque, Plínio de Arruda Sampaio, Marina Silva e outros petistas históricos perfeitamente capazes de dar continuidade ao projeto de governo e de desenvolvimento do presidente Lula, e ainda por cima, mantendo a popularidade do partido tão alta quanto a da figura de Lula, saíram por razões éticas e, diga-se de passagem, justas, do partido. O PT conseguiu cumprir sua principal promessa de campanha lá de 2002: salvação da economia com a participação das camadas mais pobres, mas para isso vendeu a alma por uma governabilidade necessária para realizar tal empreendimento, e isso não é pouco grave.

Até aqui temos um motivo para votar e um para reprovar os dois principais partidos do pleito. Mas para desempatar a disputa a favor do PT temos o fato do PSDB, além de ter se mostrado um governo elitista e cego, também o foi enquanto oposição; a elite brasileira quase sempre foi situação na história, e a inexperiência enquanto oposição ficou clara nesses últimos oito anos, e o canto do cisne para ela esta sendo o atual pleito. Começando pela escolha do candidato, e chegando à estratégia de campanha. O José Serra consegue ter menos carisma que a Dilma que tem menos carisma que o Sr. Burnes dos Simpsons. Além do mais, os “gênios” do PSDB, tentando pegar carona na popularidade do Lula, tentaram aproximar a imagem de Serra à de Lula. Um baita de um tiro no pé!!! Quem vota num candidato que se diz oposição se esse tenta parecer que concorda com o líder da situação? Essa estratégia até que mudou agora no fim da campanha, mas aí já é tarde. A única justificativa racional para a escolha de José Serra é que ela pode ter sido uma tentativa por parte do marketing do PSDB de aproveitar a onda “Crepúsculo Lua Nova” e usar alguém que parece um vampiro velho, quase o Nosferatu, talvez se eles mudassem o nome do partido, sem mudar a sigla, para “Partido Sangue-suga do Brasil” isso se torna-se mais eficaz… fica a dica aí para o pessoal do marketing do PSDB.

O fato é que o PSDB provou não saber ser governo nem oposição, isso é, provou não saber fazer política partidária, e a elite provou que sem apelar para militares ou forças externas, não consegue comandar. Assim, o que eu quero pedir é, não vote em hipótese alguma no PSDB. Se você quer dar continuidade ao governo Lula vote Dilma, se que se opor ao governo Lula vote Marina, se você quer tentar algo diferente dos outros dois modelos vote Marina. Agora se você assim como eu só quer que o PSDB perca o status de segundo partido do país e seja humilhantemente derrotado, e além disso quer que o país ganhe uma oposição melhor que essa que esta aí para que exista uma frente consciente ao PT que permita que ele recupere sua alma deixando de necessitar do PMDB e outras assombrações, vote Marina ou Plínio, PV e PSOL, se você discorda de tudo o que eu disse, de todos meus pedidos de voto, se é completamente desesperançado com a política partidária, com a democracia brasileira, se você é niilista, vote nulo; só não vote PSDB.

*Alusão a aquele velho e surrado ditado “Não se deve dar o peixe, e sim ensinar a pescar!”.

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