Os Velhos da Internet por Roberto Shiniti

Posted in Filosofia de Butéco (Botéco), opinião, tecnologia with tags , , , on 07/02/2010 by opiniaodesegunda

Quem diria que em menos de 10 anos poderíamos ver já divisões entre quem é antigo e que é novo na internet. Eu sou um dos velhos. Daqueles seres “matusalênicos” que achavam bacana gastar um interurbano para acessar a SulBBS ou acessavam e-mail pelo Telnet. Isso pode ser avaliado pela evolução do internetês.

Várias pessoas mais antenadas já se adaptaram a essa nova geração, outros ainda são receosos.

Rir, por exemplo. Havia, na minha época, o (risos), hehehe, hahahaha e huahauhuahauhau para diversos níveis de humor. Entretnato, parece que o senso de humor das pessoas aumentou. Hoje existe o kkkkkkkkk, o psaosisapisapoisoaiop e a mistura dos dois, o spsksksosapososapsapos. Sem contar no rsrsrsrs, no wefmopwfgnsv e no 23nfw´9nf2849nfdpq.

FaLar ASSiM Tb FiKO NA moda. Mas como eu sou dos antigos, ainda não me acostumei com esse dialeto. Como podem notar, não incorporei a técnica para escrever assim.

Fora o fato de se falar por códigos: G.T.B.K pode se variar em HDLGE100% ou simplesmente 100%FWQ. O domínio dessa técnica pode ser muito importante para S8Z4H9 e coisas do gênero… aposdjfkpoasjdpoasmposamdsapomas!!!! Mais ixcreve km c fla tb dah sertuuuu princip c vc s2 1 pçoa. É s2 na sertaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.

Será tudo isso a maldita pós-modernidade? Talvez. Mas esse debate eu deixo com os filósofos.

Aguarde e confie… por Murisco…

Posted in bom gosto, cultura, listas, opinião with tags , , , , , , , on 21/01/2010 by opiniaodesegunda

Cumprindo perfeitamente com todas as previsões e prazos estabelecidos, eu, rompendo um longo e tenebroso inverno internetístico, volto, e volto para falar de cinema mais uma vez. Desta vez apresentar-lhes-ei uma pequena lista de promessas, estréias para esse ano ainda novo.

Não sei exatamente a ordem de estréia de tais filmes, mas isso  pouco importa, porém, acredito que os dois mais próximos sejam os já afamados, e não poderia ser diferente, “Alice no País das Maravilhas” e “Homem de Ferro 2”. Prometem muito, na minha modesta opinião.

Homem de Ferro 2: Pois bem, o Sr. Robert Downey Jr. – o filho do seu Robert Downey – que nunca foi ruim, depois que voltou das “férias” ta na “ponta dos cascos”. Dos seus filmes mais recentes ainda não vi nenhum ruim, e se alguém viu, com certeza não foi por causa dele; só pra citar 4, até porque eu não lembro mais que isso, mas já é um bom nº, temos o  Homem de Ferro ‘1’, O solista, Zodíaco e Sherlock Holmes*. E ele retorna agora, mais cara-de-pau ainda pelo jeito, como Tony Stark. É a bola da vez é com méritos.

Se o primeiro Homem de Ferro teve o esquecido e atual vencedor do, Globo de Ouro, Jeff  Bridges (“O grande Lebowski”) como vilão, que não convenceu muito é verdade, o segundo tem o supimpa Mickey Rourke (“O Lutador”, “Sin City”) no papel de “Wiplash”; e a (ai ai…) Scarlett Johansson (E lê lê…) ( “Vicky e Cristina Barcelona”, “Encontros e Desencontos”, “A Ilha”) no papel da espiã soviética “Viúva Negra”. Ah, e tem também a Gwyneth Paltrow (“Shakespeare Apaixonado”) que não empolga, mas também não compromete.

Só esse elenco já é motivo suficiente para ver o filme, mas a história é muito bacana também, afinal de contas, qual é o herói Bom Vivant cara-de-pau que deixa  todo mundo saber quem ele é, e mais, deixa todo mundo ver o que ele faz ao som de AcDc? R: Tony Stark!

Resta saber se o Tony Stark ainda acha que o Stan Lee é o Hugh Hefner!

*Aproveitem enquanto está no Cinema; vale a pena cada centavo do ingresso.

Alice no País das Maravilhas: Aquela trinca* que já deu certo umas ‘par’ de vezes contra-ataca, Johnny Depp (“Edward mãos de Tesoura”), Tim Burton (“Os Fantasmas se Divertem”) e Helena Bonham Carter**(Clube da Luta).

Pois bem, de novo aquele argumento de autoridade do elenco, e do diretor, já nós faz meter a mão no bolso e ir para a salinha escura. Johnny Depp como Chapeleiro Maluco, Helena B.C como Rainha de Copas, o ‘chuchuzinho’ Anne Hathaway (“O Diabo Veste Prada”) como Rainha Branca e a novata e promissora moça de nome complicado e que parece mais uma tenista russa que qualquer outra coisa (Mia Wasikowska) como Alice são para lá de atrativos, porém, se analisarmos friamente a filmografia do glorioso diretor e “bilisco” da Helena B.C e considerarmos que a história é tão psicodélica quanto temos aí o grande motivo para ver o filme: texto e diretor foram feitos um para o outro, tal qual feijão e arroz, mão e luva, chitãozinho e chororó, xixi e coco, etc.

*Me abstenho de listar os trabalhos em que, pelo menos dois dos três, já fizeram juntos.

**Quem diria que uma cruza de ‘musa do Manuel Carlos’ com com baterista do Led Zeppelin e Jimmy e político estadunidense  daria tão certo, em todos os sentidos, (pisquei, pisquei de novo).

Outros dois filmes que prometem para 2011, mas nem tanto, são Homem Aranha 4 e Piratas do Caribe 4. Não que eu seja de jogar praga, mas para mim, estão fadados ao desastre, porque foram concebidos como trilogias, logo, eram pra ter acabado já, e sempre que se tenta levar a frente coisas assim, não da certo, é que nem esticar piada, perde a graça; ou então, continuar namorando depois de chifre descoberto, não da certo.

Piratas do Caribe 4: Os outros três foram bons, mas andaram na linha tênue entre o bom e ruim, agora, sem o diretor original, sem Keira Knigtley que é tão rara quanto uma inglesa bonita, eu diria que desequilibrou para o lado ruim da linha.

Johnny Depp*, abre o olho irmão, pula fora enquanto da tempo!

Dica: espere sair em DVD e alugue, vale a pena economizar uma grana.

*Que eu to ligado que é um grande leitor nosso.

Homem Aranha 4: Pois bem, um é “mais ou menos”, dois é fraco, três é ruim, mas quatro é patético. Será que ninguém nunca se ligou que o Stan Lee só fez esse herói para comer alguém que trabalhava com aracnídeos? Ou para por comida na boca das crianças em uma época difícil?  Poxa vida, é de longe o mais emo e mais sem graça herói da história. Três tragédias iguais não são suficientes para evitar uma quarta?

Tobey Maguire, vai estudar e fazer outra coisa da vida. Kirsten Dunst, bonitinha, você tem futuro, mas presta atenção com quem você ta andando…

Dica: Baixe, na cara dura*. Ou peça para um amigo. Não compre do camelô, não vale seu suado dim-dim.

*Assista só para ver como eu tava certo.

Além de todos tem aindaO Hobbit”, com produção, é claro, de Peter Jackson (“Distrito 9”), direção de Guilhermo Del Toro (“Labirinto do Fauno”),  há ainda um certo choque de informações com relação ao elenco, falasse de um lado que a película contará com o mesmos atores da trilogia do Senhor do Anéis (Dirigida por Jackson), por outro lado (e que Jahga queira que seja o lado errado!!!) falasse em quase ninguém da trilogia e com o meu mais recente desafeto como Bilbo, Tobey Maguire;  tem tudo pra ser o grande filme dos últimos tempos, mas… seu futuro é incerto! Temos ainda o fato da história ser mundialmente aclamada como uma das mais belas da mitologia do glorioso J.R.R.Tolkien (Parente espiritual de nosso J.R Tosco). Porém, seu destino é ainda nebuloso graças a umas cagadas ocorridas na economia mundial no ano passado, porém, tudo indica que no final da novela seremos felizes.

Nota do Opinião: Luto e recesso.

Posted in administração, opinião with tags on 03/12/2009 by opiniaodesegunda

Diletos leitores do Opinião de Segunda, o melhor e mais modesto blog da internet desde a criação do universo, nós, Tosco e eu, gostaríamos de vos dizer que entraremos em recesso até o dia 21 de Dezembro do presente ano. Creio que os motivos sejam óbvios – dado que você, publico amigo, é de longe a elite intelectual mais avançada desse planetinha e que já deve ter deduzido o porquê dessa pausa – mas mesmo assim os repassarei. Primeiro, digo a vocês que faremos essa breve pausa em respeito à morte do grande Lombardi, a maior voz e o maior nariz da comunicação mundial, tentaremos nos próximos dias nos acostumar a ver Lord Abravanel sem seu alterego, sem sua voz esquizofrênica, sem seu Grande Irmão, e acima de tudo, pensaremos quem comandará o próximo clone de Silvio Santos quando o prazo de validade do atual acabar – e levando em consideração suas ultimas gagazices e sua careca, podemos concluir que não demorará muito para que um próximo clone se faça necessário. Esse evento sem precedentes na história da comunicação mundial nos fez repensar nossa posição diante da constituição do mundo.  Aliado a isso, Tosco e eu carregamos o fardo de nos dedicar ao estudo da filosofia pela UFPR, e, como todos sabem, o 6º andar do Dom Pedro II (ou I) é um modelo de organização, e eles, sabiamente colocaram todos os trabalhos do semestre na mesma época, e como somos fieis a nossos compromissos acadêmicos, aproveitaremos esse período de luto para nos dedicar à faculdade.

Na volta, perto das festas natalinas e de fim de ano, faremos um especial culinário-festivo, tratando de responder tudo aquilo que você sempre quis saber sobre ‘perus’ e ‘foguetes’ e nunca teve coragem de perguntar, pondo em atividade de novo a marcha do conhecimento. Espero que vocês entendam nosso luto, compartilhem dele, e segurem sua ansiedade, para que possam desfrutar da nossa orgiástica volta por cima no dia 21 -no bom sentido, é claro.

Muito obrigado por nada. Atenciosamente, a entidade imaterial que responde por  ‘Opinião de Segunda’. Beijo pras mina, abraço pros mano, e  um ‘pedala Robinho’ pras criança.

Pequena lista de pequenos filmes que transformarão seu pequeno cérebro em uma pequena geléia… Por Murilo, eu acho…

Posted in bom gosto, cultura with tags , , , , , , , , , on 22/11/2009 by opiniaodesegunda

Você conhece a definição de insano? Então, nos bons dicionários, aqueles que ainda não foram inventados, depois dessa palavrinha haverá a indicação dos seguintes filmes. Mas antes; VALE A PENA AVISAR QUE VER ESSES FILMES TODOS EM UM CUTO INTERVALO DE TEMPO PODE SER PREJUDICIAL À SAÚDE, PORTANTO, OBSERVE BEM A ESCALA DE TRANSFORMAÇÃO DE CÉREBRO EM GELÉIA (E.T.C.E.G) que vai de 1 à 5.

 

Duvidando da Vizinhança…

Os Suspeitos: Trama policialesca genial cujo enredo consiste em ninguém acreditar que o diabo húgaro exista e derrepente; puf! Ele some! Destaque para a atuação do muleque Benício del Toro. (ETCEG=1)

 

Duvidando da realidade…

Matrix: Assista e depois tente mostrar para o saudoso Pedro Pedreira* porque que o filme fica na prateleira de ficção? Mas lembre-se: “Pedra 90 só enfrenta quem agüenta!”

O Mundo de Andy: Você acredita que o homem pisou na lua? Você acredita em armas químicas iraquianas? Você acredita no JN? Você acredita nos vídeos que te mandam por E-mail? ET de Varginha (golpe publicitário da cidade)? Área 51(prateleira onde fica a cachaça no bar da esquina)? Você acredita em tudo que chega a você via caixinha de elétrons? Você acreditaria em Orson Wels quando ele anunciou a Guerra dos Mundos pelo rádio!!!!! Citando o grande Tiririca: “Bobo!”  (ETCG=2)

 

Duvidando do futuro…

12 Macacos: Duas criações insanescas da cabeça de Terry Guilian conversam:

- O que será que acontece se agente ficar indo e voltando do presente pro passado?

- Sabe que eu não sei rapaz…

- Vamo mandar o Bruce Willis pra ver o que acontece?

- Vamo ué! Ah, e já que ele vai pra lá, pede pra ele resolver os problemas de toda a humanidade do presente…

-Claro! Porque não!Mas não vão querer matar ele por isso?

-Até vão, mas vai ser “duro de matar”. Hã?Hã?Hã?…

Laranja Mecânica: Você acha que jogar criancinhas da janela do prédio é o máximo de crueldade do ser humano? Violência? Transmutação de valores? Avanço da ciência? Biopolítica? Dissolução da Consciência? My God de bigode!!!! Você vai rezar por um apocalipse. (ETCG=3)

 

Filmes que fazem você duvidar de você mesmo…

O Operário: Se você um dia acordar cansado, começar a passar noite após noite dormindo cada vez menos, sofrer de um emagrecimento repentino e sem motivo, só o que eu posso dizer é: duvide da dieta da lua, antes de mutilar seu colega de trabalho!

Clube da Luta: Tédio? Beleza! Como sair dele? Faça qualquer coisa, só não abrace um gordo e chore, daí para montar um grupo terápico-terrorista é um pulo. E lembre-se: JAMAIS, NUNCA, EM HIPÓTESE ALGUMA SE ACHE PARECIDO COM O BRAD PIT. (ETCG=4)

 

E finalmente, nada!

Um sonho dentro de um sonho: Escrito, dirigido e estrelado por Anthony Hopkins, o glorioso, monstruoso e genial Hannibal; eis um filme sobre o qual eu nada me atrevo a falar… quando o filme acabou eu me senti completamente vazio de toda e qualquer capacidade de julgamento. É de longe o filme mais fora da casinha que eu vi. (ETCG= 6)

 

Agora, se você não entendeu nada do que eu disse até aqui, assista os filmes e tente falar coisa com coisa depois você então.

 

 

 

*Procure no you tube por vídeos da Escolinha do Professor Raimundo!

 

 

 

Vitrola minha vitrola #3 por J R Tosco

Posted in cultura with tags , , on 15/11/2009 by opiniaodesegunda

Voltei. E desta vez para falar/escrever sobre os bons sons. Música de verdade meus caros. Arte, não lixo. Como ando muito ocupado ultimamente e nem um pouco verborrágico, vamos direto a eles.

 

Slayer – World Painted Blood – Reza a lenda que toda vez que o Slayer lança um disco a órbita do planeta Terra sai do eixo. Pois bem, é exatamente neste clima que eu gostaria de começar este post sobre música. Inúmeras bandas já me decepcionaram, mas a trupe de Tom Araya, não decepciona, não cede e continua sempre com sangue nos “zóio”. Isto é facilmente perceptível nas novas canções da banda, como a ótima faixa título, a cadenciada e intimidante “Beauty through order” e a destruidora “Public display of dismemberment”. Destaque ainda para as fabulosas “Americon” e “Playing with dolls”. É, enfim, o caso clássico de um álbum para ouvir batendo a cabeça na parede com força.

 

Dozer – Through the eyes of heathens – Já faz algum tempo que tenho a convicção de que a Suécia deve ter alguma coisa especial, ao menos os sons que vem de lá são todos sempre satisfatórios, a priori. Bandas como o In Flames, o Hammerfall, Pain of Salvation, The Haunted, Hellacopters e o Therion fazem a gente esquecer da época em que só se ouvia falar da Suécia quando tocava ABBA e Roxette (hehe). Muito embora o Dozer pertença a um ramo mal visto entre os “metalheadbangersfuckingmetalsmotherfuckers”, o stone metal, a banda mostra que é de primeira linha, fiel ao estilo e profissional. A boa e pesada faixa de abertura já chega com a proposta do stone metal: guitarras toscas, cruas e distorcidas, bateria muitas vezes utilizando o bom e velho truque das frases tribais e um vocal disperso e bruto. Já em “Born a legend”, segunda faixa do disco, o ouvinte pode decidir se gosta ou não da banda. Quem não gostar desta música, certamente não vai gostar da banda. Assim. É aqui que você pode se apaixonar pela banda e pelo estilo, ou não. Destaque ainda para a “sabbazistica” “Until man exists no more” e as excelentes “Omega glory”, “Man on fir” e a quebradíssima “The roof, the river, the revolver”.

 

Grand Funk Railroad – On time – eu acho impressionante o fato de que quanto mais eu exploro os sons dos anos 60 e 70, mais tesouros escondidos eu descubro. Esta banda é um bom exemplo disso. Este disco, de 1969, configura em minha amadora opinião uma revolução. O termo “funk” no nome da banda é profético, apropriado e sem sombra de dúvidas justo. Calma, calma, eu não estou falando do lixo sonoro que nós tupiniquins atrasados estamos acostumados. Falo do true funk, música root true mesmo. Mas assim, em poucas palavras: bandas de rock clássico dos anos 60 e 70 destroem, o Grand Funk “mata a cobra e mostra o pau” justamente por inovar, por mesclar tão bem a sonoridade das bandas da época com o “remelexo” irresistível  e a dinâmica do funk true. Além disso, temos ainda o fato de que as letras são todas “políticas punks de protesto”, e eu adoro música de protesto. Bom se alguém ai ficou com o pé atrás ou acha que o velho Tosco aqui endoidou e ta querendo descer na boquinha da garrafa, sugiro que ouça o disco e entenda o que eu quero dizer com true funk. “Are you ready”, “Anybody’s answer”, “T.N.U.C.” e “Into the Sun” são as músicas que eu pretendo destacar.

 

 

Imparcialidade 2, um exemplo… Por Murilo

Posted in opinião with tags , , , , , , , , , , on 07/11/2009 by opiniaodesegunda

Na verdade esse texto é menos um texto para demonstrar uma idéia do que uma grande e gorda pergunta sobre linguagem e intenção.

Recentemente, num continente distante chamado América Latrina, um fato inédito para tal lugar afastado do mundo civilizado, chamou atenção do mundo todo: um sujeito lá, apoiado pelas forças armadas locais, ascendeu ao poder derrubando o então presidente de intenções socialistas, com a acusação de anti-democracia e corrupção. A partir desse momento a imprensa nossa de cada dia começou a noticiar: “Golpe militar em Honduras”… “Golpe militar na América Latrina”… “Golpe militar nas Américas”… “Golpe militar”… “Golpe”… “Golpe”… etc… Num primeiro momento, logo depois de ouvir o então novo manda-chuva do país, na imediateza da coisa, no ainda sensacional do fato, o então novo governo hondureño recebeu da nossa gracinha de imprensa o título de  “governo golpista.”: “O governo golpista de Micheletti isso…”; “O governo golpista de Micheletti aquilo…”; “O governo golpista de Honduras declarou que…”; “O governo golpista.”… “O governo golpista”… etc… Ainda nesse primeiro momento, não foram uma nem duas declarações de figurões do tipo de Alexandre Garcia e cia. Dizendo coisas do tipo: “Meu Deus, a América esta retrocedendo, os tempos da repressão estão voltando, o Mal anda sobre a terra novamente! Oh! E agora, quem poderá nos defender?” Pois bem, é até compreensível essa atitude, visto a história da relação entre imprensa e ditadura aqui em terras tupiniquins, onde ou você era contra e morria, ou você era a favor e era execrado pelo povo, ou você fingia que era contra mas não era e trabalhava na Rede Globo de Comunicações.

Então, alguém que baseia seus juízos políticos na informação que recebe da nossa imprensa imparcial, deveria pensar o seguinte : “Poxa, seria bom se alguém ajudasse os hondureños né?! Nossa, golpe, ditadura, repressão, ui, ninguém merece!”. Seria um pensamento natural para tal ser.

Mas aí começou uma segunda fase na pseudo-querela. E essa segunda fase começa com o apoio do governo brasileiro ao presidente deposto Manuel Zelaya. O governo do nosso amigo Doryteuthis plei (Lula) defensor da “ordem democrática  Teuthoidea” e da “crasse trabaiadora Cephalopoda”   pelo mundo, abriu as portas da embaixada brasileira em Honduras para o então exilado Zelaya, a fim de manter o presidente eleito em seu país para uma possível negociação para a resolução da crise.

Nesse  momento o vocabulário da imprensa brasileira misteriosamente mudou. O governo de Michaletti deixou de ser “golpista” e passou a ser “interino”. Os militares deixaram de ser golpistas e passaram a ser “apoiadores do governo interino”. O Presidente eleito que foi “deposto” e “exilado”, deixar de ser assim para ser agora o presidente “afastado” de Honduras. O “retrocesso da América”, a “repressão”, “ o mal sobre a terra”, viraram “crise interna em Honduras”. E a atitude do governo do nosso simpático Lula, vira atitude do Lula (não quero o eximir de responsabilidade, ele é o chefe, ele que responda pelos chefiados), mas passou-se a tratar do assunto como se todos os esforços do governo brasileiro tivessem se voltado para Honduras, como se o próprio Lula estivesse lá negociando.

Então, aquele mesmo ser que baseia seus juízos políticos na informação que recebe da nossa imprensa imparcial, passa a pensar assim: “Hã! Que tipo do Lula, vai ser meter lá na crise interna de Honduras, ele não tem coisa mais importante para resolver aqui heim?! Os hondureños são problema dos hondureños! Cara, por isso que eu vou votar no Serra” É, é um pensamento natural para um tal ser.

Longe de mim querer fazer propaganda para o PT, ele é sim uma merda. Mas as grandes perguntas que ficam são: Por que as palavras mudaram para se referirem ao mesmos fenômenos? Isso ter acontecido depois do apoio brasileiro é mera coincidência? Qual a intenção da imprensa com essa mudança de significação?

Enfim, cada vez mais se acredita na tal imparcialidade da imprensa, e cada vez mais fica fácil de se esconder a sua parcialidade, não porque ela fique menos gritante,  mas sim porque os que escutam ficam mais surdos.

Black Hawk Down in Rio por J R Tosco

Posted in opinião with tags , , on 24/10/2009 by opiniaodesegunda

Eu juro que tento não bater sempre na mesma tecla, ser chato, ou coisa do tipo, mas não dá. Simplesmente não dá!!! Estava eu escrevendo um post de música para o blog, afinal, faz algum tempo que não escrevo sobre música aqui, mas eis que me deparo com a chocante notícia de que os traficantes cariocas conseguiram mais uma incrível proeza, derrubaram um helicóptero da policia e desde sábado passado aterrorizam a população com ações que lembram um estado de guerra. Parei imediatamente de escrever o post de música e, consciente de que repetirei o assunto do qual tratei no último post que escrevi, falarei novamente do Rio de Janeiro (a “cidade maravilhosa”), da olimpíada e de como tudo isso parece ridículo.

Assim como no filme (traduzido como Falcão Negro em Perigo, dirigido por Ridley Scott e que trata de uma ação militar americana mal sucedida na Somália) a situação no Rio de Janeiro parece invenção da mente fértil de um romancista ou cineasta. Surreal. Concomitante a toda essa situação (que na minha opinião só pode ser classificada como uma guerra civil/urbana) está a recente “conquista” da cidade “maravilhosa” para sediar as olimpíadas de 2016. Até mesmo aqui no Brasil este contraste parece berrante aos olhos e mentes de quem os observa. Tendo isso em mente e acreditando que imagens valem por muitas palavras, colocarei duas fotos tiradas com uma semana de diferença. Duas fotos que tratam da “maravilhosa” cidade “turística” que é o Rio de Janeiro.

antes:

lula-pele-bandeira-1g

depois:

get

Mais uma vez, pouparei o tempo do leitor, sem comentários e até a próxima.

“INÚTIL” (?) por Roberto Shiniti

Posted in Filosofia de Butéco (Botéco), cultura, opinião with tags , on 19/10/2009 by opiniaodesegunda

Depois de alguns anos lendo pesquisas, artigos, dissertações, teses e outras coisas sobre a vida cotidiana das pessoas, confirmei uma coisa que sempre eu questionava (e o Jô Soares continua questionando): a utilidade das pesquisas científicas. Desde os tempos imemoriais existem pessoas interessadas em saber como funcionam as coisas. Perguntas de cunho retórico perelmaniano do tipo: “O que é aquela bola amarelada que sempre aparece no céu e a tudo ilumina?” Deram-nos respostas e outras perguntas. Assim foi nascendo a ciência, com todas as suas questões. Diz uma propaganda de TV: “O que move as pessoas, não são as respostas, mas as perguntas”.

Aprendi uma coisa interessante: nada é por acaso e nenhuma pesquisa é completamente inútil. Inútil no sentido de não mudar as nossas concepções sobre a realidade. Assim tive esse insight quando li uma pesquisa sobre a velocidade do caminhar das pessoas nas principais capitais brasileiras. Curitiba é a 6ª cidade do planeta com maior velocidade de caminhar das pessoas. Ora, qual a importância dessa pesquisa aparentemente inútil?

Antes de responder a essa questão, vamos para 150 anos atrás, quando um monge beneditino de uma cidadezinha do interior da República Tcheca ficou anos cruzando plantas de ervilha-de-cheiro e descobriu como as características delas passavam às gerações seguintes. Houve também um lorde inglês que viajou ao mundo num navio mercante identificando e coletando bichos de todos os tipos, descrevendo seus hábitos e tentar descobrir como eles adquiriam características que permitiam aos seus descendentes dominarem o ambiente. E assim exemplos e mais exemplos se perpetuam na ciência.

Assim voltamos para Curitiba. Diz a pesquisa que a cidade onde as pessoas andam mais rápido é Cingapura, eles levam em média 10 segundos para percorrer 18,3 metros. Curitibanos levam 11s13 para percorrer essa mesma distância. Para os pesquisadores, que atuam desde o início dos anos 90, as pessoas estão aumentando suas velocidades de caminhada por motivos de produtividade. Aumentam as necessidades das grandes cidades e isso acarreta no aumento da velocidade de caminhada. Uma análise pragmática disso é que estamos nos atolando em trabalho para produzir riquezas e mover a máquina (seja capitalista ou comunista, não importa).

Uma vez eu assisti ao maldito Programa do Jô, onde ele ironizou uma pesquisa que mostrava pesquisadores que descobriram que, num corpo em decomposição, diferentes espécies de coleópteros (besouros) habitavam esse corpo em diferentes fases de decomposição. Claro que utilizar o Jô como exemplo é facilmente refutável. Porém, a população pseudo-intelectual que o assiste, gosta e repete as mensagens do apresentador. Nessa mesma linha, o Ratinho ironizou certa vez quem pesquisa as baleias, pois ele compreendia que “eram animais inúteis e que colaboravam para a extinção dos peixes, prejudicando os pescadores”.

Mas esse pensamento é histórico e vem de Francis Bacon, que na sua obra Novum Organum fundou as bases da ciência moderna, levando-nos a crer que a ciência tinha uma utilidade. No século XIX, com os primórdios do capitalismo durante a Revolução Industrial, a ciência é chamada pelas indústrias para colaborar com o desenvolvimento tecnológico e, no início do século XX, nascem os primeiros laboratórios de pesquisa nas Universidades, primeiramente financiados pela classe financeira e depois passando a um investimento estatal, principalmente nos EUA. Em meados da década de 1960 o interesse do governo norte-americano passou a ser o ensino de ciências para a população em geral, haja visto que a Guerra Fria inaugurou a pesquisa aeroespacial com o lançamento do Sputnik russo. Assim eles espalharam para os países aliados um método de ensino que criou disciplinas específicas para o ensino das ciências. Nasceram as disciplinas escolares Biologia, Física e Química, numa abordagem conteudista laboratorial, na tentativa de formar os cientistas-mirins. Kits e feiras de ciências nasceram com forte investimento norte-americano, para formar pessoas que fizessem ciência no seu cotidiano. Claro que, como vemos a situação no Brasil, a idéia não deu muito certo: ciências na escola virou mais um show de luz, cores e explosões do que aprendizado.

No final das contas, a idéia de uma ciência utilitária ainda perdura, quando vemos o investimento pesado dos governos a tecnologias de ponta em detrimento de outras pesquisas. Ser geneticista, físico nuclear, ou engenheiro é mais lucrativo do que ser pesquisador de qualquer outra área. É só assistir ao Globo Repórter.

Uma Coisa é uma Cosias, Outra Coisa é Outra Coisa… por Murilo…

Posted in bom gosto, cultura, opinião with tags , , , , , , , , , , on 13/10/2009 by opiniaodesegunda

Preconceito é uma bosta, é idiotice, é crime, e acima de tudo inútil à vida. Inútil e até ofensivo à ela, pois quanto mais se eliminam diferenças ao invés de considera-las e assumi-las mais difícil fica o ato de criar – pois se diminui o numero de elementos com os quais se pode trabalhar –, e mais fácil se torna o ato de se auto-destruir; exemplo, existem raças diferentes entre animais de mesma espécie, e existem doenças que causam mais mal a uma raça do que a outra, assim, para se curar o mal de uma, comumente se busca o que faz a outra resistente e se aplica o descoberto em forma de remédio à doente, portanto, quando existe uma única raça, é muito mais fácil de destruí-la, pois um mal que lhes é fatal não encontra resistência em nenhum indivíduo; isso vale para nós humanos e por si só é suficiente para acabar com a idéia de superioridade racial. Mas existem ainda outros milhões de argumentos melhores do que esse; e acima dos argumentos, os fatos. Além disso, preconceito é idiotice, como dito, porque para se formar um conceito de qualquer coisa, é preciso conhecimento total do objeto em questão, em seguida identificar os elementos universais, isso é, que valem para todo grupo dos mesmo objetos, e reuni-los num só ideal. Pois bem, se não é exatamente isso, de qualquer forma, para se conceituar algo é necessário muito esforço de pensamento e reflexão, logo, o estágio do pré-conceito é feito sem isso, e portanto, é o estágio da ignorância do objeto, e tomar atitudes baseadas em ignorância é idiotice.

Assim, eu defendo que devemos refletir sobre as coisas, entende-las e conhece-las antes de emitir julgamentos. Mas… e sempre tem  um ‘mas’… Ter “a cabeça aberta” não significa não possuir filtro nela, não significa ter que aceitar que qualquer porcaria tem o direito de existir, até porque aquilo que te ofende ajuda a te destruir e aceitar o que te destrói também é idiotice, portanto àquilo que te ofende merece ser combatido; exemplo, eu – como “um thrash desalmado fã de Death”, e ainda, de formação musical rústica mais de bom gosto, que sempre dei valor àquilo que tem identidade forte e que é feito sem frescura -, não sou obrigado a aceitar que o “Emo”, estilo “musical-cultural”* que ilude um monte de crianças por esse mundo a fora, mereça existir, pois ele ofende tudo aquilo que acredito e professo, portanto considero sim o “Emo”, e qualquer gênero de coisa fresca e sem identidade, uma grande merda e que merece morrer à mingua**.

Para concluir gostaria de dar uma de filósofo e acrescentar que não se deve confundir ofensa com medo, pois a ofensa tem origem externa ao sujeito e só pode se realizar plenamente com a destruição daquilo que ele acredita ser o certo; já o medo tem uma origem interna ao sujeito, esse sentimento reside e é fruto na e da sua fraqueza, é um sentimento de “pequenez” perante algo; a maioria dos preconceitos têm origem no medo, o que impede de conhecer algo de maneira verdadeira; logo, ideologias baseadas em preconceitos raciais têm origens nos sentimentos de pequenez  e de fraqueza de seus membros perante a outra raça.

Obs.: Posso ter confundido raça com espécie, ou espécie com raça, mas isso é um detalhe para os biólogos, a argumentação pode ser entendida do mesmo modo sem prejuízos.

*Se é que se pode dizer que aquilo que eles fazem é musica, ou que eles podem constituir uma coisa tão complexa como uma cultura.

**O que me consola é que, apesar de minha pouca experiência de vida, já vivi o suficiente para saber que essas modinhas não passam disso, modinhas; que são efêmeras, e que o castigo aos que aderem à elas é a vergonha que vão levar para o resto da vida por terem participado disso.

Rio 2016… por J R Tosco

Posted in opinião with tags , , , , , on 04/10/2009 by opiniaodesegunda

Eis me aqui novamente, desta vez para dizer algumas palavras sobre a recente vitória da cidade do Rio de Janeiro para ser a sede das olimpíadas de 2016. Dada a recorrente indignação deste que vos escreve e a triste constatação de que nada que eu faça vai mudar o mundo, resolvi literalmente colocar algumas palavras para que o leitor pense a respeito, afinal, parece ser inútil elaborar um discurso a respeito. Acredito que a força das sentenças abaixo é mais do que suficiente.

hipocrisia

desvio de dinheiro dos cofres públicos

cidadão brasileiro sem vergonha na cara

país sem educação

o que o Paulo Coelho tem a ver com esporte?

problemas sociais graves

ladrões

interesses puramente comerciais

espírito olímpico não existe

atletas brasileiros em condições de miséria

carga tributária mais pesada

esporte para brasileiro é futebol

absurdo

Pelé é um embaixador?

opinião pública débil

política transparente

circo

e a cultura?

Bom, acho que nem precisa comentar.

Até breve.